"E disse que eu não imaginava a importância das minhas palavras no mundo. Eu, rodeado de silêncio, disse-lhe que não havia palavras que me pertencessem.
Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridículas: amor, esperança, estrelas, e nas palavras mais belas: claridade, pureza, céu. Transformo-me todo em palavras. Ele olhou-me, e tudo isto ele sabia antes de me ter perguntado."
José Luís Peixoto, em "Uma Casa na Escuridão"
Hoje, se me escrevesse, se me transformasse em palavras, seriam palavras liquidas e quentes. Um quente que haveria de arrefecer e secar com o passar do tempo e cujos efeitos poderiam ser antagónicos. Gostaria de falar de esperança como gostaria de falar de amor, gostaria de poder dedicar-me a falar de coisas ridículas e banais, falar só por falar, mas infelizmente as palavras nas quais me havia de transformar seriam escuras, dotadas de uma tristeza que não quero ver espelhada nos olhos das outras pessoas. Se me transformasse em palavras se calhar transformava-me na palavra "nada" ou na palavra "zero" mas sei que não posso porque não derivo dessas palavras, ninguém deriva dessas palavras. Por mais que se queira, custa muito não pensarmos nas palavras que nos deram origem, e por mais palavras em que nos possamos transformar, haverá sempre uma letra que faz parte das palavras que nos originaram. Afinal de contas essas palavras que desejava, ainda têm quatro letras cada.
Fragmentos Repartidos
Cada batimento do meu coração é um pequeno fragmento da minha vida que partilho através de cada palavra que aqui deixo e que ao ser lida por alguém, faz-me saber que foi um momento que não deixei passar em vão...
Sábado, 7 de Janeiro de 2012
Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011
Que venha 2012!
Chegamos mais uma vez ao fim de um ciclo, mas isso não significa necessariamente (como é óbvio) o fim e o início de tudo! É mais uma continuação que nos oferece uma oportunidade de fazermos uma espécie de balanço ao passado recente, uma oportunidade de avaliar os objectivos traçados e de definir novas etapas para os próximos tempos. Assinalar um momento de avaliação do sucesso ou insucesso perante aquilo que havíamos definido para este ano de 2011 que agora deixa cair os últimos grãos de areia da ampulheta que será virada do avesso já amanhã!
2011 foi um ano complicado e neste momento estou dividido entre o medo de chegar a 2012 e a ansiedade de o ver chegar, uma ansiedade quase traduzida numa atitude de "mandem lá isso para cá para ver o que se pode fazer!". Por mais que nos tentemos abstrair da realidade para dar umas migalhas à esperança, é relativamente difícil conseguir fazer isso porque somos cercados pelos gritos de um papão escondido nas noticias da rádio, tv, internet, jornais, etc. Gritos esses que arranjam sempre maneira de chegar aos nossos ouvidos e muitas vezes já em versões distorcidas ou ampliadas, o que acaba por ser ainda pior. Vou para 2012 (espero eu) alimentado pelas poucas migalhas que consegui dar à minha vontade de acreditar que as coisas podem até não ser tão más como se prevêem e que com algum esforço conseguiremos ultrapassar os desafios que se atravessarem no nosso caminho. A vontade de ir dormir e só acordar no final de 2013 é imensa, mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam e se fosse assim, se calhar todos, ou quase todos, iríamos dormir, e quando acordássemos as coisas estavam certamente ainda piores e não é isso que se quer. Daqui para a frente teremos de viver os pesadelos acordados e deixar os sonhos para quando estamos a dormir. Espero não ter motivos que me roubem o sono, pois isso seria mau sinal. Mas chega de pensamentos negativos e vamos lá pensar que coisas boas também podem acontecer. Àqueles que chegaram a estas palavras aproveito para desejar BOA SORTE para 2012 e não se esqueçam de ajudar as pessoas que estão ao vosso redor ou de pedirem ajuda se necessário, pois por vezes a vergonha de o fazer, dá origem ao desespero que por sua vez corrompe a razão e o bom senso.
