terça-feira, 24 de março de 2015

O teu presente, o teu passado e o teu olhar

O teu presente... não o conheço. Posso pensar que sim, mas na realidade apenas conheço, ou sei, aquilo que os olhos vêem e o que o coração sente. 

O teu passado... conheço menos ainda, pois não faço a mínima ideia quais poderão ter sido a peripécias de uma vida que presentemente parece que se encontra numa corda bamba que, ora balança para um lado, ora balança para o outro, correndo o risco de se tornar um tracejado que termina sem nunca se tornar numa linha contínua. É com pena, com pesar, que vejo o divagar da tua pessoa que caminha sem destino, como se os comandos estivessem a cargo de um piloto automático inconsciente, não programado para retomar o rumo certo quando a vadiagem da vida soma pontos consecutivamente. 

Não sei se algum dia terás a força necessária para saltar as barreiras que há muito já deves ter aprendido a ignorar mesmo sabendo que o chão que pisas parece andar para trás levando-te com ele, não te deixando seguir em frente mesmo que permaneças sem movimento, sem teres propriedade dos teus próprios passos. É com tristeza que vejo o teu olhar perdido algures, olhar esse dissociado da tua pessoa, dissociado do mundo que te rodeia.


sábado, 21 de março de 2015

Welcome to the Jungle ...Novo Amor

Não, não vou falar do filme nem tão pouco dizer que tenho um novo amor :-P;
Existem anúncios que são uma grande seca e uma total perda de tempo...felizmente na maior parte das vezes temos a opção de simplesmente não os ver. Contudo, existem outros que têm o seu mérito, a sua originalidade e fazem-nos querer vê-los e felizmente, alguns desses trazem um extra, uma espécie de oferta na forma de música como foi o caso daquela que deixo aqui neste espaço! A música não é original de Novo Amor, é um cover de uma música dos Guns n Roses, mas devo dizer que prefiro obviamente a versão do cover.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Hoje e amanhã

Cada um usa a sua sorte ou o seu destino conforme pode e acha que deve, e, seguindo por esse prisma, cada qual supostamente é responsável pelas decisões e opções até então. 
Assim surge a questão ... até que ponto podemos justificar-nos (a nós próprios e aos demais) que as más escolhas que fizemos não são culpa nossa, ou que as escolhas certas são fruto do nosso mérito?! Chego obviamente à conclusão que as coisas não se resumem a algo tão simples como um sim ou um não, a resposta é bem mais complexa, pois a vida não é pintada a preto e branco, está repleta de cores, tonalidades e diversas nuances que diferem de dia para dia, de pessoa para pessoa, de situação para situação.

Se hoje és tu que precisas de ajuda, amanhã poderei ser eu a precisar da tua ajuda ou da ajuda de alguém, de alguma outra pessoa. Há que tentar deixar que o bom senso nos guie e que sejamos capazes de tirar partido da capacidade de ajudar o próximo sem que isso seja resultado de uma equação de interesses. 
Por vezes ter a possibilidade de ajudar e mesmo assim negar essa ajuda devido a algum receio (justificado) é suficiente para acender um rastilho que lança no interior uma dor feroz e silenciosa que nos revolve e nos deixa envolvidos num nevoeiro denso. É uma espécie de luta que se trava contra a consciência, não que se trate de egoísmo, mas antes talvez de uma questão de ter coragem para prestar outro tipo de ajuda ... algum tipo de ajuda que pudesse ser mais eficaz a longo prazo e não apenas na perspectiva do desenrasca. Infelizmente há decisões que são tomadas de forma relativamente espontânea devido a circunstâncias do momento, e esse é um dos motivos que se nos apresenta como um convite para entrar no ringue e travar mais um combate.



sábado, 14 de março de 2015

O Filho de Mil Homens



Embora os últimos posts possam parecer que servem de publicidade para autores portugueses, a verdade é que não têm qualquer objectivo publicitário, mas sim de partilha. Para além disso o facto de os deixar aqui é porque a sua leitura o justifica [no meu entender obviamente]. 
Este (post), como o título indica, é dedicado ao livro "O Filho de Mil Homens" de Valter Hugo Mãe. Li-o na sequência da leitura do livro "A Desumanização" e quando digo na sequência não me refiro ao facto de as histórias estarem interligadas, pois não estão, digo-o simplesmente porque foi o prazer de ler um que me levou a querer ler o outro e foi uma escolha acertada.


