terça-feira, 21 de abril de 2015

Waiting



Há momentos na nossa vida que são marcados por uma espera, períodos de tempo vividos com diferentes intensidades consoante aquilo que representam ou consoantes o resultado final dessa espera que poderá traduzir-se num objectivo concretizado ou algo semelhante.   


Em certas situações há ainda a possibilidade de haver múltiplas "esperas" dentro da "espera principal", como se fosse uma régua com uma série de traços que variam de tamanho, sendo os traços/riscos mais pequenos o percorrer do caminho sem grandes contratempos, enquanto que os traços/riscos maiores seriam equivalentes a momentos-chave, a momentos de maior ansiedade, a momentos que acabam por marcar um antes e um depois. É como se, nesses momentos-chave, fossemos adquirindo novas pistas para seguir em frente, recolhendo fragmentos de informação que servirão de orientação para as etapas seguintes, rumo ao objectivo maior, rumo ao desconhecido. 

Toda essa espera ou esperas, acaba por ser uma forma de enfrentarmos diferentes desafios e sobretudo alguns medos, medos que outrora poderiam não fazer diferença porque estavam ocultos, não faziam parte da equação, não nos diziam respeito, à semelhanças das coisas que sabemos que acontecem por esse mundo fora mas que mesmo assim parecem ser só coisas da televisão e da ficção dos filmes, que só nos dizem respeitam quando nos batem à porta ou à porta de alguém que não nos é indiferente.

Será hoje um momento-chave?! Ou será que no fim de contas, todos os dias são momentos-chave e que nem sempre sabemos interpretá-los como tal?!


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Idade

Apesar de ter a idade que tenho, geralmente não sinto que a tenho. Não que ela não se manifeste fisicamente, pois nesse aspecto não tenho razões de queixa e sinto-a na pele todos os dias. Na outra vertente, posso dizer que grande parte das vezes sinto que parei algures numa ponte à espera que o barco do tempo voltasse a passar para então tentar acompanhar a idade, a idade que tenho hoje e que, se não me engano, deveria ser superior àquela com que sinto e penso determinadas coisas. 
Não me sinto um adolescente nem tão pouco uma criança, mas por vezes tenho alguma dificuldade em me aperceber do verdadeiro tempo que já lá vai e que marca aquilo a que chamamos de idade. 
Talvez por não ter feito determinadas coisas que eram de se fazer na sua devida altura possa pensar que me faltou crescer em certos aspectos, mas se calhar isso é apenas uma espécie de desculpa para algo que é nada, que é apenas um pensamento sem fundamento como um fragmento de inconsciência durante um sonho.
Para muita gente (e como costumam dizer), isso não deixa de ser apenas um número, pois cada um de nós desenvolve-se em função da sua realidade, dos estímulos provenientes do mundo exterior, das circunstâncias e experiências que na realidade acabam por ditar a nossa verdadeira idade, a idade da alma, a idade daquilo que está dentro de nós, situações que ditam em nós a necessidade de crescer e enfrentar a realidade com outros olhos, com outra postura.
No meu caso, as coisas encaminham-se para que este ano possa sentir na pele a responsabilidade da idade, poderá ser como o limar das arestas da realidade, será como abrir uma porta, dar um passo lá para fora, inspirar e conseguir sentir e ver as coisas com maior clareza, mesmo que as perguntas sejam mais abundantes do que as respostas! 



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Noite

No seguimento do post anterior e do comentário deixado por um blogger (não um blogger qualquer) aproveito para deixar aqui mais algumas palavras relacionadas com este tema ... a noite.
Para mim, e creio que para muitas outras pessoas, a noite não assume uma conotação negativa, antes pelo contrário. Mas compreendo que para outras pessoas não seja bem assim e a conotação negativa possa surgir devido às suas características [da noite], com ênfase na escuridão, ou se preferirem, na falta de luz e, por conseguinte, falta de vida, de vitalidade.
Nunca fui pessoa de viver a noite como muita gente o faz, aproveitando esta hora do dia para momentos de diversão, saídas com o pessoal, festanças, alguns exageros, alguma loucura, e, como muitos diriam, aproveitar para viver e gozar a vida. Apesar de não tirar partido dessa faceta da noite, não deixo de considerar esta parte do dia como sendo uma altura especial do dia e, se me perguntarem quais os motivos exactos para que assim seja, não saberei responder ou explicar com precisão.
Posso simplesmente dizer que aprecio a serenidade da noite, a sua tranquilidade, o silêncio, o sossego e o recolher da azáfama diurna e diária. Nessa altura do dia, à noite, há certos sentimentos que vêm ao de cima, palavras, gestos, que querem ganhar vida e que, com o nascer do dia, evaporam-se como se não passassem de um nevoeiro matinal que se desintegra naturalmente. Aprecio as luzes nocturnas e os seus contrastes, aprecio a sua capacidade de nos fazer querer aconchegar, a sua capacidade de nos fazer sentir as coisas com mais afinco. Estamos mais propensos a deixar-nos guiar pelas emoções...aproveitar a noite para recarregar o espírito para mais um dia, para novos desafios.

domingo, 12 de abril de 2015

Frases ... 2


E o Pinguim disse algo do gênero: "Mais vale caminhar na escuridão na companhia de um amigo do que sozinho à luz do dia."


