sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

Memorável 5 de Setembro

Hás dias que passam e não nos deixam nada de especial, deixam-nos indiferentes, como se tivéssemos um monte de areia que se esvazia entre os nossos dedos, restando apenas uma mão vazia. No entanto, existem também dias que são memoráveis. Geralmente associo essa palavra [memorável] para algo ou para aqueles dias que são diferentes e especiais por significarem alguma coisa, alguma coisa positiva que dali em diante passa a fazer parte do típico baú das memórias que muitos de nós gostamos de evocar com alguma frequência. Infelizmente este 5 de Setembro não foi efectivamente um dia positivo e será recordado (espero que poucas vezes ... embora já saiba que esse será quase de certeza um desafio perdido por natureza) por motivos tristes que acabam por ser como um estaca bem afincada no chão a definir um marco, um carimbo que guarda uma data, um acontecimento registado na ficha da vida!

Uma chama que se ergue lentamente, que tenta iluminar-se a si própria e que, ao fazer isso, mesmo sem saber, já está a iluminar um espaço muito mais infinito, um espaço que ultrapassa a si própria. Mas a sua fragilidade pode ditar o facto de estar comprometida e a sua capacidade de resistir às condições adversas das intempéries causadas por motivos muitas vezes imperceptíveis. Uma brisa, mesmo leve como um sopro suave, poderá ser o seu último suspiro, o seu último fôlego, a sua última réstia de luz que dita o destino da sua existência, dando lugar a uma escuridão desassossegada, difícil de aceitar.
Gosto da noite, da sua calmaria, mas estar agora diante dela sem a mais pequena luz, faz-me sentir fracassado e desnorteado. Sei que, apesar de a luz se ter apagado, o caminho continua a existir como sempre existiu e também sei que a solução é sermos fortes o suficiente para acender novamente esta chama que se apagou de forma a podermos seguir em frente, passo a passo, pensar que o que de mal nos é oferecido o presente, pode ser o bem que o futuro há-de trazer e que apesar de ter sido um dia menos bom, é necessário pensar que há situações ainda piores.

E porque algumas das seguintes imagens podem dizer muita coisa, deixo aqui o final de um dos episódios desta série, final esse que por ter sido visto na altura em que foi, tornou-se mais marcante.


quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Peace of Mind

Tal como muitas outras pessoas, tomei conhecimento desta música (Peace of Mind da banda The Jezabels) aquando do final da série televisiva The Killing. Foi certamente uma boa escolha musical para encerrar esta série que teve os seus altos e baixos, mas que no geral, teve para mim um balanço positivo, não sendo apenas superficial, sabendo lidar com as situações que envolvem pessoas e suas respectivas personalidades (demonstrando as suas melhores qualidades e piores defeitos), mostrando que não é fácil estar sempre engrenado nesse conjunto peças que formam uma máquina gigantesca chamada sociedade.

Estas minhas palavras não se devem somente ao facto de querer mencionar como conheci esta música ou para a deixar aqui no meu blog, mas também ao facto da sonoridade melancólica/ triste desta música ter-me feito navegar em águas dotadas de tons cinzento-azulados que me embalaram numa série de pensamentos revestidos de memórias e perspectivas de possíveis futuras situações que desejava imenso que estivesse mesmo bastante longe de serem uma possibilidade viável na vida de certas pessoas próximas de mim, o que por conseguinte significa que são também uma possibilidade para mim.

Muitas são as vezes e as formas em que me revejo como alguém que precisa de algumas instruções de forma a aprender a jogar segundo as regras do jogo, segundo os mecanismos da tal grande máquina, não ser um entrave, não ser uma avaria. Quero aprender as regras, mas por vezes surge uma certa aversão às mesmas e nesses momentos as repetições tornam tudo tão estúpido, sem sentido, desinteressante e monótono.

Tudo isto gera uma tempestade que dificulta a conquista do um estado de espírito descrito como "Peace of Mind", estado esse que sabe bem e nos incentiva a seguir em frente e ver o futuro com outros olhos, com uma esperança renovada...


terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Antes sozinho que ...