Este livro fala sobre a vida, sobretudo na perspectiva de uma vida solitária que é o caso de algumas personagens que sentem na pele a solidão e como se isso ainda não bastasse, têm também de sentir a injustiça do olhar, da cobiça e do mau agouro das outras pessoas sobre as suas vidas. De uma forma muito peculiar e inesperada as vidas das personagens deste livro vão-se compondo aos poucos como, se no final de contas, tudo não passasse de uma mensagem de esperança para aqueles que pensam que o tempo que resta está perdido por natureza. A título de exemplo e não querendo deixar spoilers, temos o Crisóstomo que aos 40 anos ainda não encontrou a mulher para a sua vida e que também gostava de ter um filho para assim poder dar algum sentido à sua existência, para se poder sentir completo ... A Isaura que parece não conseguir ultrapassar a infelicidade de estar só e de se sentir feia aos olhos dos outros, outros esses que na sua maioria só sabem dizer que de bonito ela tem o nome, mas certamente que não será assim e quando ela menos espera pode ser que a vida lhe reserve alguma surpresa... O Camilo que é filho da anã, mulher pequena cuja vida é passada a pente fino pelas vizinhas devido a essa sua condição física e cujo facto de ter uma cama de tamanho de gente grande acaba por ser um grande mistério...até que vem o Camilo, o seu filho, outra razão para haver um alvoroço na aldeia. 
O Antonino, filho de Matilde, sofre na pele a crítica à sua condição de homossexual, ou de maricas, condição essa que por vezes é exprimida neste livro de forma cruel (mas que não foge ao que muita gente enfrenta na vida real), embora o autor consiga também abordar este assunto de forma bastante interessante e até engraçada devido à sua escrita muitas vezes poética... A Matilde que teve na vida um só filho e que mesmo assim se sente derrotada por pensar que deu um mau fruto ao mundo e vive na constante dualidade de querer aceitar e rejeitar aquilo que é seu, o seu filho! Existem mais umas quantas personagens interessantes que se vêem envolvidas em situações que chegam a ser cómicas sem serem absurdas e que fazem deste livro uma óptima leitura. 
Se por ventura alguém aqui passar e conhecer outros livros de Valter Hugo Mãe que sejam tão bons quanto esse ou Desumanização, faça o favor de sugerir que eu agradeço :-).

"O Crisóstomo começou a pensar que os filhos se perdiam, por vezes, na confusão do caminho. Imaginava crianças sozinhas como filhos à espera.
Crianças que viviam como a demorarem-se na volta para casa por terem sido enganadas pela vida. Acreditou que o afecto verdadeiro era o único desengano, a grande forma de encontro e de pertença. A grande forma de família.
Sentia uma urgência grave sem saber ainda o que fazer."

"Quem tem menos medo de sofrer, tem maiores possibilidades de ser feliz."

"A anã fazia um arroz de brincar e juntava-lhe um pedaço pequeno de bife e comia como a brincar, tão pouquinho quanto engraçada, num banco de bonecas à sua mesa especial, com tamanho para ser só um banco maior do que o banco de sentar. Comia pouquinho porque não lhe dava a natureza uma grande fome.
Muitas vezes, levavam-lhe meio coelho e meio frango e até das couves lhe levavam as pequenas, escolhiam cenourinhas e se vissem alguma batatinha mais mirrada sorriam, como se por natureza fosse comida para a anã. Achavam, por isso, que era barata a vida dela, como se pudesse ser feita com as sobras do que escapava às bocas grandes."

"A Isaura sabia que amava alguém por vir, amava uma abstracção de alguém no futuro. Ela esperava o futuro, e esperar era já um modo de amar. Esperar era amar. Certamente, amava de um modo impossível o futuro...
E chorou sem qualquer convulsão porque aceitou chorar. Aceitou chorar. Havia muito que não o fazia. Talvez tivesse percebido que a natureza era, toda ela, uma expressão exuberante e que manifestar os seus sentimentos seria uma participação ínfima nessa honestidade do mundo. Talvez tivesse percebido que usava de honestidade consigo mesma pela primeira vez em muitos anos.
Disse: estou sozinha. E repetiu: estou sozinha. Desatou a falar como se não suportasse mais a boca fechada. Era uma mulher carregada de ausências e silêncios."