Se estas palavras não me dissessem nada não estavam aqui porque significam aquilo que para mim significa as palavras vindas de um amigo que seja digno desse nome.

domingo, 5 de abril de 2015

Kinder Surpresa


Não venho aqui dar primazia aos aspectos mais consumistas desta quadra que culmina neste Domingo de Páscoa, pois sei que para algumas pessoas os motivos de celebração são verdadeiramente diferentes, ou não estivéssemos a falar da ressurreição do Senhor. Uma época e oportunidade para parar um pouco, reflectir e fazer renascer a luz [para quem preferir ... a alma] que têm dentro de si e usá-la como guia para o caminho que têm pela frente e aprender que por vezes é necessário fazer determinados sacrifícios em prol de um bem maior, de algo relacionado não só consigo próprio mas também com aqueles que, ao fim ao cabo, também são parte de si porque são elementos que nos compõem, que nos completam.
Voltando à primeira frase deste post, não vou mentir e dizer que não gosto de algumas amêndoas e ovos de chocolate, que não como em demasia, mas esta Páscoa recebi de oferta um grandioso ovo Kinder [não pretendo fazer publicidade] e obviamente que o que este ovo tem de espacial é que tem uma surpresa no seu interior e eu gosto de surpresas, de surpresas agradáveis diga-se passagem! Pois já quando se trata de surpresas que possam ter a ver com algo mau, posso dizer que o sentimento é exactamente o oposto, pois aí já se trata de uma ansiedade desgastante, que dispenso e não recomendo a ninguém. Vou ter de esperar mais um pouco até saber o que a sorte me reserva.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um pessoa fria...


Regra geral sou considerado uma pessoa pouco faladora, um tanto reservado e introvertido. Muitas vezes as palavras escritas conseguem dizer mais do que aquelas que ganham uma sonoridade ou uma forma a partir do pensamento. Mas essas coisas já eu sabia, do mesmo modo que também tenho noção que essa é a percepção que possam ter de mim. Quem já me conhece minimamente, sabe que é essa a minha maneira de ser, sem estranhar. O que foi novidade foi ter sido considerado uma pessoa FRIA! Segundo o meu entender, uma pessoa com essas características ou com esse atributo [fria] é uma pessoa que não se importa com os outros, uma pessoa que tem tendência para ofender os demais e possivelmente algo egocêntrica, que não demonstra dar uso às suas emoções [minimamente positivas] ou sentimentos que não seja para fazer os outros se sentirem mal, não se preocupando que se afastem perante tal comportamento ou atitude.

Não critico nem reclamo a liberdade que cada um tem para formular a sua própria opinião acerca das outras pessoas, contudo, acho de mau índole quando as pessoas usam essa liberdade para caracterizarem dessa forma, não fundamentada, as pessoas que nem sequer conhecem ou com quem nunca tiveram oportunidade de falar, e, quando digo falar, refiro-me a um diálogo com principio meio e fim, de carácter minimamente pessoal. Felizmente a origem desse atributo não me preocupa porque é o mesmo que saber que centenas de milhares de pessoas por esse mundo fora podiam achar a mesma coisa e caracterizar-me dessa mesma forma porque na verdade, todo esse infinito de pessoas não me conhece.

Vou arranjar uma fogueira ou uma lareira para me aquecer um pouco.

terça-feira, 24 de março de 2015

O teu presente, o teu passado e o teu olhar

O teu presente... não o conheço. Posso pensar que sim, mas na realidade apenas conheço, ou sei, aquilo que os olhos vêem e o que o coração sente. 

O teu passado... conheço menos ainda, pois não faço a mínima ideia quais poderão ter sido a peripécias de uma vida que presentemente parece que se encontra numa corda bamba que, ora balança para um lado, ora balança para o outro, correndo o risco de se tornar um tracejado que termina sem nunca se tornar numa linha contínua. É com pena, com pesar, que vejo o divagar da tua pessoa que caminha sem destino, como se os comandos estivessem a cargo de um piloto automático inconsciente, não programado para retomar o rumo certo quando a vadiagem da vida soma pontos consecutivamente. 