Se estar sozinho pode por vezes causar uma sensação de ansiedade ou até mesmo um certo tipo de claustrofobia, estar na companhia de outras pessoas e simplesmente não ter(em) nada que dizer uma(s) à(s) outra(s) é capaz de ter o mesmo efeito ou até ser ainda pior, pois aquele silêncio parece crescer como um bicho papão e dentro da nossa cabeça existe uma espécie de cronómetro em contagem decrescente enquanto tentamos encontrar palavras para afastar o tal monstro que nos cerca como uma enorme nuvem de fumo negra.    

sábado, 28 de Junho de 2014

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Por vezes sinto que tenho dificuldades em parar uma avalanche de ideias que supostamente deveriam ser bem vindas, contudo o que sinto na realidade é a frustração de não conseguir fazer grande coisa com essas ideias, elas acabam por se atropelar umas às outras não deixando nenhuma germinar ou dar os frutos que devia dar. Tento pegar nalguma ideia que tenha sobrevivido ao reboliço mas ou ela já está desenquadrada ou então já está demasiado deformada para poder ser utilizada.
Se calhar é algo a dizer-me que esse caminho que tento trilhar não é um caminho que seja para mim. É óbvio que somente eu posso lutar e esforçar-me para desbravar esse caminho, mas ultimamente a frustração tem levado a sua avante e tenho andado à luta com uma tela que teima em querer ficar em branco...literalmente!



segunda-feira, 23 de Junho de 2014

Schopenhauer e a vida | filme Chinese Puzzle | For 12 dos Other Lives

Em jeito de partilha num blog de um amigo, tomei conhecimento do filme "Quebra Cabeças Chinês" ou "Chinese Puzzle" que é a continuação de uma história iniciada com o filme "Residência Espanhola" e continuada em "Bonecas Russas". Como já me tinha sido dito que o filme era bom e valia a pena ser visto, já sabia que não iria ser tempo perdido e não foi. É um filme que se recomenda a quem tenha visto os outros 2 filmes ou não, pois sério e divertido ao mesmo tempo, descrevendo, analisando e brincando com aquilo que é a vida, dando-nos ao mesmo tempo uma imagem de Nova Iorque mais realista (ou pelo menos diferente) do que aquela que se vê na maioria dos filmes onde o essencial se resume à espectacularidade do Times Square.

Para além querer deixar aqui essa referência ao filme, outro dos motivos que me levou a querer deixar aqui este post, foi uma engraçada analogia que aparece no filme relativamente à vida, sendo essa uma analogia da autoria de Schopenhauer:

"A vida pode ser comparada a um bordado que no começo da vida vemos pelo lado direito e, no final, pelo avesso. O avesso não é tão bonito, mas é mais esclarecedor, pois deixa ver como são dados os pontos". 



(imagens do filme)
Outro aspecto curioso, e digo curioso porque é daquelas pequenas surpresas ou coincidências que surgem do nada, foi o facto de há dias atrás ter dado com a música "For 12" da banda Other Lives e de repente no filme começam a surgir uns acordes iniciais que me estavam a soar familiares e é então que começa a dar aquela música! (pena que no filme tenha-se ouvido apenas uns breves segundos da música em questão)



sábado, 31 de Maio de 2014

Noah Gordon - O Físico (ou o Médico)


Físico era supostamente o nome que davam antes (nesse caso no século 11) àqueles que hoje conhecemos como médicos. Este livro de Noah Gordon, para além de nos dar uma lição sobre o judaísmo, faz-nos ver como era complicado o campo da medicina naquele tempo. É quase impossível não fazer a comparação entre o antes e o agora e chegarmos à conclusão que aquilo que hoje em dia já são capazes de fazer, representa uma diferença abismal comparativamente com a medicina daquele tempo. Mas como tudo na vida, trata-se da evolução, e felizmente o Homem soube (e espero que saiba ainda mais no futuro) dar primazia às coisas que possam contribuir para a capacidade de viver e persistência da humanidade, não desperdiçando assim a sua existência com a investigação de coisas que só contribuem para o oposto disso como é o caso da pobreza, a fome, a guerra, a morte, etc.
Mas voltando ao tópico deste post, que tem como objectivo relembrar este livro de Noah Gordon que tive o prazer de ler há já algum tempo. Infelizmente nunca consegui encontrar mais nenhum dos outros 2 livros que dão continuidade ao primeiro, formando assim uma trilogia. 
Quem gostou do livro irá certamente gostar do filme que foi feito recentemente acerca do mesmo. Antes de ver o filme já suspeitava que iria ser difícil conseguirem transportar para o filme tudo o que o livro oferece, contudo posso dizer que o filme não deixa de ser bom (quer tenham lido o livro ou não) e consegue, dentro do possível, transmitir a essência do livro. Será que vai haver as sequelas? Não me parece, mas era bom que houvesse.


sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Restaurant Blast

Existem músicas que não sabemos explicar bem porque é que mal as ouvimos, ficam logo presas em nós. É o caso desta música dos Windmill (banda esta que há já bastante tempo me foi dada a conhecer por um amigo ... que por sinal tem um bom gosto musical) e que se chama "Restaurant Blast" (do último album lançado pela banda: Above Du­ffle Farm). Infelizmente algumas das músicas que tenho ouvido desta banda, soam-me talvez um pouco repetitivas e por isso nem todas conseguem despertar em mim o mesmo interesse, mas isso acaba por ser quase normal, pois não somos obrigados a gostar de todas as músicas que um cantor ou banda manda cá para fora. Aquelas que me agradam e que são únicas compensam pelas outras.
Algumas músicas dizem-nos muito devido à sua letra que faz com que nos identifiquemos com ela, mas esta aqui, é quase como se fosse uma pintura abstracta que, envolta numa aleatoriedade, e aliada às matizes dos murmúrios e ao semi-choro, faz-me escutá-la vezes sem conta, mesmo que não me sinta especialmente triste ou algo do género.


quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Maldito Karma



Maldito Karma é o título de um dos livros de David Safier, autor esse que desconhecia até ter lido este livro. Não é que um livro seja suficiente para se conhecer um autor, mas pelo menos já nos dá uma ideia acerca do que se pode esperar ou de como é a escrita do mesmo. 
E se no início da leitura de Maldito Karma eu estava meio reticente quanto a este livro (não que isso se devesse a más opiniões acerca do mesmo, pois geralmente é um livro que agrada a maioria dos seus leitores), a certa altura dei por mim e já se tinha tornado um livro que tinha de ser lido de uma ponta à outra, sobretudo devido à sua vertente cómica entrelaçada numa escrita eficaz e perspicaz. É obviamente um livro que, devido à sua faceta de ficção, tem de ser lido com "uma mente aberta" e não gradeada a ferros pela realidade, pois só assim se irá conseguir tirar partido do seu prazer de leitura. No meio da comédia e da ficção/fantasia (aqui apresentada sob a possibilidade de se encarnar/ressuscitar no corpo de outro ser vivo e por diversas vezes, sendo na sua maioria animais e alguns deles quase insignificantes conforme a perspectiva) são apresentados temas ou situações que nos fazem pensar na vida, na condição humana e nas nossas acções e atitudes para connosco e para com os outros.

Alinhamos também na história porque nós, ou a maior parte de nós, já pensou certamente como seria se houvesse a possibilidade de nos transformarmos em seres minúsculos, podendo estar presentes em certas situações/ocasiões sem que a nossa presença fosse perceptível aos outros. Obviamente seria mais vantajoso se pudéssemos fazer uso de todas as nossas faculdades enquanto seres humanos, pois isso de ser minúsculo e ter apenas as características de um insecto ou de outro animal minúsculo, indefeso e frágil, é um desafio mais complicado e possivelmente inglorioso. Não é que enquanto seres humanos não possamos sentir a nossa fragilidade e encontrar os nossos próprios problemas, quer estes sejam justificados ou não, mas afinal quais são as hipóteses de sobrevivência de uma formiga num mundo agreste?!

segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Invisibilidade aos olhos dos outros

Se há coisas que me irritam, ou melhor, que me deixam de certa forma apreensivo ou desiludido, é quando alguém que, apesar de já não nos vermos ou convivermos há relativamente bastante tempo, passa por nós e finge que não nos conhece.
Não seria minha intenção parar a pessoa em questão e fazer um interrogatório para saber a vida dela do dia x até à actualidade, mas um simples aceno ou um cumprimento  (aquela pergunta que é pergunta mas no fundo serve quase exclusivamente de cumprimento "do género: Olá, tudo bem?") seria sempre mais bem vindo. 
Tratando-se de uma pessoa com quem poucas vezes tivemos oportunidade de falar ou de nos cruzar, até se entende que essa pessoa fique na dúvida se há de nos cumprimentar ao cruzar-se connosco na rua, mas sendo alguém que se conhece (ou conhecia) mais do que isso, não é agradável. Não foi coisa que me ocupasse a mente por muito tempo, mas por acaso lembrei-me novamente da situação. Penso que se me acontecesse o mesmo com outras pessoas, iria-me sentir muito pior.  
Por outro lado tento compreender que há alturas em que se calhar não estamos muito virados para ter que estar a falar com pessoas que já não nos dizem nada ou quase nada, e creio que para aquela pessoa eu devo ser uma coisa do género...uma pessoa como tantas outras que passam na rua e que são vistas como peões ou cidadãos da sociedade, que servem para dar a ilusão de ruas movimentadas.



quarta-feira, 14 de Maio de 2014

Cidades de Papel



É o título do 2º livro de John Green que tive oportunidade de ler. Não valerá a pena comparar ao "A Culpa é das Estrelas" por se tratar de livros diferentes, mesmo tendo aspectos em comum. Ao passo que esse último ["A Culpa é das Estrelas"] centra-se mais numa história de amor quase condenada, em "As Cidades de Papel" há talvez um maior destaque para a amizade em geral e a forma como as pessoas se relacionam, fazendo de certa forma uma crítica à sociedade moderna constituída em grande parte por "pessoas de papel".

