sábado, 24 de janeiro de 2015

A Desumanização - Valter Hugo Mãe


Já há algum tempo que planeava ler este livro mas fui adiando até que finalmente tive oportunidade de o ler. Não sabia bem o que esperar, apenas tinha lido a sinopse e tinha também uma vaga, apenas vaga, ideia deste livro ter recebido boas criticas. 
Uma vez que estava curioso em relação à história e à escrita em si, avancei para a sua leitura e o resultado foi bastante positivo. Posso afirmar que foi daqueles livros que me desse bastante prazer de ler. Gosto de livros que apesar de terem uma história relativamente simples (fala da relação ou ex-relação entre duas irmãs gémeas, em que uma delas morre(isso não é spoiler, está logo na primeira página!), e o que isso vai desencadear no seio daquela família simples que vive nos fiordes da Islândia (embora seja muito fácil por vezes imaginarmos que estamos numa simples aldeia próxima de nós quando não são dados pormenores que nos levem mesmo para a Islândia) conseguem mesmo assim tornarem-se algo grandiosos porque a genialidade da sua escrita assim os torna.
Não sei se outras pessoas serão da mesma opinião, mas em certas ocasiões parecia um pouco como estar a ler José Luís Peixoto e não refiro isso como uma comparação que tenha como objectivo valorizar um em detrimento do outro, pois cada uma das escritas desses 2 autores portugueses têm o seu lugar marcado e definido. Juntamente com eles poderia também estar Andrea del Fuego!
Neste livro podemos encontrar temas como a religião, a morte, o amor, a família, a amizade através das relações entre as personagens [não muitas, mas suficientes] e com o mundo que as rodeia, temas esses que ao longo das páginas deste livro podem até assumir um carácter cómico e com algum humor negro que fazem também as delícias de quem lê este livro.

Deixo aqui algumas passagens/pequenos excertos e não seria talvez difícil escolher mais partes do livro muito interessantes.

"Achei que a morte seria igual à imaginação, entre o encantado e o terrível, cheia de brilhos e susto, feita de ser ao acaso. Pensei que a morte era feita ao acaso."

"Eles são o paraíso, porque um homem sozinho é apenas um animal. A humanidade começa nos que te rodeiam, e não exactamente em ti. Ser-se pessoa implica a tua mãe, as nossas pessoas, um desconhecido ou a sua expectativa. Sem ninguém no presente nem no futuro, o indivíduo pensa tão sem razão quanto pensam os peixes. Dura pelo engenho que tiver e perece como um atributo indiferenciado do planeta. Perece como uma coisa qualquer."

"Ele insistia explicando-me que as crianças eram modos de espera. Queria dizer que as crianças não tinham verdades, apenas pistas. O seu mundo fazia-se de aparências e tendências. Nada se definia. Ser-se criança era esperar. Também significava que queria de mim admirável força sem outro sustento que não o da idade. Deixava-me à sorte, cheia de palavras estranhas cujo significado me custava encontrar."

"Só existe a beleza se existir interlocutor. A beleza da lagoa é sempre alguém. Porque a beleza da lagoa só acontece porque a posso partilhar. Se não houver ninguém, nem a necessidade de encontrar a beleza existe nem a lagoa será bela. A beleza é sempre alguém, no sentido em que ela se concretiza apenas pela expectativa da reunião com o outro."

"Algumas coisas, como deus, existiam sem nome. Talvez nós próprios não tivéssemos nome e andássemos iludidos com aquele que usávamos. Talvez nós próprios fôssemos outra coisa que não aquilo que nos habituáramos a pensar ser."

"A morte é a simplificação das almas. Deixa-as libertas dos infinitos pormenores do corpo. Libertas da sua vulnerabilidade. ... O corpo suja a alma."

"Eu dissera que me pus grávida sem maldade....Calava-me. Contara que crescera a barriga e que vinham dores como se os filhos aparecessem de dentro dos ossos. Sentia que me ir partir, dividir. A minha mãe, furiosa, amaldiçoando tudo, culpando-me da gula da sensualidade, acusava-me de não me ter limpa para o fardo belíssimo da...."

"Acreditava que as nuvens iam descer. Pousariam nos nossos caminhos, gordas, a tapar os lugares e a prender as pessoas em casa. Depois, as nuvens iam ficar pesadas e as casas iam abater. Até abaterem todas e as pessoas ficarem lá dentro, desfeitas em fantasmas. As nuvens comem os fantasmas."

"Eu perplexa, achava que tanta teoria e enfeite das partes intimas era como querer ter um pássaro no lugar de ter outra coisa tão diferente. Ia ser mito bom se, ao menos em algumas ocasiões, tivéssemos um pássaro em troca do rabo, um pássaro em troca do estômago, um pássaro em troca do coração. Quando nos fosse melhor, mais conveniente, daríamos por um pássaro o embaraço, a fome, o desgosto ou o medo. Talvez, por embaraço ou sonho, puséssemos às vezes o pássaro a voar."

"Pensava que os livros eram animais de barriga imensa para onde caiam os leitores, puxados por textos inquinados, maquiavélicos, feitos de malícias, maldades, mentiras, deturpações, transformações do que era certo em condutas erradas. Os livros tinham presas e dentes afiados e comiam gulosamente as pessoas."