Quem este ano não tiver oportunidade de presenciar pessoalmente a explosão de cores e sons de qualquer fogo de artifício, como será o meu caso, relembro que não são só as coisas materiais, palpáveis ou visíveis, que conseguem fazer estremecer o nosso coração, há muito mais para além disso!
2011 foi um ano complicado e neste momento estou dividido entre o medo de chegar a 2012 e a ansiedade de o ver chegar, uma ansiedade quase traduzida numa atitude de "mandem lá isso para cá para ver o que se pode fazer!". Por mais que nos tentemos abstrair da realidade para dar umas migalhas à esperança, é relativamente difícil conseguir fazer isso porque somos cercados pelos gritos de um papão escondido nas noticias da rádio, tv, internet, jornais, etc. Gritos esses que arranjam sempre maneira de chegar aos nossos ouvidos e muitas vezes já em versões distorcidas ou ampliadas, o que acaba por ser ainda pior. Vou para 2012 (espero eu) alimentado pelas poucas migalhas que consegui dar à minha vontade de acreditar que as coisas podem até não ser tão más como se prevêem e que com algum esforço conseguiremos ultrapassar os desafios que se atravessarem no nosso caminho. A vontade de ir dormir e só acordar no final de 2013 é imensa, mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam e se fosse assim, se calhar todos, ou quase todos, iríamos dormir, e quando acordássemos as coisas estavam certamente ainda piores e não é isso que se quer. Daqui para a frente teremos de viver os pesadelos acordados e deixar os sonhos para quando estamos a dormir. Espero não ter motivos que me roubem o sono, pois isso seria mau sinal. Mas chega de pensamentos negativos e vamos lá pensar que coisas boas também podem acontecer. Àqueles que chegaram a estas palavras aproveito para desejar BOA SORTE para 2012 e não se esqueçam de ajudar as pessoas que estão ao vosso redor ou de pedirem ajuda se necessário, pois por vezes a vergonha de o fazer, dá origem ao desespero que por sua vez corrompe a razão e o bom senso.
Quem este ano não tiver oportunidade de presenciar pessoalmente a explosão de cores e sons de qualquer fogo de artifício, como será o meu caso, relembro que não são só as coisas materiais, palpáveis ou visíveis, que conseguem fazer estremecer o nosso coração, há muito mais para além disso!
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
Inocência: "Antes de Adormecer" e "O Quarto de Jack"
Muitas coisas na nossa vida estão sujeitas a uma dualidade de sentido, estão sujeitas a uma oscilação que nos faz balançar entre o positivo e o negativo, entre as vantagens e as desvantagens.
A ignorância (não aquela intencional ou injustificada, mas sim aquela camuflada de inocência) que é atribuída às pessoas que na gíria se podem classificar como "serem tudo o que é bom", é uma dessas coisas da vida que não escapa à tal dualidade que eu falava. Se por um lado a inocência pode ser como uma bolha protectora que nos pode servir de abrigo perante os vários perigos e diversos tipos de armadilhas do mundo que nos rodeia, por outro lado, ela talvez apenas nos garante ou faculta uma ilusão de protecção porque no fundo, pode acabar por originar o efeito oposto.
O conforto dessa protecção pode deixar-nos mais vulneráveis, ou mais mal preparados para enfrentar a realidade. Gosto de acreditar que na dureza da realidade ainda existe bondade nas pessoas, em algumas pessoas, pessoas essas que supostamente possuem valores semelhantes aos nossos ou semelhantes aos que para nós são importantes. Gosto de por vezes manter uma certa inocência, para não dizer ignorância (porque essa parece-me ser uma palavra mais crua), no modo como observo e interajo perante certas situações, pois assim parece-me que a aspereza dos dias se torna mais suavizada. Posso estar a iludir-me, mas de certa forma tenho a noção que aos poucos essa inocência se vai transformando em algo diferente, em algo que nos faz automaticamente duvidar...duvidar de muita coisa, inclusive das pessoas (de algumas pelo menos). Se calhar quanto mais duvidarmos mais hipóteses temos de descobrir e descobrir (de forma saudável) é sinónimo de aprender e aprender equivale a sabedoria, nem que seja sabedoria da vida.
