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A mostrar mensagens de 2013

6 de Setembro

6 de Setembro ... Para muitas pessoas é só mais um dia do mês de Setembro ou do ano, mas para outras pessoas é um dia especial por algum motivo qualquer. No meu caso, ou melhor, no caso na minha família, poderia ser um dia especial por ser o dia de aniversário de um dos seus elementos, mas agora passará a ser um dia agridoce e que marcará uma mudança, um dia que será o fecho de um ciclo e o início de outro ciclo. Esse início ou fim de ciclos será uma espécie de derrota causada por diversos factores que culminaram numa situação de certo modo irreversível e que certamente deixará consequências que seriam fáceis de ultrapassar se fossem como pegadas na areia. O mar encarregar-se-ia de as levar consigo e aquele pano cinzento ou branco voltaria ao seu estado inicial, mas na realidade não haverá um mar que faça isso e nesse momento resta o salgado, não do mar, mas de algumas lágrimas que terão como objectivo tentar libertar algum do peso causado pela frustração, pelo arrependimento, pela co…

Enquanto passeio um cão...

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Enquanto passeio um cão numa noite de verão, de outono ou qualquer altura que queiram, mas nesse caso de noite, podem ser inúmeras as coisas que acontecem e que posso presenciar na qualidade de espectador andante, na qualidade de ser quase insignificante, de ser que passa perante acontecimentos que se desenrolam em universos próprios e com os quais não interfiro activamente.
Simplesmente sigo no meu caminho despretensioso e no decorrer desse passeio aleatório deparo-me com pessoas que escolhem um local mais recôndito, sossegado, reservado e por sinal menos iluminado, para no interior da sua viatura fazerem coisas que não são necessárias estar aqui a explicar [atenção...podem simplesmente estar a conversar]. Continuo o passeio e passo por uma pequena ermida onde diversas pessoas, algumas no interior, outras à porta, se despendem de algum amigo ou familiar que já não está fisicamente entre nós e que repousa no seu sono eterno. Lá vou eu como se no meu universo não houvesse lamentos ou do…

Encontrar-te algum dia...

Há coisas que gostaria de te dizer mas que infelizmente não podem ser ditas e ficam comigo porque há coisas que queremos dizer e que para nós podem significar uma coisa e a partir do momento que saem de dentro de nós podem perder todo o seu significado, todo o seu sentido, e isto devido aos mais diversos factores.
Queria dizer que te agradeço [para além das vezes que já o disse], queria dizer que queria estar mais próximo de ti, queria...dizer tanta coisa que me chego a perder nas palavras que não encontro.
Por vezes acredito que posso contar contigo, noutras vezes fico na dúvida, retraio-me, como se me agachasse num canto. Tenho receio do tempo, do passar do tempo, de desperdiçar o meu tempo por saber que haverá sempre barreiras difíceis de ultrapassar. É como estar numa pequena cidade rodeada por uma enorme muralha intransponível (ideia não original, eu sei, veio de um livro). 
Sei que estás algures, mas isso que eu sei, não sei sempre, sei-o só às vezes...
Pergunto-me se algum dia irei…

A música - Pintura

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Um som ou alguma coisa verdadeira a existir. A nascer, a crescer, a viver. Uma coisa verdadeira e infinitamente bela a agitar-se no ar do salão. Um lamento. Uma angústia a transformar-se de repente numa alegria grande. A caminhar, a correr, a dançar.
Um sonho bom a transformar-se numa alegria branda.
Glória e espanto. Um som a existir muito. O ar do salão cheio de um milagre invisível. Um segredo profundo a atravessar-nos. Cores. Nenhuma cor. Água, silêncio. Um som ou alguma coisa verdadeira. Tudo isto e nada disto era a música.

Excerto de "Uma casa na Escuridão" de José Luís Peixoto e que em parte serviu de base para este trabalho.

A Música - 2012
Óleo sobre Tela
50x60cm

Livros e Pintura

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Nas últimas semanas alguns do meus livros não tiveram sossego e isso poderia acontecer porque estaria a lê-los ou relê-los....mas nesse caso o propósito foi outro e teve a ver com o facto de eu ter que criar 3 telas para participar numa exposição colectiva de pintura (embora diga-se que uma delas, das telas, é que efectivamente tenha dado mais incómodo aos meus livros, pois ainda foram uns quantos aqueles que tiveram de sair do seu cantinho habitual, do seu quase eterno sossego, e passarem a estar espalhados por aqui e por acolá, correndo o risco de serem pincelados ou manchados de tinta ou outro produto envolvido no processo). Dizem que às vezes é preciso fazer sacrifícios...talvez esse tenha sido o sacrifício deles.

As ideias surgidas à volta do tema "o Livro" foram muitas, contudo, devido relativa falta de tempo (digo relativa porque muitas vezes essa questão é mesmo relativa), não me consegui "esticar" tanto quanto gostaria porque sei que se o tentasse fazer, co…

Na hora de por a mesa...a saudade

Na hora de por a mesa....Título de um texto da autoria de José Luís Peixoto que me vem muitas vezes ao pensamento e isso acontece por diversas razões. Uma delas é a relação entre a aparente simplicidade do texto e aquilo que o próprio texto transmite. Podemos ser mais ou menos do que cinco pessoas na hora de por a mesa, mas certamente em algum determinado momento da nossa vida acabamos por sentir a falta de qualquer uma dessas pessoas quando elas, por algum motivo, já não estão presentes. Sentimos a falta de partilhar momentos com essas pessoas, de comunicar com elas. No texto temos o exemplo do "sentar à mesa", algo que representa um momento de partilha familiar que nos dias de hoje se calhar se torna cada vez  menos frequente e em muitos casos é também o único momento do dia em que uma família consegue estar toda junta e partilhar certos aspectos ou momentos das suas vidas, nem que seja apenas por alguns minutos. Nas restantes horas do dia, ou estão fora de casa ou estão e…