sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Luz Insubmissa II - Paulo Damião

"A Luz Insubmissa II" é a mais recente exposição de pintura (em terras Açorianas) do artista Micaelense Paulo Damião, e que teve lugar em Ponta Delgada.

Foi obviamente com agrado que tive oportunidade de apreciar pessoalmente este novo conjunto de obras que compõem esta exposição. Conheci as obras deste artista quando da presença de uma outra exposição dele na ilha de São Miguel e já lá vão mais de 7 anos!!! Na altura registei aqui no blog algo sobre a referida exposição e sabe bem poder voltar atrás e encontrar esta referência.

http://fragmentosrepartidos.blogspot.pt/2007/06/no-abismo-secreto-do-peito.html

Este novo grupo de trabalhos surge de certa forma no seguimento dos trabalhos anteriores e apesar de se notar uma grande evolução (embora em termos artísticos esse termo"evolução" possa ser muito relativo, pois o artista pode simplesmente expressar-se de formas diferentes não querendo com isto dizer que os trabalhos sejam obrigatoriamente melhores agora do que eram antes), através de certos detalhes, podemos contemplar novamente uma série de personagens enigmáticas que olham muitas vezes para nós na esperança de lhes dizermos o que fazer, olham-nos nos olhos com um olhar sincero, mas que, apesar de ser um olhar verdadeiro, deixa-nos ao mesmo tempo inseguros porque, tal como as personagens, sentimo-nos observados, indecisos, desprovidos de um contexto e de um fio condutor que nos permita decidir o que lhes dizer, que nos permita saber como retribuir-lhes o olhar, pois alguns deles conseguem mesmo desafiar-nos porque já estão ali a aguardar por nós há tanto tempo que já se sentem confortáveis no meio daquela neblina característica daqueles mundos aquosos. Teremos uma reposta para eles ou seremos nós a esperar uma resposta deles?!

É certamente um conjunto de obras que nos prendem e que pedem a nossa observação atenta, pedem o nosso olhar como forma de comunicação, de interacção, não sendo possível, pelo menos na minha opinião, passar por estas personagens e ficar indiferente.






A seguinte música, que por acaso ouvi hoje (diga-se de passagem que não é o tipo de música ou idioma de música que costumo ouvir), tem certos ingredientes que vão ao encontro de algumas das telas presentes na exposições, embora reconheça que em certas partes da música, o ritmo presente não seja o mais apropriado, pedindo outro tipo de música.







segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A Rapariga com Pés de Vidro


Este é o titulo do livro que acabei de ler muito recentemente do autor Ali Shaw (que desconhecia e que pelos vistos ainda está no início de carreira, tendo por agora mais um livro para além deste editado em Portugal. O novo livro tem como título "O Homem que Chovia" e não sabemos quando será editado em Português).
Neste livro ("A Rapariga com Pés de Vidro") somos transportados para um arquipélago imaginário (Terra de Santo Hauda) que tem uma mistura entre o surreal e o real, sendo as ilhas desse arquipélago aparentemente já desenvolvidas em vários aspectos, contudo parece-me que a história tanto se pode passar nos dias de hoje como num tempo anterior, onde certas tecnologias (as normais de hoje em dia, nada de excêntrico) não precisavam de existir, pois não interferem significativamente na história.
Em termos gerais fiquei com a sensação de que se tratou de um livro que soube a pouco na medida em que são apresentados alguns elementos ao longo do livro (desde logo a particularidade de alguém pode estar a transformar-se em vidro, alguns animais híbridos e de dimensões minúsculas comparando com as suas supostas dimensões reais, seres estranhos com  capacidades igualmente estranhas e misteriosas, etc) que acabam por ficar quase apenas sugeridos, brevemente apresentados, sem que nos seja dada qualquer justificação ou razão de ser. Sei que é importante ficarem coisas em aberto para dar-mos uso à nossa imaginação e ficar assim ao nosso critério de cada um o que possam ser ou significar tais elementos no livro e na história em si, mas mesmo assim, sou da opinião que o livro podia ter mais conteúdo nesse aspecto.
A escrita em si é boa e somos presenteados com passagens muito bem escritas e que merecem ser relidas, descrevendo-nos muito bem certas situações ou locais onde a história está a decorrer, história essa que é composta por algumas personagens e suas relações, parte delas amorosas, e que, tirando as duas personagens principais, essas relações podiam variar mais um pouco já que acabamos por ficar um pouco "confusos" com algumas separações e relacionamentos que não deram certo devido, em parte, ao facto de existir mais alguém nas ditas relações. 
A história central do livro é obviamente a peculiaridade da rapariga se estar a transformar gradualmente em vidro, situação essa que é surreal, mas que no mundo real, pode ser entendida como uma doença que possa ter cura ou não, como um cancro por exemplo...e então surge uma breve aventura relacionada com essa doença até que chegamos ao final e resta-nos saber se esta aventura foi bem sucedida ou não, sendo inevitável ao longo desse percurso não analisar os situações como o sentimento de perda, angústia e solidão que possa advir na eventualidade do desfecho não ser positivo...mas há que manter a esperança.