Uma vez que trouxe aqui (penso que novamente) o tema da inocência ou ignorância (no bom sentido), aproveito para falar de dois livros que li recentemente e que de certa forma, e cada um à sua maneira, abordam esse tema. Qualquer um deles é recomendável e vale a pena ser lido, não sendo de forma alguma uma perda de tempo nem de dinheiro (em caso de compra do livro - mesmo na crise).
Um deles é o romance de estreia de S. J. Watson "Antes de Adormecer".
Neste livro encontramos a história da vida de uma jovem que acorda todos os dias no corpo de uma senhora (porque entretanto foi ficando mais velha) e na companhia de um marido que mal conhece porque a partir de um certo momento da sua vida passa a sofrer de um certo tipo de amnésia que só lhe permite guardar memórias até ao momento em que cai no sono! Assim que ela dorme, ela esquece-se de tudo novamente e é como se tivesse de recomeçar tudo todos os dias. Como é possível imaginar, ela vive num sufoco devido à ignorância em relação à sua própria vida e àqueles que fazem parte do seu mundo, o não saber o porquê das coisas leva-a a duvidar de tudo e mais alguma coisa. Seria melhor para ela ficar na ignorância e viver cada dia conforme lhe fosse possível? Talvez sim, talvez não... mas vale a pena tentar descobrir!
O outro livro, bem diferente do anterior, mas que também nos fala da inocência, é o "Quarto de Jack" ou "The Room" no original de Emma Donoghue.
Este livro leva-nos a visitar o pequeno Jack, de 5 anos (acabadinhos de fazer), que vive com a sua mãe. Uma das principais particularidades da história, do livro, é que ele sempre viveu num quarto com a sua mãe e por isso, o mundo que ele conhece, e que vamos descobrir, é um mundo com algumas semelhanças em relação ao nosso, mas ao mesmo tempo com muitas adaptações que até certo ponto acabam por ser a tal bolha protectora que eu mencionava no inicio deste post aqui no blog. Será isso algo de bom para o Jack ou nem por isso?! É impossível não sermos contagiados pela imaginação e inocência do pequeno Jack, e em certas alturas é como se também estivessemos ali fechados naquele quarto com eles, com vontade de interagir com eles e de certa forma ajudá-los. Será que algum dia conseguirão sair daquele quarto? Como seria (sobretudo para o Jack) se algum dia conseguissem sair de lá?
A ignorância (não aquela intencional ou injustificada, mas sim aquela camuflada de inocência) que é atribuída às pessoas que na gíria se podem classificar como "serem tudo o que é bom", é uma dessas coisas da vida que não escapa à tal dualidade que eu falava. Se por um lado a inocência pode ser como uma bolha protectora que nos pode servir de abrigo perante os vários perigos e diversos tipos de armadilhas do mundo que nos rodeia, por outro lado, ela talvez apenas nos garante ou faculta uma ilusão de protecção porque no fundo, pode acabar por originar o efeito oposto.
O conforto dessa protecção pode deixar-nos mais vulneráveis, ou mais mal preparados para enfrentar a realidade. Gosto de acreditar que na dureza da realidade ainda existe bondade nas pessoas, em algumas pessoas, pessoas essas que supostamente possuem valores semelhantes aos nossos ou semelhantes aos que para nós são importantes. Gosto de por vezes manter uma certa inocência, para não dizer ignorância (porque essa parece-me ser uma palavra mais crua), no modo como observo e interajo perante certas situações, pois assim parece-me que a aspereza dos dias se torna mais suavizada. Posso estar a iludir-me, mas de certa forma tenho a noção que aos poucos essa inocência se vai transformando em algo diferente, em algo que nos faz automaticamente duvidar...duvidar de muita coisa, inclusive das pessoas (de algumas pelo menos). Se calhar quanto mais duvidarmos mais hipóteses temos de descobrir e descobrir (de forma saudável) é sinónimo de aprender e aprender equivale a sabedoria, nem que seja sabedoria da vida.