"O toque de alguém, dizia ele, é o verdadeiro lado de cá da pele. Quem não é tocado não se cobre nunca, anda como nu. De ossos à mostra."

"Quando se conhece alguém, pensou o Crisóstomo, procuram-se as exuberâncias dos gestos, como para fazer exuberar o amor, mas o amor é uma pacificação com as nossas naturezas e deve conduzir ao sossego. O gesto exuberante é um gesto desesperado de quem não está em equilíbrio."

"Talvez os homens maricas o fossem por sofrerem demasiado com coisas nenhumas. A Isaura surpreendia-se com esse pensamento. O Antonino por casa a contar-lhe como estavam as peripécias da sua vida e aquela emoção constante, e ela a achar que ele era delicado, a escolher sofrer meticulosamente por cada assunto, como se em cada assunto da sua mãe estivesse em causa o seu lugar de filho. Como se fosse filho da Matilde ainda antes de pensar em si como um homem adulto, despegado de cordões umbilicais, saias e saiotes. Era delicado. A Isaura chegou-se perto dele e investigou a expressão honesta do seu rosto. O modo como se expunha diante dela e a tratava como uma amiga. Ela nunca fora amiga de ninguém."

"Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser."


"Ficaram os três alinhados e com expressões de um encantamento tão terno quanto ridículo. Ela perguntou: o boneco tem nome. Ele respondeu: não. Ela disse: que sorte, assim não precisa de ser ninguém. Quem não é ninguém não lhe falta nada. Nem lhe falta o amor, nem espera por nada."

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Galveias ... uma vila, um mundo, um universo



Entrar em Galveias é entrar num mundo que pode parecer pequeno e ao mesmo tempo imenso. Apesar de ser um universo restrito, o universo de uma aldeia ou de uma pequena vila, à semelhança de tantas outras que muitos de nós podemos conhecer, tem as suas particularidades e os seus próprios modos de expansão através das estórias e vidas das pessoas que lá habitam e que a tornam real. Pessoas essas que de certo modo acabam por nos dizer algo.


Será difícil não nos identificarmos com aquele estilo de vida, sobretudo para aqueles de nós que de alguma forma estão familiarizados com o ambiente rural ou semi-rural das pequenas aldeias ou vilas, onde parece que todos se conhecem e onde parece que tudo se sabe, e é essa capacidade de nos fazer identificar (e quem não se identifica porque não conhece pessoalmente, poderá ficar curioso e passar a identificar-se através da leitura criando assim as suas próprias experiências como se também pertencesse a um lugar como Galveias) que faz deste livro mais um daqueles livros cuja leitura nos dá prazer como se fosse uma espécie de viagem no tempo, uma viagem ao passado que nem se trata propriamente de um tempo de tempo, mas um tempo de lugares porque apesar da suposta modernidade das cidades e das sociedades, o tempo de Galveias, e tempo ainda antes de Galveias, persiste nos dias de hoje.
Talvez o evento que abre a história do livro tenha sido um evento imaginário, um evento que abalou a certeza daquelas pessoas, deixando-as à toa...fica talvez ao critério de cada leitor chegar a uma conclusão para aquilo que aconteceu e, de que forma aquele acontecimento, que pode até ter sido uma mentira, influenciou os dias dali em diante nas suas vidas. Afinal não é só nas Furnas, na Ilha de São Miguel, que o cheiro a enxofre pode estar presente de forma constante! 