"Ali perto flutuava um grupo de cerca de uma centena de alforrecas do tamanho de uma lanterna....uma faísca amarela se acendeu momentaneamente no corpo de uma. Tinha sido uma centelha de luz como numa lâmpada defeituosa. Uma segunda faísca tremeluziu numa outra alforreca, desta vez uma centelha cor-de-rosa. Mais ao fundo outra iluminou-se, vermelha como um coágulo de sangue....
Outra alforreca faiscou e permaneceu acesa. Uma chama amarela a flutuar na água. A sua emanação acendeu as luzes das suas vizinhas. Os seus corpos faiscavam, e as faíscas transformaram-se num brilho constante: amarelo, rosa, vermelho e azul. O efeito ricocheteou lentamente por toda a enseada até a água ser um brilho multicolor....
Imaginou-se a viver no meio do nada, apenas os dois sozinhos, e isso tranquilizou a sua mente, como se todas as preocupações que normalmente continha pudessem ser mantidas à distância meramente com a ideia, Sentia-se sereno, apoiado na balaustrada, absorvendo a visão do mar incandescente. Permaneceram assim, lado a lado, os rostos iluminados pelo brilho da água..."

A seguinte música podia de certa forma servir de banda sonora para esta história e até que o videoclip se enquadra parcialmente no ambiente que encontramos no livro.



Abaixo deixo algumas ilustrações do autor do livro que mostram os seres que podemos encontrar na Terra de Santo Hauda....Gostei dos desenhos em si como das próprias ideias!











domingo, 9 de novembro de 2014

Felicidade - Happiness

Hoje, numa breve sessão de zapping, uma das questões nas notícias estava relacionada com o que era a felicidade.
Concordei com diversas respostas que foram dadas, sendo que a destacar está aquela que menciona que para estarmos felizes é necessário sabermos que as pessoas que são importantes para nós ( sobretudo a nossa família e amigos mais chegados), também estão bem. Isso é sem qualquer dúvida uma verdade e no seguimento dessa linha de pensamento está o meu post anterior aqui no blog.
A felicidade é feito de pequenos momentos, pequenos momentos onde várias coisas convergem naqueles instantes e há que conseguir aproveitar esses momentos, pois não sabemos o dia de amanhã. Muitos de nós gostavam de ser capazes de viver o presente como se não houvesse amanhã, mas infelizmente as coisas não são assim tão simples ou lineares. Felicito quem tem essa capacidade, a capacidade de conseguir viver a vida com um constante sorriso na cara e trazer sempre consigo uma palavra positiva, ou pelo menos verdadeira, a transmitir. Creio que, devido a estas palavras e outras presentes aqui no meu blog, não sou o tipo de pessoa que se podia encaixar nesse grupo, contudo, também tento não ser um elemento do grupo oposto, pois sempre que posso mostro-me disponível para tentar apoiar o próximo da forma que me for possível, nem que seja apenas saber ouvir, sem ouvidos de mercador.

domingo, 2 de novembro de 2014

Volcano


Um estado latente de determinadas situações que se podem dar por adormecidas (ou como se costuma dizer, em banho-maria ou em águas de bacalhau), para mais tarde darem de si, e virem ao de cima com toda a sua pujança. É uma dualidade intermitente, pois ora tanto nos aclama como nos aflige e é como se tivéssemos um interruptor conectado à memória que por momentos desliga o fúsivel que nos liga directamente às memórias relacionadas com determinados problemas e durante essa fase OFF conseguimos sentir alguma abstracção e estar longe dos inconvenientes, estar longe do manto de lava que vai fervendo lentamente, escondido no interior da terra como se nem existisse. Está lá e não está. Contudo, é sem mais nem menos [regra geral] que algo activa novamente o tal interruptor colocando-o na posição ON, fazendo como que o vulcão, como por magia, se transformasse numa estrutura translúcida, desde a sua câmara magmática até à sua cratera, permitindo vermos o magma  com vontade de se transformar em lava, causando em nós uma sensação de desconforto, uma inquietude que não é nem mais nem menos do que uma preocupação constante, um aviso, um alerta que, em vez de nos deixar preparados para o que possa vir, deixa-nos com mais dúvidas e preocupações porque sabemos que o vulcão pode entrar em erupção e quando isso acontecer será um período atribulado e difícil, pois mesmo que a lava arrefeça e se transforme, nada será como antes, as consequências serão visíveis.  