Não sei se algum dia terás a força necessária para saltar as barreiras que há muito já deves ter aprendido a ignorar mesmo sabendo que o chão que pisas parece andar para trás levando-te com ele, não te deixando seguir em frente mesmo que permaneças sem movimento, sem teres propriedade dos teus próprios passos. É com tristeza que vejo o teu olhar perdido algures, olhar esse dissociado da tua pessoa, dissociado do mundo que te rodeia.


sábado, 21 de março de 2015

Welcome to the Jungle ...Novo Amor

Não, não vou falar do filme nem tão pouco dizer que tenho um novo amor :-P;
Existem anúncios que são uma grande seca e uma total perda de tempo...felizmente na maior parte das vezes temos a opção de simplesmente não os ver. Contudo, existem outros que têm o seu mérito, a sua originalidade e fazem-nos querer vê-los e felizmente, alguns desses trazem um extra, uma espécie de oferta na forma de música como foi o caso daquela que deixo aqui neste espaço! A música não é original de Novo Amor, é um cover de uma música dos Guns n Roses, mas devo dizer que prefiro obviamente a versão do cover.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Hoje e amanhã

Cada um usa a sua sorte ou o seu destino conforme pode e acha que deve, e, seguindo por esse prisma, cada qual supostamente é responsável pelas decisões e opções até então. 
Assim surge a questão ... até que ponto podemos justificar-nos (a nós próprios e aos demais) que as más escolhas que fizemos não são culpa nossa, ou que as escolhas certas são fruto do nosso mérito?! Chego obviamente à conclusão que as coisas não se resumem a algo tão simples como um sim ou um não, a resposta é bem mais complexa, pois a vida não é pintada a preto e branco, está repleta de cores, tonalidades e diversas nuances que diferem de dia para dia, de pessoa para pessoa, de situação para situação.

Se hoje és tu que precisas de ajuda, amanhã poderei ser eu a precisar da tua ajuda ou da ajuda de alguém, de alguma outra pessoa. Há que tentar deixar que o bom senso nos guie e que sejamos capazes de tirar partido da capacidade de ajudar o próximo sem que isso seja resultado de uma equação de interesses. 
Por vezes ter a possibilidade de ajudar e mesmo assim negar essa ajuda devido a algum receio (justificado) é suficiente para acender um rastilho que lança no interior uma dor feroz e silenciosa que nos revolve e nos deixa envolvidos num nevoeiro denso. É uma espécie de luta que se trava contra a consciência, não que se trate de egoísmo, mas antes talvez de uma questão de ter coragem para prestar outro tipo de ajuda ... algum tipo de ajuda que pudesse ser mais eficaz a longo prazo e não apenas na perspectiva do desenrasca. Infelizmente há decisões que são tomadas de forma relativamente espontânea devido a circunstâncias do momento, e esse é um dos motivos que se nos apresenta como um convite para entrar no ringue e travar mais um combate.



sábado, 14 de março de 2015

O Filho de Mil Homens



Embora os últimos posts possam parecer que servem de publicidade para autores portugueses, a verdade é que não têm qualquer objectivo publicitário, mas sim de partilha. Para além disso o facto de os deixar aqui é porque a sua leitura o justifica [no meu entender obviamente]. 
Este (post), como o título indica, é dedicado ao livro "O Filho de Mil Homens" de Valter Hugo Mãe. Li-o na sequência da leitura do livro "A Desumanização" e quando digo na sequência não me refiro ao facto de as histórias estarem interligadas, pois não estão, digo-o simplesmente porque foi o prazer de ler um que me levou a querer ler o outro e foi uma escolha acertada.