sábado, 24 de janeiro de 2015

A Desumanização - Valter Hugo Mãe


Já há algum tempo que planeava ler este livro mas fui adiando até que finalmente tive oportunidade de o ler. Não sabia bem o que esperar, apenas tinha lido a sinopse e tinha também uma vaga, apenas vaga, ideia deste livro ter recebido boas criticas. 
Uma vez que estava curioso em relação à história e à escrita em si, avancei para a sua leitura e o resultado foi bastante positivo. Posso afirmar que foi daqueles livros que me desse bastante prazer de ler. Gosto de livros que apesar de terem uma história relativamente simples (fala da relação ou ex-relação entre duas irmãs gémeas, em que uma delas morre(isso não é spoiler, está logo na primeira página!), e o que isso vai desencadear no seio daquela família simples que vive nos fiordes da Islândia (embora seja muito fácil por vezes imaginarmos que estamos numa simples aldeia próxima de nós quando não são dados pormenores que nos levem mesmo para a Islândia) conseguem mesmo assim tornarem-se algo grandiosos porque a genialidade da sua escrita assim os torna.
Não sei se outras pessoas serão da mesma opinião, mas em certas ocasiões parecia um pouco como estar a ler José Luís Peixoto e não refiro isso como uma comparação que tenha como objectivo valorizar um em detrimento do outro, pois cada uma das escritas desses 2 autores portugueses têm o seu lugar marcado e definido. Juntamente com eles poderia também estar Andrea del Fuego!
Neste livro podemos encontrar temas como a religião, a morte, o amor, a família, a amizade através das relações entre as personagens [não muitas, mas suficientes] e com o mundo que as rodeia, temas esses que ao longo das páginas deste livro podem até assumir um carácter cómico e com algum humor negro que fazem também as delícias de quem lê este livro.

Deixo aqui algumas passagens/pequenos excertos e não seria talvez difícil escolher mais partes do livro muito interessantes.

"Achei que a morte seria igual à imaginação, entre o encantado e o terrível, cheia de brilhos e susto, feita de ser ao acaso. Pensei que a morte era feita ao acaso."

"Eles são o paraíso, porque um homem sozinho é apenas um animal. A humanidade começa nos que te rodeiam, e não exactamente em ti. Ser-se pessoa implica a tua mãe, as nossas pessoas, um desconhecido ou a sua expectativa. Sem ninguém no presente nem no futuro, o indivíduo pensa tão sem razão quanto pensam os peixes. Dura pelo engenho que tiver e perece como um atributo indiferenciado do planeta. Perece como uma coisa qualquer."

"Ele insistia explicando-me que as crianças eram modos de espera. Queria dizer que as crianças não tinham verdades, apenas pistas. O seu mundo fazia-se de aparências e tendências. Nada se definia. Ser-se criança era esperar. Também significava que queria de mim admirável força sem outro sustento que não o da idade. Deixava-me à sorte, cheia de palavras estranhas cujo significado me custava encontrar."

"Só existe a beleza se existir interlocutor. A beleza da lagoa é sempre alguém. Porque a beleza da lagoa só acontece porque a posso partilhar. Se não houver ninguém, nem a necessidade de encontrar a beleza existe nem a lagoa será bela. A beleza é sempre alguém, no sentido em que ela se concretiza apenas pela expectativa da reunião com o outro."

"Algumas coisas, como deus, existiam sem nome. Talvez nós próprios não tivéssemos nome e andássemos iludidos com aquele que usávamos. Talvez nós próprios fôssemos outra coisa que não aquilo que nos habituáramos a pensar ser."

"A morte é a simplificação das almas. Deixa-as libertas dos infinitos pormenores do corpo. Libertas da sua vulnerabilidade. ... O corpo suja a alma."

"Eu dissera que me pus grávida sem maldade....Calava-me. Contara que crescera a barriga e que vinham dores como se os filhos aparecessem de dentro dos ossos. Sentia que me ir partir, dividir. A minha mãe, furiosa, amaldiçoando tudo, culpando-me da gula da sensualidade, acusava-me de não me ter limpa para o fardo belíssimo da...."

"Acreditava que as nuvens iam descer. Pousariam nos nossos caminhos, gordas, a tapar os lugares e a prender as pessoas em casa. Depois, as nuvens iam ficar pesadas e as casas iam abater. Até abaterem todas e as pessoas ficarem lá dentro, desfeitas em fantasmas. As nuvens comem os fantasmas."