terça-feira, 21 de outubro de 2014

As pessoas que gosto



As pessoas que gosto...ora bem, eis uma boa pergunta.
Se calhar opto por deixar as palavras dessa resposta para outro post mais conveniente e por agora vou antes dar algumas indicações do tipo de pessoas ou do tipo de comportamentos que algumas pessoas têm e que não me agradam. Posso até simpatizar com a(s) pessoa(s) às quais possa servir a barreta, mas certas atitudes simplesmente são sinónimo de desagrado perante tal pessoa e é como um vidro quebrado... podemos colá-lo/repará-lo, mas nunca mais será o mesmo.

Portanto, desagrada-me ...

... a atitude da pessoa que acha que sabe tudo sobre tudo e mais alguma coisa e, mais grave ainda, apesar de pensar que é dono da sabedoria e inteligência desse mundo todo, não dá a possibilidade às outras pessoas de demonstrarem a sua opinião ou ponto de vista porque desde o início já estava convencida que a sua perspectiva era a única correcta e possível!
... a atitude da pessoa que se sobrevaloriza não demonstrando qualquer sinal de humildade;
... a atitude da pessoa que pode nem saber o que está a dizer e mesmo assim não tem qualquer problema em abrir a boca para deixar sair uma enxurrada de asneiras que se atropelam umas às outras e no final, ainda se sente orgulhoso de ter proferido tais lacunas, achando-se grandioso, poderoso, esperto e decidido;
... a pessoa que gosta muito de dizer que sabe e que faz e que manda fazer, mas que no entanto, quando chega à hora da verdade, não se vê nada feito, pode até mandar fazer e as coisas aparecerem feitas, mas qualquer um com possibilidade de mandar nos outros poderia tê-lo feito (e não que eu seja contra o facto de algumas pessoas terem de fazer tarefas a pedido ou mandato de outras pessoas desde que isso seja algo baseado numa relação de respeito e cooperação);
... a pessoa que na tua presença se comporta de determinada maneira, mas que na presença de outras pessoas, parece que se transforma noutro tipo de pessoa, fazendo com que aquilo que digas ou que pensas (e que outrora era do consenso dessa pessoa que posso chamar de pessoa camaleão) é errado ou absurdo porque as outras pessoas que estão presentes podem julgá-la de outra forma pelo facto de ela estar de acordo contigo;

...enfim, certamente não faltaria mais situações que pudesse aqui deixar, contudo, também tenho a noção que eu próprio terei a minha conta de "defeitos" que poderiam compor eventualmente a listagem de outras pessoas, contudo isso não me aflige porque reconheço que respeito quem me rodeia e quem está de alguma forma relacionado comigo e em jeito de pequeno regra ou princípio, trata-se de simplesmente não fazer aos outros aquilo que não quero que façam a mim próprio.



sábado, 18 de outubro de 2014

P. Genius

Foi ao acaso que me deparei com uma música desta banda ou deste artista, cujo semblante, diga-se de passagem, mete alguma impressão quando não se está habituado, pois facilmente se vê ao seu lado mais efeminado e 
para a maioria das pessoas, o estímulo deve ser logo pensar que se trata de músicas para pessoas com problemas de orientação sexual, pois inclusive parte das letras das suas músicas (e pelos vistos alguns videoclips) estão relacionadas com a vida e orientação sexual do cantor. Creio que muita gente não ouvirá as suas músicas devido a esse facto, contudo, aqueles que conseguirem ultrapassar isso e souberem dar primazia ao que determinadas músicas conseguem exprimir, não apenas pela sua letra, mas também pela sua sonoridade e afins, terão músicas que não se ouvem apenas uma vez mesmo que não nos identifiquemos com grande parte das coisas que possam ser ditas nas suas músicas. De referir que essa identificação também não é sempre essencial para gostarmos de uma música uma vez que muitas vezes o mais importante é o que elas exprimem e tenha-se como exemplo Sigur Ros...não percebemos nada (ou quase nada) do que eles dizem e no entanto têm músicas fantásticas, mesmo que se traduzidas não dissessem o que realmente elas nos fazem sentir. Tendo em conta esse aspecto, há também outras músicas... aquelas que para além de terem letras que podem dizer muita coisa para a generalidade das pessoas, são cantadas ou interpretadas de forma única ou pelo menos da forma aparentemente certa para as músicas que são.

