quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Por mais que se tente...

Por vezes, por mais que se tente remediar algumas coisas, elas simplesmente parecem não ter sido destinadas a ter um final feliz e é como se o bom senso e o sucesso te escapassem sempre por entre os dedos.
Acredito que ao longo do teu percurso, tenhas por diversas vezes tentando arranjar alguma solução para que as coisas [entenda-se por coisas os diversos aspectos da vida em si] funcionassem, que tenhas tentado de alguma forma conseguir derrubar os mais diversos obstáculos que foram surgindo no teu caminho, obstáculos esses que, em grande parte das vezes foram lá introduzidos por tua própria culpa. A falta de ânimo aliada à teimosia que por sua vez é desafiada pelos ecos da maldade e pelos piores aspectos que podem existir nas formas de expressão que os seres humanos escolhem, foram, e talvez ainda sejam, certamente factores decisivos para o estado fragilizado/debilitado no qual te possas encontrar.
Não me cabe a função de julgar ou proferir somente acusações, mas tenho a liberdade de ter uma opinião, uma opinião que talvez sendo verbalizada e não silenciada como as demais, teria por ventura tido algum resultado prático já que há palavras que geram afastamento e podem ter o efeito de esticar os limites, aumentando assim o risco de ruptura, mas também existem outras que são indispensáveis e que, por mais afiadas e capazes de magoar possam parecer, no fundo, são como os alicerces de um lar, essenciais à estabilidade nos seus diversos níveis.
Sei [ou se calhar penso que sei porque há coisas que só se sabem quando as experimentamos na pele] que não deve ser fácil retomar a trajectória correcta e que no final do dia há sempre o mesmo duelo com o amigo/inimigo chamado tempo (que não pára), mas espero, embora com certo receio, que haja alguma forma (e que a encontres ... obviamente) de conseguires manter a "gelatina" firme, pois pode ser tudo apenas uma questão de perspectiva e oportunidades.



quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Feitos de Palavras


Somos feitos de palavras, construídos em frases e textos que nos definem e nos dão forma. Existimos porque as palavras existem e balançamos na existência ambígua de podermos ser tudo e ao mesmo tempo não sermos nada. Temos o infinito como destino porque as palavras assim o permitem.
Materializam-se vivências, histórias de vida, preocupações, desejos, ambições, sonhos e vivem-se vidas derivadas de vidas reais recheadas de dilemas, impregnadas da tinta do dia-a-dia e sente-se na pele a tristeza das situações menos agradáveis que fazem sofrer e que fazem pensar e como se ainda não fosse suficiente, ainda conseguem fazer nascer a vontade de transformar esse mundo expresso em palavras num outro mundo, também composto por palavras, mas palavras mais leves e mais fáceis de suportar. 
Palavras que me permitem estar contigo e imaginar sentir para posteriormente sentir verdadeiramente que sinto as tuas alegrias, os teus sofrimentos e tristezas e pensar que estou presente nesses momentos e pensar que posso ser feito de algo que não sejam apenas palavras, mas palavras com alma que sabem o que é a saudade, a ausência e a solidão.
Sendo feitos de palavras, vivemos de e para as palavras, falamos com as palavras e ouvimos o que elas nos têm para dizer e, mesmo que as suas vozes não sejam audíveis, escutamo-las com atenção.
Palavras de mim para ti sobre ti e sobre mim, palavras de ti para mim sobre ti e sobre mim, monólogos mascarados de diálogos e vice-versa.
Sendo feitos de palavras, existimos enquanto existirem palavras.