"Eu perplexa, achava que tanta teoria e enfeite das partes intimas era como querer ter um pássaro no lugar de ter outra coisa tão diferente. Ia ser mito bom se, ao menos em algumas ocasiões, tivéssemos um pássaro em troca do rabo, um pássaro em troca do estômago, um pássaro em troca do coração. Quando nos fosse melhor, mais conveniente, daríamos por um pássaro o embaraço, a fome, o desgosto ou o medo. Talvez, por embaraço ou sonho, puséssemos às vezes o pássaro a voar."

"Pensava que os livros eram animais de barriga imensa para onde caiam os leitores, puxados por textos inquinados, maquiavélicos, feitos de malícias, maldades, mentiras, deturpações, transformações do que era certo em condutas erradas. Os livros tinham presas e dentes afiados e comiam gulosamente as pessoas."

"Prestávamos atenção às palavras para sabermos como eram dias as coisas. Porque alguns livros pareciam perfumar a linguagem outros sujavam-na e outros ignoravam-na. Os livros podiam ser atentos ou desatentos ao modo como contavam. Nós inspeccionando muito rigorosamente, achávamos melhores aqueles que falavam como se inventassem modos de falar. Para percebermos melhor o que, afinal, era reconhecido mas nunca fora dito antes. Os melhores livros inauguravam expressões. Diziam-nas pela primeira vez como se as nascessem."

"Havia na imagem desolada do casal uma resignação qualquer. Do corpo um chegava ao outro a energia única. Percebi, ..., que eram unos, mesmos, súbita e finalmente comungando de tudo como quem chegara a uma decisão, a uma conclusão.... Só um afecto maduro poderia resultar na cumplicidade que mostravam. Trancados igualmente por dentro."

"Quando passaram, vi bem visto. Teria adorado abater-me ladeira abaixo para lhes surpreender o percurso. Poderia ter nascido pedra e rolar naquele instante por pensar melhor do que andvam a pensar os homens. A brancura aparatosa da minha ...reclama a luz. Era uma lâmpada de má luz, invjeosa. Aturdindo. A minha ... estava vestida de urso feliz. Abria e fechava a boca como se lhe faltasse o ar. Como se todo o ar fosse pouco.... Um animal feroz momentaneamente a imitar a felicidade humana."

"A felicidade das coisas erradas era uma mistura de bem e de mal que deixava quem assistia num impasse, entre permitir-se seguir na diversão ou ficar preso no receio."

A desvantagem de ter sido esse "A Desumanização" o primeiro livro de Valter Hugo Mãe que li, é que esse é o seu livro mais recente...e fica a questão...será que os anteriores serão do mesmo nível e serão eles interessantes para o meu gosto tal como este foi?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Eye [I] Origins


Poderão os olhos ser realmente a janela para a alma? Há quem diga que sim...aqueles que crêem em algo como a alma ou o espírito, aqueles que crêem em algo transcendente à ciência e à razão das coisas serem como são, algo transcendente a um conjunto de elementos químicos e moleculares que tentam justificar tudo aquilo somos e sentimos, aqueles que crêem que esse ser-ser e esse sentir-se continua e continuará a ser um verdadeiro mistério. Será tudo "apenas" o resultado da interacção ou combinação de diversos elementos e circunstâncias que fazem cada um de nós sentir e agir de forma personalizada e em resposta a essa combinação?! É mais uma daquelas questões que dificilmente terá resposta e que muitos de nós traz à tona do mar de pensamentos de tempos a tempos....ou quando se vê filmes como o I Origins onde a ciência e a espiritualidade são colocados frente a frente numa espécie de campo de batalha para ver quem sai vencedor.



Uma coisa é certa, sendo ou não sendo uma janela ou espelho da nossa alma, os olhos são certamente uma ferramenta de comunicação determinante, mesmo que por vezes isso aconteça de forma involuntária. Ferramenta essa que podemos ter vergonha de usar por revelar mais do que devia em certas ocasiões e, em outras ocasiões, não a utilizamos porque o que para nós pode ser um deleite, para as outras pessoas pode ser um constrangimento. Alegria, tristeza, desconfiança, simpatia, surpresa...são apenas algumas das emoções que um simples olhar consegue transmitir de forma espontânea e verdadeira quando o sentimento é genuíno [obviamente].