Na história deste livro acompanhamos um grupo de amigos, estudantes a finalizar o liceu que preparam essa mesma fase das suas vidas já com algumas perspectivas para o que possa vir depois disso. Entretanto acabam por se ver envolvidos numa busca por uma pessoa (colega de escola ou amiga, tudo depende do que se entende por 'amiga') que desaparece ou decide desaparecer. Esse desaparecimento, voluntário ou talvez não, levanta uma série de questões (sobretudo ao personagem principal - Quentin ou simplesmente 'Q.') que põem em causa o significado de várias coisas fazendo com que a busca pela pessoa desaparecida seja também uma busca por respostas e uma auto-aprendizagem sobre o "quem sou eu" perante os outros e vice-versa.

Uma das conclusões apresentadas e que não me passou ao lado foi o facto de por vezes termos a tendência de ignorar, ou simplesmente desligar-nos, de certas pessoas porque já efectuamos o nosso julgamento daquela pessoa e, segundo os nossos critérios, ela não foi aprovada por não corresponder às nossas expectativas porque, como acontece no livro, procuramos talvez pessoas perfeitas, sem defeitos, que sejam aquilo o que esperamos delas, não dando assim espaço, nem tempo, para um verdadeiro conhecimento da pessoa como ela é na realidade. Ou seja, e resumindo, não podemos exigir que as pessoas sejam o que queremos que elas sejam, mas sim o que elas são e tentarmos conviver e interagir com o próximo tendo isso em mente, tentando ao mesmo tempo que aquela pessoa também nos aceite tal como somos, fazendo um lugar não só para as nossas qualidades, mas também para os nossos aspectos menos positivos ou virtuosos.  

Alguns pequenos excertos ou frases do livro...

"Você sabia que na maior parte de toda a história da humanidade a esperança média de vida foi inferior a trinta anos?... Não havia planos. Não havia tempo para planear. Não havia tempo para o futuro. Mas depois a esperança de vida começou a aumentar e as pessoas começaram a ter mais e mais futuro e a passar mais tempo pensando nele. No futuro. E agora a vida tornou-se o futuro. Todos os momentos da vida são vividos no futuro: Frequentas a escola para entrar na faculdade para arranjar um bom emprego para comprar uma boa casa e mandar os filhos para a faculdade para que eles consigam encontrar um bom emprego para comprarem uma boa casa para mandar os filhos para a faculdade."

"Em algum momento tu precisas deixar de olhar para o céu, ou um belo dia, quando olhares novamente para baixo, vais-te dar conta que também saíste flutuando por aí."

"Gosto dos fios [a propósito de uma das personagens dizer que o seu interior pode estar seguro ou composto devido aos fios que lá existem]. Sempre gostei. Porque é exactamente assim que eu me sinto. No entanto, acho que eles fazem a dor parecer mais fatal do que realmente é. Não somos tão frágeis quanto os fios nos fariam acreditar. E gosto da relva também. Foi ela que me trouxe até ti, que me ajudou a imaginá-lo como uma pessoa de verdade. Mas não somos rebentos da mesma planta. Eu não consigo ser tu. Tu não consegues ser eu. Por mais que tu imagines o outro, nunca o imaginarás com perfeição, não é?"

"Talvez seja mais como disseste antes, rachaduras em todos nós.Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova de água. Mas as coisas vão acontecendo. As pessoas se vão,  ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos... e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável.... Mas ainda há um período entre o momento em que as rachaduras começam a abrir-se e o momento em que nós nos rompemos por completo. É nesse intervalo que nós nos conseguimos perceber uns aos outros, porque vemos além de nós próprios, através das nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das rachaduras deles."

Já li algumas comparações que tentam exprimir ou demonstrar de algum modo o "prazer da leitura", mas a que li nesse livro ainda não conhecia e não podia deixar de reparar nela (mesmo que ela tente em primeira mão demonstrar o prazer de outra coisa):
"Eu queria interromper o xixi, mas é claro que não consegui. Urinar é como ler um bom livro: é muito, muito difícil parar depois de se começar."