Algumas músicas que merecem a pena serem ouvidas do álbum "Too Bright" e do álbum "Put your back in 2 it"...

"No Good"

There's no genuine
There's no safe place
For the heart to hang
When the body's no good

Am I meant to fray the end?
On the outside looking in
All used up
Never used enough

To me love was
Always infinite
Stolen moment
At a time

A feeling only out
For a little while
And then ripped from your arms
Like a child

I carry their names
The secret shapes
And an aching parade
Around my heart

Traced in the park
Now lying in chalk
Where I took his hand in mine
For a little while, everything was alright


"Don't Let Them In"

Don't let them in
I am too tired
To hold myself carefully
And wink when they circle
The fact that I'm trapped
In this body

Don't let them in
I have my own dreams
About that couple

In an alternate ribbon of time
My dances were sacred
And my lisp was evidence
That I spoke for
Both spirits

Don't let them in
They’re well intended
But each comment rattles some deep
Ancient queen


"All Along"

What drives me to my man?
Earthly or divine or otherwise
Is no business of mine

You wasted my time

Deep down I never did feel right
Even now sometimes
That feeling is a lie

You wasted my time

A heart long desperate
For just a little bit
A heart long desperate
For something I had all along

I don't need your love
I don't need you to understand
I need you to listen


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Apesar de não colocar aqui as letras das músicas Queen, Fool, Grid e Too Bright, também estas devem ser ouvidas...
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"The Normal song"

Hold my hand
I am afraid
Please pray for me
When I am away

Comfort the girl
Help her understand
No memory
No matter how sad
And no violence 
No matter how bad
Can darken the heart
Or tear it apart

Take my hand
When you are scared
And I will pray
If you go back out there
Comfort the man
Help him understand
That no floating sheet
No matter how haunting
And no secret 
No matter how nasty
Can poison your voice
Or keep you from joy

"Hood"

You would never call me baby
If you knew me truly
Oh, but I waited so long for your love
I am scared baby that I can't keep it up for long

Oh, I wish I grew up the second I first held you in my arms
Underneath this hood you kiss, I tick like a bomb

You would never call me baby
If you knew me truly
Oh, but I waited so long for your love
I will fight baby not to do wrong

"No Tear"

Roof comes down
And you leave me with nothing, I
I will shed no tear (will shed no tear)
Earth gives way
You leave me hanging, I
I will shed no tear (will shed no tear)

Baby, the feeling will bloom 
With or without you
And the core, it will turn
with or without you

And I will carry on
I will carry on
With grace
Zero tears on my face (zero tears on my face)



"Dark Parts"

The hands of God were bigger than Grandpa's eyes
But still he broke the elastic on your waist

But he'll never break you, baby
But he'll never break you, baby

The hands of God were bigger than Grandpa's eyes
But he's long gone

The love you feel is strong
The love you feel is stronger

I will take the dark part
of your heart into my heart
I will take the dark part
of your heart into my heart

"All Waters"

When all waters still
And flowers cover the earth
When no tree's shivering
And the dust settles in the desert

When I can take your hand
On any crowded street
And hold you close to me
With no hesitating




quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Mar de Papoilas - Amitav Gosh