Para acompanhar estas palavras deixo aqui uma música que não é nova e pode parecer cliché, mas não só para quem quiser...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Will Grayson e Will Grayson


Um nome, um destino... é mais ou menos o lema desse livro que conta com a participação de John Green e David Levithan (nunca tinha lido nada deste autor). Não recomendo a continuação da leitura deste post para quem pretende ler o livro, pois é capaz de ser um texto tipo spoiler...não que eu vaia contar especificamente muito do acerca do que acontece no livro, mas ainda assim...

O livro e a história em si acabaram por ser uma surpresa, nem sempre agradável dado que por vezes o livro mais parece uma comédia romântica g.a.y. (CRG) e não era bem isso que estava à espera, pois não previa nada disso quando li a sinopse deste livro, que diz o seguinte:

Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos - incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais - Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.


Felizmente o livro é mais do que isso, do que uma CRG, e consegue ser divertido, cómico e focar-se noutros aspectos que podem estar relacionados um pouco com todos nós como é a questão da amizade, o amor e a forma como nso relacionamos com as outras pessoas. Dispensava talvez o excesso de glee que pode estar presente em alguma parte do livro, mas repito, isso não faz com que se queira deixar de o ler por causa disso, pois deve-se considerar que isso faz parte do conjunto. As personagens em si são, em alguns aspectos, as típicas personagens adolescentes de John Green, mas, com a participação de David Levithan, há algumas diferenças e alguns aspectos que se calhar não são muito frequentes nas histórias de John Green e creio que isso foi fundamental para a criação de dois Will Graysons (claro que pode-se também colocar a questão que é o mesmo que criar duas personagens diferentes e atribuir-lhes o mesmo nome)!
É interessante a forma como o livro está organizado, pois cada capítulo é escrito na perspectiva de cada Will Grayson e é escusado dizer que é com expectativa que aguardamos o momento em que os dois Will Graysons se vão cruzar e que impacto terá esse acontecimento no decorrer das histórias das personagens e do livro em geral. Creio que foi bem conseguida a colaboração destes dois autores visto que ambos tiveram certamente que moldar as várias personagens e conseguir uma interacção "realista" entre elas.


Infelizmente parece-me (isto a julgar pelas tentativas de criarem trailers para o livro e tentarem atribuir caras às personagens com recurso a fotos de actores ou actrizes) que o livro possa ser demasiado utilizado como um voto à homossexualidade (homofobia à parte claro).

domingo, 4 de janeiro de 2015

Frases...1

Não é costume deixar aqui citações ou frases, pois geralmente gosto de dar alguma corda aos dedos e deslindar um pouco as ideias, os devaneios... Mas hoje, e provavelmente noutras ocasiões futuras, fica aqui uma.


"Às vezes fazemos as escolhas erradas para chegar aos lugares certos ."


obtida do filme The Equalizer

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Deixe e Neve Cair...



Em jeito de pressa para ainda tentar apanhar os resquícios da época Natalícia que gradualmente se desvanece de nós e das nossas casas, deixo aqui um ligeiro comentário a este livro que li (à semelhança do que fez um amigo meu) porque merecia ser lido na sua devida altura que é precisamente o Natal. Fez todo o sentido e toda a diferença lê-lo nessa semana de Natal que se passou e afinal de contas valeu a pena guardá-lo para ser "consumido" na altura certa.

Quanto ao livro em, conta com a participação de 3 autores: Lauren Myracle, John Green, Maureen Johnson; em que cada um deles conta uma pequena história que envolve o Natal e que estão interligadas. Obviamente que à medida que nos vamos aproximando do final vamos ansiando que as histórias se envolvam mais umas nas outras e digamos que a neve, em conjunto com o Natal e as personagens jovens das histórias, ajudam a passar uns momentos agradáveis aquando da leitura deste livro.
Dos 3 participantes só "conheço" John Green, mas posso dizer que a escrita é muito semelhante ao longo das 3 histórias (para quem já conhece a escrita de John Green certamente que irá gostar) de modo que, quem as ler sem saber quem as escreveu, pode muito bem ficar baralhado, pois eu próprio arrisquei fazer isso e dei-me mal. Se fosse uma aposta teria perdido!

Infelizmente por estas bandas não há neve, por isso a o mais parecido com neve que vi neste Natal foi o que estava no livro!