Uma vez que trouxe aqui (penso que novamente) o tema da inocência ou ignorância (no bom sentido), aproveito para falar de dois livros que li recentemente e que de certa forma, e cada um à sua maneira, abordam esse tema. Qualquer um deles é recomendável e vale a pena ser lido, não sendo de forma alguma uma perda de tempo nem de dinheiro (em caso de compra do livro - mesmo na crise).
Um deles é o romance de estreia de S. J. Watson "Antes de Adormecer".
O outro livro, bem diferente do anterior, mas que também nos fala da inocência, é o "Quarto de Jack" ou "The Room" no original de Emma Donoghue.
Este livro leva-nos a visitar o pequeno Jack, de 5 anos (acabadinhos de fazer), que vive com a sua mãe. Uma das principais particularidades da história, do livro, é que ele sempre viveu num quarto com a sua mãe e por isso, o mundo que ele conhece, e que vamos descobrir, é um mundo com algumas semelhanças em relação ao nosso, mas ao mesmo tempo com muitas adaptações que até certo ponto acabam por ser a tal bolha protectora que eu mencionava no inicio deste post aqui no blog. Será isso algo de bom para o Jack ou nem por isso?! É impossível não sermos contagiados pela imaginação e inocência do pequeno Jack, e em certas alturas é como se também estivessemos ali fechados naquele quarto com eles, com vontade de interagir com eles e de certa forma ajudá-los. Será que algum dia conseguirão sair daquele quarto? Como seria (sobretudo para o Jack) se algum dia conseguissem sair de lá?
Sábado, 12 de Novembro de 2011
a Morte com sinceridade e Novembro
"É tão triste desejar a morte com sinceridade. É tão triste não encontrar nada na vida, olhar todas as escolhas da vida e todas serem uma só e essa única possibilidade ser a miséria e o sofrimento e a solidão definitiva. Com olhos cansados, via a minha mãe. Se pudesse tinha chorado. Se pudesse, tinha chorado com todas as minhas forças. Se pudesse, tinha gritado até arrancar a última réstia de sofrimento e de vida de mim, até transformar o meu sofrimento, a minha vida, num grito que impressionasse o mundo."
Novembro
"Veio o mês da noite. Os dias não nasceram durante um mês. Os relógios, alheios ao mundo, continuavam a dar as horas, mas era sempre noite. A luz da electricidade não tinha força suficiente para iluminar a escuridão do mês da noite. Se alguém acendia uma lâmpada, não se distinguia sequer a luz pequena da presença de uma lâmpada acesa. Às vezes, ia á varanda. Olhava o céu negro, o lugar onde imaginava nuvens a passarem lentas á frente do lugar onde imaginava a forma embaciada da luz, as estrelas apagadas nos seus sítios. Olhava a escuridão absoluta, as ruas a tocar-me a pele, como pontos finos de luz imaginada."
"A chuva tinha parado. Entrava pela janela o cheiro interior da terra molhada, o cheiro germinal da terra por dentro, molhada de ervas viçosas a crescer, talvez verdes na escuridão."
Textos de José Luís Peixoto, "Uma Casa na Escuridão"
Novembro
"Veio o mês da noite. Os dias não nasceram durante um mês. Os relógios, alheios ao mundo, continuavam a dar as horas, mas era sempre noite. A luz da electricidade não tinha força suficiente para iluminar a escuridão do mês da noite. Se alguém acendia uma lâmpada, não se distinguia sequer a luz pequena da presença de uma lâmpada acesa. Às vezes, ia á varanda. Olhava o céu negro, o lugar onde imaginava nuvens a passarem lentas á frente do lugar onde imaginava a forma embaciada da luz, as estrelas apagadas nos seus sítios. Olhava a escuridão absoluta, as ruas a tocar-me a pele, como pontos finos de luz imaginada."