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

A Culpa é das Estrelas


Um livro que já andava para ler há algum tempo, mas que só recentemente tive oportunidade de o fazer. Posso dizer que foi daqueles livros capazes de me prender praticamente desde o inicio da sua leitura. Não por ser um romance ou uma história de amor, mas por ser bem escrito (estão lá as observações, frases, comentários que fazem a diferença e que são capazes de definir um livro, um autor, uma forma de escrever e de observar o mundo ou as pessoas) que tem a dose certa de drama e humor, sem ser demasiado lamechas ou algo do género. Para certas pessoas pode apenas ser mais uma história de amor para teenagers (e poderão ficar com essa ideia sobretudo se virem o trailer do filme, trailer esse que, a meu ver, se calhar não consegue transmitir ou convencer muita pessoas ... que não conheçam o livro claro), mas essa não será certamente a minha opinião, pois o amor não escolhe idades.
Uma vez que se trata de uma história onde está envolvida a doença e a efemeridade da vida, estão presentes questões existenciais que todos nós conhecemos devido ao facto de nós próprios as colocarmos a nós próprios durante alguma etapa da nossa passagem por este mundo. Tópicos que nos fazem certamente repensar algumas coisas e reavaliar determinados aspectos da nossa vida tendo em conta que só cá estamos de passagem (não querendo com isto dar ênfase ao lema de viver cada dia como se fosse o último que por acaso também está de certa forma no livro). Será que seremos lembrados após a nossa partida? Será que aquelas pessoas com quem nos importamos mais irão sentir a nossa falta ou estaremos a desperdiçar apenas sentimentos e tempo? Conseguiremos fazer algo útil e memorável com a nossa vida, com o tempo que nos é permitido cá estar?



É algo que se calhar não nos perguntamos tantas vezes quanto isso, embora tenhamos sempre alguma preocupação, mesmo que inconscientemente, em cumprir os nossos objectivos e por conseguinte sentir-nos de certa forma realizados a nível geral. 

domingo, 6 de Abril de 2014

Inconsciente


Quer queiramos quer não, o nosso inconsciente é livre de fazer o que lhe apetecer. Apesar de ser como uma espécie de animal de estimação, no sentido de sermos nós quem o alimenta e protege (quer nos apercebamos disso quer não), ele acaba por ter o seu quê de bravio, o seu lado rebelde, fazendo o que lhe dá na gana. Os sonhos são obviamente a forma mais comum de presenciarmos o que se passa no nosso inconsciente brindando-nos com as mais estapafúrdias versões de acontecimentos ou situações que têm, na sua maioria, origem no mundo real. Basta por vezes um olhar, um pensamento fugaz, uma observação, uma conclusão acerca de algo, um pedaço de informação que nos transmitem ou até mesmo um gesto involuntário, e já está, já angariamos matéria-prima para produzir sonhos (bons ou maus). O cérebro (o nosso inconsciente) encarrega-se do resto.
Se é bom ou mau sonhar, quer se goste ou não ou se isso é maus para a saúde ou não, isso já depende de cada pessoa e do tipo de sonhos que cada um tem e da interpretação que faz dos seus próprios sonhos (algo que obviamente não faz parte do objectivo deste meu texto ... não venho aqui tentar descobrir a lógica ou a razão deles).
Não sei se muita gente faz isso, mas muitas vezes, a primeira coisa que se faz ao acordar de manhã, ou quando se acorda após um sonho a meio da noite, é pensar ou tentar relembrar o que se passou no outro mundo, no outro mundo que Murakami descreveria (num dos seus livros, não em todos) como uma cidade fortificada onde existem unicórnios (um pouco diferentes dos habituais) e as sombras não são apenas sombras, são seres que praticamente têm alma própria. É muitas vezes uma experiência que consegue ser agradável, no entanto, outras vezes deixa-nos com um sentimento de melancolia terrível equivalente à dor da saudade!
No seguimento deste texto é possível que passe a deixar aqui versões de vivências do mundo dos unicórnios, embora na minha versão, eles não existam. Pelo menos até ao momento não.

quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Real ou não ...


Por vezes dou por mim mergulhado em pensamentos que quase se transformam em vivências e são como o acender de um fósforo mergulhado em combustível. Acende-se o rastilho e a chama encarrega-se do resto ... e assim acontece com esses pensamentos. Surge uma ideia, um olhar, um som ou uma memória e já está o rastilho aceso pronto para fazer das suas. Embarco numa sequência de acontecimentos, que pode até nem ser muito longa, mas que é suficiente para me fazer entrar numa outra realidade (não sofro de bipolaridade ou múltipla personalidade ... pelo menos que eu saiba) onde regra geral eu sou uma das personagens e onde acontecem coisas que surgem no desenrolar ou desenvolvimento do motivo que originou o acender do rastilho. São maioritariamente acontecimentos hipotéticos e é a imaginação a tentar mover as suas engrenagens. Após terminar esse flash ou esse mergulho em águas desconhecidas, volto à realidade e em grande parte das vezes, tenho de lidar com os sentimentos que surgiram ou resultaram da fuga à realidade, sentimentos esses que por sua vez não são tão imaginários quanto isso! 

sábado, 18 de Janeiro de 2014

Sentir ou não sentir...