Este livro fala sobre a vida, sobretudo na perspectiva de uma vida solitária que é o caso de algumas personagens que sentem na pele a solidão e como se isso ainda não bastasse, têm também de sentir a injustiça do olhar, da cobiça e do mau agouro das outras pessoas sobre as suas vidas. De uma forma muito peculiar e inesperada as vidas das personagens deste livro vão-se compondo aos poucos como, se no final de contas, tudo não passasse de uma mensagem de esperança para aqueles que pensam que o tempo que resta está perdido por natureza. A título de exemplo e não querendo deixar spoilers, temos o Crisóstomo que aos 40 anos ainda não encontrou a mulher para a sua vida e que também gostava de ter um filho para assim poder dar algum sentido à sua existência, para se poder sentir completo ... A Isaura que parece não conseguir ultrapassar a infelicidade de estar só e de se sentir feia aos olhos dos outros, outros esses que na sua maioria só sabem dizer que de bonito ela tem o nome, mas certamente que não será assim e quando ela menos espera pode ser que a vida lhe reserve alguma surpresa... O Camilo que é filho da anã, mulher pequena cuja vida é passada a pente fino pelas vizinhas devido a essa sua condição física e cujo facto de ter uma cama de tamanho de gente grande acaba por ser um grande mistério...até que vem o Camilo, o seu filho, outra razão para haver um alvoroço na aldeia. 
O Antonino, filho de Matilde, sofre na pele a crítica à sua condição de homossexual, ou de maricas, condição essa que por vezes é exprimida neste livro de forma cruel (mas que não foge ao que muita gente enfrenta na vida real), embora o autor consiga também abordar este assunto de forma bastante interessante e até engraçada devido à sua escrita muitas vezes poética... A Matilde que teve na vida um só filho e que mesmo assim se sente derrotada por pensar que deu um mau fruto ao mundo e vive na constante dualidade de querer aceitar e rejeitar aquilo que é seu, o seu filho! Existem mais umas quantas personagens interessantes que se vêem envolvidas em situações que chegam a ser cómicas sem serem absurdas e que fazem deste livro uma óptima leitura. 
Se por ventura alguém aqui passar e conhecer outros livros de Valter Hugo Mãe que sejam tão bons quanto esse ou Desumanização, faça o favor de sugerir que eu agradeço :-).

"O Crisóstomo começou a pensar que os filhos se perdiam, por vezes, na confusão do caminho. Imaginava crianças sozinhas como filhos à espera.
Crianças que viviam como a demorarem-se na volta para casa por terem sido enganadas pela vida. Acreditou que o afecto verdadeiro era o único desengano, a grande forma de encontro e de pertença. A grande forma de família.
Sentia uma urgência grave sem saber ainda o que fazer."

"Quem tem menos medo de sofrer, tem maiores possibilidades de ser feliz."

"A anã fazia um arroz de brincar e juntava-lhe um pedaço pequeno de bife e comia como a brincar, tão pouquinho quanto engraçada, num banco de bonecas à sua mesa especial, com tamanho para ser só um banco maior do que o banco de sentar. Comia pouquinho porque não lhe dava a natureza uma grande fome.
Muitas vezes, levavam-lhe meio coelho e meio frango e até das couves lhe levavam as pequenas, escolhiam cenourinhas e se vissem alguma batatinha mais mirrada sorriam, como se por natureza fosse comida para a anã. Achavam, por isso, que era barata a vida dela, como se pudesse ser feita com as sobras do que escapava às bocas grandes."

"A Isaura sabia que amava alguém por vir, amava uma abstracção de alguém no futuro. Ela esperava o futuro, e esperar era já um modo de amar. Esperar era amar. Certamente, amava de um modo impossível o futuro...
E chorou sem qualquer convulsão porque aceitou chorar. Aceitou chorar. Havia muito que não o fazia. Talvez tivesse percebido que a natureza era, toda ela, uma expressão exuberante e que manifestar os seus sentimentos seria uma participação ínfima nessa honestidade do mundo. Talvez tivesse percebido que usava de honestidade consigo mesma pela primeira vez em muitos anos.
Disse: estou sozinha. E repetiu: estou sozinha. Desatou a falar como se não suportasse mais a boca fechada. Era uma mulher carregada de ausências e silêncios."

"O toque de alguém, dizia ele, é o verdadeiro lado de cá da pele. Quem não é tocado não se cobre nunca, anda como nu. De ossos à mostra."

"Quando se conhece alguém, pensou o Crisóstomo, procuram-se as exuberâncias dos gestos, como para fazer exuberar o amor, mas o amor é uma pacificação com as nossas naturezas e deve conduzir ao sossego. O gesto exuberante é um gesto desesperado de quem não está em equilíbrio."

"Talvez os homens maricas o fossem por sofrerem demasiado com coisas nenhumas. A Isaura surpreendia-se com esse pensamento. O Antonino por casa a contar-lhe como estavam as peripécias da sua vida e aquela emoção constante, e ela a achar que ele era delicado, a escolher sofrer meticulosamente por cada assunto, como se em cada assunto da sua mãe estivesse em causa o seu lugar de filho. Como se fosse filho da Matilde ainda antes de pensar em si como um homem adulto, despegado de cordões umbilicais, saias e saiotes. Era delicado. A Isaura chegou-se perto dele e investigou a expressão honesta do seu rosto. O modo como se expunha diante dela e a tratava como uma amiga. Ela nunca fora amiga de ninguém."

"Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser."


"Ficaram os três alinhados e com expressões de um encantamento tão terno quanto ridículo. Ela perguntou: o boneco tem nome. Ele respondeu: não. Ela disse: que sorte, assim não precisa de ser ninguém. Quem não é ninguém não lhe falta nada. Nem lhe falta o amor, nem espera por nada."