"A chuva tinha parado. Entrava pela janela o cheiro interior da terra molhada, o cheiro germinal da terra por dentro, molhada de ervas viçosas a crescer, talvez verdes na escuridão."
Textos de José Luís Peixoto, "Uma Casa na Escuridão"
Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011
Abraço
Um abraço, um ABRAÇO GRANDE, um abraço pequeno, um abraço de alegria, um abraço de tristeza, um abraço de paixão, um abraço de amizade, um abraço, um gesto de infinitos significados e que só a sua própria duração o pode definir, o pode formar e transformar. Palavra essa que inspira nomes de canções, nomes de livros, nomes de filmes, mas que também me saiu agora roleta das palavras que um dia haveriam de se tornar um título de um texto. Mais um que me faz querer estar com as palavras e com elas sentir o pensar, ficar feliz e ficar triste, tudo com as palavras. Palavras essas que muitas vezes saem mais facilmente da ponta dos dedos do que da ponta da língua, correndo talvez o risco de se perderem mais facilmente por aterrarem num local tão abstracto, e talvez solitário, como este aqui, quem sabe.
Mas vou-me dirigir novamente à origem deste texto e evocar novamente a palavra abraço, esse gesto que sei que podia ser tão simples e mesmo assim se tivesse acontecido talvez, apesar da sua simplicidade, tivesse sido também algo extremamente precioso porque acredito que era tudo o que precisavas naquele momento. Naquele momento em que lamentos, lágrimas, interrogações e inquietações fugiam de ti e circulavam à tua volta e eu não fui capaz de as esmagar com a força do meu abraço, os meus braços à tua volta, o calor do meu abraço a fazer desaparecer as tuas inquietações, dando lugar a uma calma igualável à calma que se sente quando já não temos mais forças para chorar, quando o cansaço já superou a tristeza, a frustração, e nos deixa estafados a não sentir, a não sentir mais nada. Mas nada disso aconteceu, porque o meu abraço não aconteceu. Fui fraco e deixei-me ser invadido por seres semelhantes aos que te circundavam, seres esses que tenho dificuldade em afastar quando emergem algures. Sem saberes, porque não te disse, porque não vês essas palavras, peço-te desculpa pelo abraço que te fiquei a dever, e mesmo não te abraçando fisicamente, abraço-te sempre no meu pensamento e no meu coração.
Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011
106 e 107
Hoje...correm na minha cabeça as páginas 106 e 107 do livro "Uma casa na Escuridão"! Mas sei que isso pouco ou nada servia para melhorar o que quer que fosse por isso.....se calhar é melhor virar a página, mas é difícil, muito difícil!
Sábado, 15 de Outubro de 2011
Contradições
São inúmeras as contradições que encontramos no dia-a-dia e também naquelas coisas que se entranham em nós criando aquilo a que chamamos de hábitos ou costumes.
Muitas vezes lamentamos a solidão e desejamos que ela se vá embora, que esse sentimento de isolamento fique para trás, no entanto, e devido ao hábito de não conversar, não dialogar, não conviver, cria-se uma espécie de amizade com o vazio, com o silêncio, com o nada, e quando somos confrontados com um preenchimento desse vazio, ficamos sem saber como reagir, e nesse desconserto sentimos uma espécie de saudades da solidão. Ficamos presos na incapacidade, ou ideia de incapacidade, de socializar (mesmo com pessoas mais chegadas) e ficamos reféns da comodidade negativa que a solidão é capaz de enraizar em nós quando lhe damos espaço e tempo para isso. Se estamos acompanhados, depois queremos estar sós. Se estamos sós, sentimos a frieza do vazio, do nada e do ninguém, e então desejamos a companhia, a partilha de momentos, de conversas, de sons, imagens, etc... Contrariedades ridiculas que conseguem dar de si quando menos esperamos ou quando não estamos atentos aos seus sinais.