Por algum motivo dei comigo a pensar que, à semelhança do que acontece com muitas outras coisas na nossa vida que se poderiam pesar nos pratos de uma balança, sentir e não sentir estão inseridos nessa categoria, pois também apresentam os seus prós e os seus contras. 

Não sentir poderia fazer com que conseguíssemos evitar determinados sofrimentos que resultam precisamente dessa nossa capacidade de sentir. Sofrimentos que poderiam ser evitados se não sentíssemos são por exemplo o não sentir a perda de alguém, não sentir a ausência, a saudade, a solidão, a derrota, a vergonha ... e vários outros sentimentos que nascem algures no nosso interior.
Por outro lado, viver nessas condições (sem sentir), seria como viver como se o nosso coração estivesse constipado ou congelado, um coração que estaria a absorver as nossas vivências e as filtrasse tirando-lhes o sabor. Talvez há que admitir que sofrer afinal pode significar que é também algo que nos faz sentir que estamos vivos, que não somos uns meros robots, que não estamos aqui nesse mundo só por estarmos, pois se sentimos amor, amizade, compaixão, alegria, felicidade, esperança, e muitos outros sentimentos, é porque houve alguma razão, alguma semente que fizesse nascer dentro nós todos esses sentimentos, uma energia que fizesse o nosso coração sentir, bater, mover-nos em alguma direcção. 

Contudo, existe também um outro tipo de sentir, que é o sentir como se fosse não sentir. É o sentimento que se traduz num vazio, um vazio que parece entorpecer-nos de tal maneira que é quase como se anestesiasse o nosso coração e esse ficasse incapaz de sentir algo que não seja a tristeza, a melancolia, uma espécie de solidão cinzenta e monótona, a desmotivação, o nada.



sexta-feira, 6 de Setembro de 2013

6 de Setembro

6 de Setembro ... Para muitas pessoas é só mais um dia do mês de Setembro ou do ano, mas para outras pessoas é um dia especial por algum motivo qualquer. No meu caso, ou melhor, no caso na minha família, poderia ser um dia especial por ser o dia de aniversário de um dos seus elementos, mas agora passará a ser um dia agridoce e que marcará uma mudança, um dia que será o fecho de um ciclo e o início de outro ciclo. Esse início ou fim de ciclos será uma espécie de derrota causada por diversos factores que culminaram numa situação de certo modo irreversível e que certamente deixará consequências que seriam fáceis de ultrapassar se fossem como pegadas na areia. O mar encarregar-se-ia de as levar consigo e aquele pano cinzento ou branco voltaria ao seu estado inicial, mas na realidade não haverá um mar que faça isso e nesse momento resta o salgado, não do mar, mas de algumas lágrimas que terão como objectivo tentar libertar algum do peso causado pela frustração, pelo arrependimento, pela cobardia, pelo egoísmo, pela comodidade e por todos os ingredientes que resultaram nesta refeição amarga que todos teremos de provar hoje e digerir ao longo dos tempos que seguirão.

Como o tempo não nos deixa voltar atrás e remediar o que não soubemos cuidar, só nos resta o caminho que existe pela frente. Até onde nos levará esse caminho ninguém sabe e apesar de não parecer muito iluminado, há que tentar trilha-lo passo a passo para assim tentar chegar a algum lado.

The piano is not firewood yet
But a heart can't be helped
And it gathers regret
Someday you'll wake up and feel a great pain
And you'll miss every toy you ever owned

You'll want to go back
You'll wish you were small
Nothing can solve your crying
You'll take the clock off of your wall
And you'll wish that it was lying     




sexta-feira, 16 de Agosto de 2013

Enquanto passeio um cão...