"Mar de Papoilas" de Amitav Gosh, não é à primeira "vista" um livro muito fácil de se ler, pois ainda demora algum tempo até nos sentirmos embrulhados na história, até sentirmos que conhecemos minimamente as personagens que habitam este livro e além disso, para "desajudar", é necessário consultarmos frequentemente o glossário que existe no final do livro caso queiramos perceber algumas das palavras/termos escritos na sua língua original e que surgem com bastante frequência durante todo o livro. Alguns deles ficam na memória (aqueles que surgem com mais frequência), contudo existem outros que não dispensam a sua consulta/tradução. Por mais que se tente seguir em frente e tentar decifrá-los tendo em conta um possível contexto, nem sempre isso é possível, por isso recomenda-se a consulta do glossário...mesmo que isso quebre muitas vezes o ritmo da leitura (algo que não gosto quando acontece!!).
Será também aconselhável saberem mais ou menos a estrutura de uma barco/navio e seus componentes, pois a certa altura, quando embarcamos no Ibis (barco que serve de palco para uma parte significativa da história do livro), podemos nos sentir perdidos a bordo do livro se não soubermos a que se referem aqueles termos náuticos/marítimos.
Quanto à escrita em si, apesar de por vezes minuciosa, esta é bastante acessível e interessante, atenta aos detalhes e com capacidade de nos surpreender em diversas ocasiões ao longa da história...história essa que à medida que o livro avança nos vai cativando cada vez mais, factor esse obviamente crucial num bom livro, dando-nos a conhecer várias personagens que se tornam cada vez mais "próximas" de nós, quer pelas suas atitudes, quer pelas suas convicções e diga-se de passagem que sabe bem quando há umas que têm aquilo que merecem...uma sensação semelhante à morte de Joffrey da Guerra dos Tronos!

O mais chato é chegar ao fim e saber que por enquanto ainda não foi publicado em Portugal a sequela deste Mar de Papoilas e que se chama (no original) "River of Smoke". Portanto, quem quiser saber como continua a aventura do Ibis (e não só) terá de saber esperar (ou saber continuar a esperar) ou então ler a versão inglesa. Apesar disso, se calhar não é necessário ter assim tanta pressa em ler esta sequela porque o 3º livro da trilogia ainda nem foi publicado (ou até finalizado) pelo autor desta história!



domingo, 12 de outubro de 2014

You Are All I See

- Sei que estás relutante em acreditar nestas minhas palavras, mas deves acreditar que o caminho a seguir é este que te indico. Pode parecer algo descabido e até egoísta, mas ir para onde vou e querer-te lá comigo é tudo o que talvez possa parecer certo para nós. 
Dá-me a mão, vamos em frente. Existem partidas que não são necessariamente partidas, são somente um começo de algo novo e aquela porta, escondida ali em baixo, irá levar-nos para um novo mundo onde a mágoa e o sofrimento não têm permissão para lá estar. Pode também não ser o mundo perfeito, mas merece uma visita. Podes levar a saudade contigo e inclusive a tristeza, mas, fica sabendo que poderás deixar aqui a maldade ou os sentimentos de mesquinhez de quem os possa ter e que por vezes nos magoam e nos prendem como se nos agarrassem pelo tornozelos não nos deixando caminhar livremente... e vais ver que essa liberdade que irás sentir é algo que nunca imaginaste. 




- Eu sei que as tuas palavras deveriam ser aquilo em que devo acreditar e posso ter motivos mais que suficientes para crer que assim seja. No entanto não me consigo desprender de mim e de tudo aquilo que posso ter considerado importante para mim até agora. Por momentos tenho a certeza que tu e eu somos tudo o que está certo, no entanto, existem manhãs em que acordo e não é isso que sinto e à medida que o tempo passa acabo por sentir um vazio, algo que me magoa e que não consigo definir. Será que também sentes isso? Será certo seguirmos em frente e seguir este caminho que indicas?




- Já deves ter percebido que aquilo que sinto por ti é o que me faz conseguir suportar o desgaste do tempo, mas sinto que me estou a desvanecer aos poucos como o mar que insiste em levar consigo uma imponente encosta, mas que de tanto tentar, sempre e sempre, acaba por deixar as suas marcas. Não quero sentir esse cansaço e deixar de esperar mim ti, mas infelizmente não sei quanto tempo mais irei conseguir suportar essa delonga.
Desde o momento em que pude ver o mundo através dos teus olhos, desde o momento em que a minha alma foi invadida pelo teu olhar, que sinto que uma parte de mim se ligou a algo especial...como se a partir daquele momento um abraço, o teu abraço, fosse muito mais do que esse gesto aparentemente simples e muitas vezes usado sem significado algum, e fosse a forma física de nos unirmos e estarmos em sintonia. 




quinta-feira, 2 de outubro de 2014

EndGame [A Chamada] ... um livro ou muito mais do que isso?!