---------------
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
Muitas vezes lamentamos a solidão e desejamos que ela se vá embora, que esse sentimento de isolamento fique para trás, no entanto, e devido ao hábito de não conversar, não dialogar, não conviver, cria-se uma espécie de amizade com o vazio, com o silêncio, com o nada, e quando somos confrontados com um preenchimento desse vazio, ficamos sem saber como reagir, e nesse desconserto sentimos uma espécie de saudades da solidão. Ficamos presos na incapacidade, ou ideia de incapacidade, de socializar (mesmo com pessoas mais chegadas) e ficamos reféns da comodidade negativa que a solidão é capaz de enraizar em nós quando lhe damos espaço e tempo para isso. Se estamos acompanhados, depois queremos estar sós. Se estamos sós, sentimos a frieza do vazio, do nada e do ninguém, e então desejamos a companhia, a partilha de momentos, de conversas, de sons, imagens, etc... Contrariedades ridiculas que conseguem dar de si quando menos esperamos ou quando não estamos atentos aos seus sinais.
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Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda
Domingo, 2 de Outubro de 2011
The Tree of Life
Como quase todos nosso fazemos em determinados momentos da nossa vida, paramos um pouco para pensar o que é que ela é exactamente, ou o que é que ela pode ser e qual o propósito de tudo isso que nos envolve.
São perguntas infinitas que também têm respostas infinitas, mas que infelizmente só algumas podem ser encontradas por nós e mesmo essas que encontramos nem sempre são satisfatórias porque sabem apenas a "algo melhor do que nada". Será que é aí que está a piada disso tudo? O facto de não sabermos e queremos descobrir? De onde viemos, para onde vamos, que influência real temos nós no nosso percurso de vida que supostamente é definido pelas nossas acções e em circunstâncias que nem sempre as recordamos como momentos que foram tão decisivos como depois, mais tarde, nos apercebemos que o foram? Essas são só algumas das questões que encontramos no filme "The Tree of Life". Certamente haverão opiniões que vão contra o que lá é sugerido, mas a ciência diz-nos de uma forma, a religião pode dizer-nos de outra, mas apesar de todas as vertentes, não se pode dizer que não haja um pouco de tudo, afinal de contas há coisas que nem mesmo a ciência mais avançada dos nossos dias é capaz de explicar. Quem já viu o filme saberá que a componente musical e visual são fundamentais no seu objectivos que é positivamente cumprido transportando-nos para uma atmosfera ou ambiente de reflexão ou se simples observação, como se estivéssemos num amplo local escuro onde apenas existiam aquelas imagens à nossa volta. A juntar a isso ainda temos a componente humana e os seus sentimentos e complexas formas de ligação que culminam naquilo a que chamamos família.
São perguntas infinitas que também têm respostas infinitas, mas que infelizmente só algumas podem ser encontradas por nós e mesmo essas que encontramos nem sempre são satisfatórias porque sabem apenas a "algo melhor do que nada". Será que é aí que está a piada disso tudo? O facto de não sabermos e queremos descobrir? De onde viemos, para onde vamos, que influência real temos nós no nosso percurso de vida que supostamente é definido pelas nossas acções e em circunstâncias que nem sempre as recordamos como momentos que foram tão decisivos como depois, mais tarde, nos apercebemos que o foram? Essas são só algumas das questões que encontramos no filme "The Tree of Life". Certamente haverão opiniões que vão contra o que lá é sugerido, mas a ciência diz-nos de uma forma, a religião pode dizer-nos de outra, mas apesar de todas as vertentes, não se pode dizer que não haja um pouco de tudo, afinal de contas há coisas que nem mesmo a ciência mais avançada dos nossos dias é capaz de explicar. Quem já viu o filme saberá que a componente musical e visual são fundamentais no seu objectivos que é positivamente cumprido transportando-nos para uma atmosfera ou ambiente de reflexão ou se simples observação, como se estivéssemos num amplo local escuro onde apenas existiam aquelas imagens à nossa volta. A juntar a isso ainda temos a componente humana e os seus sentimentos e complexas formas de ligação que culminam naquilo a que chamamos família.
Sábado, 3 de Setembro de 2011
Talvez um amigo...