Enquanto passeio um cão numa noite de verão, de outono ou qualquer altura que queiram, mas nesse caso de noite, podem ser inúmeras as coisas que acontecem e que posso presenciar na qualidade de espectador andante, na qualidade de ser quase insignificante, de ser que passa perante acontecimentos que se desenrolam em universos próprios e com os quais não interfiro activamente.
Simplesmente sigo no meu caminho despretensioso e no decorrer desse passeio aleatório deparo-me com pessoas que escolhem um local mais recôndito, sossegado, reservado e por sinal menos iluminado, para no interior da sua viatura fazerem coisas que não são necessárias estar aqui a explicar [atenção...podem simplesmente estar a conversar]. Continuo o passeio e passo por uma pequena ermida onde diversas pessoas, algumas no interior, outras à porta, se despendem de algum amigo ou familiar que já não está fisicamente entre nós e que repousa no seu sono eterno. Lá vou eu como se no meu universo não houvesse lamentos ou dor como aquela que aquelas pessoas podem estar a sentir naquele momento. Sou somente a pessoa que passa com um cão. Pode-se dizer que não foi uma boa altura para passar naquele local. Mas sigo o meu caminho, não mudo de direcção e vou em frente, percorro mais algumas ruas e começo a ouvir o barulho de tambores. Se ali atrás reinava um ambiente pesado e silencioso, agora deparo-me com um ambiente oposto. Várias pessoas fazem barulho que resultam da mistura de discursos, tambores, palmas e gritos. São as campanhas políticas dos dias que correm e que hão-de culminar algures num dia de Outubro. Mas não me misturo na multidão e passo nas ruas que circundam a zona da azáfama. Eu e o meu cachorro seguimos em silêncio como se na realidade nunca tivéssemos passado ali. Mais à frente, vejo uma pessoa que se aproxima de outra algures no topo de uma escadaria, olho para aquela pessoa e creio que ela também olha na minha direcção, à medida que a distancia se vai encurtando apercebo-me que aquela pessoa é na realidade alguém da minha família, um irmão! No momento que nos cruzaríamos se estivéssemos ao mesmo nível (ambos na rua ou ambos na escadaria) vejo que essa pessoa, que é meu irmão, do meu sangue, em vez de me cumprimentar (mesmo que fosse apenas um breve aceno), apresenta-se de costas voltadas na minha direcção como se ao fim ao cabo eu e o meu cão não tivessem passado ali naquele momento. Será que o meu cão ficou ofendido? Creio que não. Não tenho um Pitbull nem tão pouco um Rottweiller. Terá ele ficado com medo do meu cão?! Creio que não. Afinal de contas, é apenas mais um exemplo de como no fundo podemos acabar por ser insignificantes, mais um exemplo de como a nossa presença pode ser indesejada ao contrário da nossa ausência que pelos visto pode ser mais apreciada.

domingo, 28 de Julho de 2013

Encontrar-te algum dia...

Há coisas que gostaria de te dizer mas que infelizmente não podem ser ditas e ficam comigo porque há coisas que queremos dizer e que para nós podem significar uma coisa e a partir do momento que saem de dentro de nós podem perder todo o seu significado, todo o seu sentido, e isto devido aos mais diversos factores.
Queria dizer que te agradeço [para além das vezes que já o disse], queria dizer que queria estar mais próximo de ti, queria...dizer tanta coisa que me chego a perder nas palavras que não encontro.
Por vezes acredito que posso contar contigo, noutras vezes fico na dúvida, retraio-me, como se me agachasse num canto. Tenho receio do tempo, do passar do tempo, de desperdiçar o meu tempo por saber que haverá sempre barreiras difíceis de ultrapassar. É como estar numa pequena cidade rodeada por uma enorme muralha intransponível (ideia não original, eu sei, veio de um livro). 
Sei que estás algures, mas isso que eu sei, não sei sempre, sei-o só às vezes...
Pergunto-me se algum dia irei encontrar-te... não sei... talvez seja possível.

terça-feira, 30 de Abril de 2013

A música - Pintura

Um som ou alguma coisa verdadeira a existir. A nascer, a crescer, a viver. Uma coisa verdadeira e infinitamente bela a agitar-se no ar do salão. Um lamento. Uma angústia a transformar-se de repente numa alegria grande. A caminhar, a correr, a dançar.
Um sonho bom a transformar-se numa alegria branda.
Glória e espanto. Um som a existir muito. O ar do salão cheio de um milagre invisível. Um segredo profundo a atravessar-nos. Cores. Nenhuma cor. Água, silêncio. Um som ou alguma coisa verdadeira. Tudo isto e nada disto era a música.

Excerto de "Uma casa na Escuridão" de 
José Luís Peixoto e que em parte serviu de base para este trabalho.

A Música - 2012
Óleo sobre Tela
50x60cm