Infelizmente não tenho a resposta para essa questão, mas que a ideia é interessante lá isso é. Não sei se o prémio é real, mas hoje em dia tudo é possível ou a ideia em si não fosse também, no fim de contas, uma boa estratégia de marketing.
A premissa para a história do livro faz-nos obviamente lembrar outras histórias que têm aparecido recentemente no mundo dos livros e por consequência no mundo do cinema [ou não necessariamente por esta ordem], mas aqui o ponto forte é a questão de poder haver uma interacção entre a história do livro e o mundo real no sentido em que será necessário completar puzzles e fazer pesquisas que supostamente nos levarão aos sítios certos e e que nos ajudarão a descobrir as chaves que dão acesso ao dito prémio. A partir de 7 de Outubro serão milhares e milhares de pessoas que irão querer comprar o livro para poderem embarcar nessa aventura... resta saber se o segredo está bem guardado por todos aqueles que desenvolveram a ideia/conceito pois seria injusto alguém vencer o prémio com a ajuda de alguém que esteja "dentro" do sistema. Estarão a personagens do livro a competir entre si e estará o mundo real [aqueles que aderirem ao desafio] a lutar também pelo prémio monetário que aparentemente vai aumentando ao longo dos livros desta trilogia.


SINOPSE:
Eles chegaram à Terra há 12 mil anos. Vieram dos céus e criaram a humanidade. Quando se foram embora deixaram um aviso: um dia iriam voltar... E quando voltassem, teria início o grande jogo, o Endgame. Ao longo de dez mil anos, as doze linhagens originais existiram em segredo, mantendo sempre, cada uma delas, um jogador preparado para entrar em ação a qualquer momento. Agora que eles voltaram, os doze jovens jogadores estão a postos para entrarem no grande jogo que decidirá o futuro do planeta e da humanidade. Mas só um pode vencer: quem encontrar primeiro as três chaves escondidas algures na Terra. E é sobre a busca da primeira chave que se centra este primeiro livro da série. 

Endgame não é apenas um livro. Endgame é uma experiência multimédia a nível mundial inovadora, que inclui um jogo revolucionário construído pela Niantic Labs (Google) através da qual é possível jogar uma versão do Endgame no mundo real. No fim, há um prémio para o primeiro a conseguir resolver o puzzle oculto no livro: meio milhão de dólares em ouro.




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Memorável 5 de Setembro

Hás dias que passam e não nos deixam nada de especial, deixam-nos indiferentes, como se tivéssemos um monte de areia que se esvazia entre os nossos dedos, restando apenas uma mão vazia. No entanto, existem também dias que são memoráveis. Geralmente associo essa palavra [memorável] para algo ou para aqueles dias que são diferentes e especiais por significarem alguma coisa, alguma coisa positiva que dali em diante passa a fazer parte do típico baú das memórias que muitos de nós gostamos de evocar com alguma frequência. Infelizmente este 5 de Setembro não foi efectivamente um dia positivo e será recordado (espero que poucas vezes ... embora já saiba que esse será quase de certeza um desafio perdido por natureza) por motivos tristes que acabam por ser como um estaca bem afincada no chão a definir um marco, um carimbo que guarda uma data, um acontecimento registado na ficha da vida!

Uma chama que se ergue lentamente, que tenta iluminar-se a si própria e que, ao fazer isso, mesmo sem saber, já está a iluminar um espaço muito mais infinito, um espaço que ultrapassa a si própria. Mas a sua fragilidade pode ditar o facto de estar comprometida e a sua capacidade de resistir às condições adversas das intempéries causadas por motivos muitas vezes imperceptíveis. Uma brisa, mesmo leve como um sopro suave, poderá ser o seu último suspiro, o seu último fôlego, a sua última réstia de luz que dita o destino da sua existência, dando lugar a uma escuridão desassossegada, difícil de aceitar.
Gosto da noite, da sua calmaria, mas estar agora diante dela sem a mais pequena luz, faz-me sentir fracassado e desnorteado. Sei que, apesar de a luz se ter apagado, o caminho continua a existir como sempre existiu e também sei que a solução é sermos fortes o suficiente para acender novamente esta chama que se apagou de forma a podermos seguir em frente, passo a passo, pensar que o que de mal nos é oferecido o presente, pode ser o bem que o futuro há-de trazer e que apesar de ter sido um dia menos bom, é necessário pensar que há situações ainda piores.

E porque algumas das seguintes imagens podem dizer muita coisa, deixo aqui o final de um dos episódios desta série, final esse que por ter sido visto na altura em que foi, tornou-se mais marcante.