Conhecia-te pouco mais do que "de vista", mas mesmo assim, com base no que me fora possível conhecer através da observação e de interacções, mesmo que indirectas, não posso deixar de demonstrar tristeza pela tua escolha e agora ausência. Todos nós temos uma maneira de ver e de estar no mundo e nem todos lidamos com os problemas da mesma forma. Quando os problemas parecem acumular-se e sem solução que os elimine, é preciso muita coragem e força para continuar a acreditar que é possível superá-los. No entanto sei que fazer isso sozinho ainda é mais difícil e infelizmente a solidão, a timidez, podem ser factores que não ajudam nada nessas situações e podem dar origem às piores decisões. Talvez um amigo, um verdadeiro amigo ou um amigo verdadeiro, pudesse ter sido suficiente para hoje não ter motivos para estar aqui a escrever essas palavras de tristeza. Mas sei que esse tipo de amigos não abundam, pois apesar de nos dias de hoje haver muitas formas de as pessoas se interligarem, poucas são aquelas que dão origem a amizades sólidas.
Infelizmente o tempo não volta atrás e resta-nos apenas desejar-te uma boa viagem, que as inquietações dos últimos tempos tenham sido lavadas pelas águas (que outrora dizem ter sido originadas por lágrimas de amor) e que onde quer que estejas, encontres a paz e que tudo seja mais fácil do que supostamente estaria a ser para ti durante esta tua passagem pela nossa terra, e que sonhes com as paisagens que decidiste levar no coração.
É revoltante e triste ter conhecimento de situações em que descobrimos que as pessoas sofrem em silêncio e que é tarde demais para fazer algo que pudesse mudar os factos. Com medo e vergonha de abordar as outras pessoas com os nossos problemas, muitas vezes devidos a estigmas sociais, criamos dentro de nós raizes que se apoderam de nós lentamente, consumindo-nos gradualmente até chegar a um ponto em que só existe um vazio. Mediante a infinidade de razões que fazem parte das preocupações de todos nós, era bom que todos pudessemos ter a capacidade de tentar, e claro, conseguir, ter alguém que nos ajude...verdadeiramente!
Sábado, 6 de Agosto de 2011
Por agora...
Somos fragmentos de um todo que se complementam, ou que se deviam complementar, peças de uma máquina que facilmente pode avariar se uma dessas peças estiver avariada, danificada. Uma avaria que pode sobrecarregar a restante maquinaria dando origem a outras avarias, até que chegará o ponto em que já não há reparação possível.
Há tanta coisa que gostaria de reparar e vou para longe em pensamentos que não me levam a lado nenhum, a nenhuma resolução, a nenhuma solução e sei que o nosso melhor amigo, e também muitas vezes inimigo [o tempo] não pára, não nos dá tréguas. Como uma parte de um todo, é difícil ter em mim a energia, e todos os outros atributos, de todas as partes. Há coisas que sozinhos não somos capazes de resolver, por mais vontade que haja no nosso coração. Vamos balançando entre o desespero e a esperança, uns dias mais perto de um lado, outros dias mais perto do outro lado, na tentativa de estabelecer o equilíbrio que nos permite continuar nesta caminhada desconhecida, nesta etapa atribulada e desgastante. Mas é a vida, é a vida por agora e é essa que se tem de viver...
Há tanta coisa que gostaria de reparar e vou para longe em pensamentos que não me levam a lado nenhum, a nenhuma resolução, a nenhuma solução e sei que o nosso melhor amigo, e também muitas vezes inimigo [o tempo] não pára, não nos dá tréguas. Como uma parte de um todo, é difícil ter em mim a energia, e todos os outros atributos, de todas as partes. Há coisas que sozinhos não somos capazes de resolver, por mais vontade que haja no nosso coração. Vamos balançando entre o desespero e a esperança, uns dias mais perto de um lado, outros dias mais perto do outro lado, na tentativa de estabelecer o equilíbrio que nos permite continuar nesta caminhada desconhecida, nesta etapa atribulada e desgastante. Mas é a vida, é a vida por agora e é essa que se tem de viver...
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