"Prestávamos atenção às palavras para sabermos como eram dias as coisas. Porque alguns livros pareciam perfumar a linguagem outros sujavam-na e outros ignoravam-na. Os livros podiam ser atentos ou desatentos ao modo como contavam. Nós inspeccionando muito rigorosamente, achávamos melhores aqueles que falavam como se inventassem modos de falar. Para percebermos melhor o que, afinal, era reconhecido mas nunca fora dito antes. Os melhores livros inauguravam expressões. Diziam-nas pela primeira vez como se as nascessem."

"Havia na imagem desolada do casal uma resignação qualquer. Do corpo um chegava ao outro a energia única. Percebi, ..., que eram unos, mesmos, súbita e finalmente comungando de tudo como quem chegara a uma decisão, a uma conclusão.... Só um afecto maduro poderia resultar na cumplicidade que mostravam. Trancados igualmente por dentro."

"Quando passaram, vi bem visto. Teria adorado abater-me ladeira abaixo para lhes surpreender o percurso. Poderia ter nascido pedra e rolar naquele instante por pensar melhor do que andvam a pensar os homens. A brancura aparatosa da minha ...reclama a luz. Era uma lâmpada de má luz, invjeosa. Aturdindo. A minha ... estava vestida de urso feliz. Abria e fechava a boca como se lhe faltasse o ar. Como se todo o ar fosse pouco.... Um animal feroz momentaneamente a imitar a felicidade humana."

"A felicidade das coisas erradas era uma mistura de bem e de mal que deixava quem assistia num impasse, entre permitir-se seguir na diversão ou ficar preso no receio."

A desvantagem de ter sido esse "A Desumanização" o primeiro livro de Valter Hugo Mãe que li, é que esse é o seu livro mais recente...e fica a questão...será que os anteriores serão do mesmo nível e serão eles interessantes para o meu gosto tal como este foi?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Eye [I] Origins


Poderão os olhos ser realmente a janela para a alma? Há quem diga que sim...aqueles que crêem em algo como a alma ou o espírito, aqueles que crêem em algo transcendente à ciência e à razão das coisas serem como são, algo transcendente a um conjunto de elementos químicos e moleculares que tentam justificar tudo aquilo somos e sentimos, aqueles que crêem que esse ser-ser e esse sentir-se continua e continuará a ser um verdadeiro mistério. Será tudo "apenas" o resultado da interacção ou combinação de diversos elementos e circunstâncias que fazem cada um de nós sentir e agir de forma personalizada e em resposta a essa combinação?! É mais uma daquelas questões que dificilmente terá resposta e que muitos de nós traz à tona do mar de pensamentos de tempos a tempos....ou quando se vê filmes como o I Origins onde a ciência e a espiritualidade são colocados frente a frente numa espécie de campo de batalha para ver quem sai vencedor.



Uma coisa é certa, sendo ou não sendo uma janela ou espelho da nossa alma, os olhos são certamente uma ferramenta de comunicação determinante, mesmo que por vezes isso aconteça de forma involuntária. Ferramenta essa que podemos ter vergonha de usar por revelar mais do que devia em certas ocasiões e, em outras ocasiões, não a utilizamos porque o que para nós pode ser um deleite, para as outras pessoas pode ser um constrangimento. Alegria, tristeza, desconfiança, simpatia, surpresa...são apenas algumas das emoções que um simples olhar consegue transmitir de forma espontânea e verdadeira quando o sentimento é genuíno [obviamente].

Para acompanhar estas palavras deixo aqui uma música que não é nova e pode parecer cliché, mas não só para quem quiser...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Will Grayson e Will Grayson


Um nome, um destino... é mais ou menos o lema desse livro que conta com a participação de John Green e David Levithan (nunca tinha lido nada deste autor). Não recomendo a continuação da leitura deste post para quem pretende ler o livro, pois é capaz de ser um texto tipo spoiler...não que eu vaia contar especificamente muito do acerca do que acontece no livro, mas ainda assim...

O livro e a história em si acabaram por ser uma surpresa, nem sempre agradável dado que por vezes o livro mais parece uma comédia romântica g.a.y. (CRG) e não era bem isso que estava à espera, pois não previa nada disso quando li a sinopse deste livro, que diz o seguinte:

Evanston não fica muito longe de Naperville nos subúrbios de Chicago, mas os jovens Will Grayson e Will Grayson bem que podiam viver em planetas diferentes. Quando o destino os leva à mesma encruzilhada, os Will Graysons veem as suas vidas a sobreporem-se e a seguirem novas e inesperadas direções. Com um empurrão de amigos novos e velhos - incluindo o enorme e enormemente fabuloso Tiny Cooper, jogador ofensivo na equipa de futebol americano da escola e autor de musicais - Will e Will embarcam nas suas respetivas aventuras românticas e na produção épica do musical mais extraordinário da história.


Felizmente o livro é mais do que isso, do que uma CRG, e consegue ser divertido, cómico e focar-se noutros aspectos que podem estar relacionados um pouco com todos nós como é a questão da amizade, o amor e a forma como nso relacionamos com as outras pessoas. Dispensava talvez o excesso de glee que pode estar presente em alguma parte do livro, mas repito, isso não faz com que se queira deixar de o ler por causa disso, pois deve-se considerar que isso faz parte do conjunto. As personagens em si são, em alguns aspectos, as típicas personagens adolescentes de John Green, mas, com a participação de David Levithan, há algumas diferenças e alguns aspectos que se calhar não são muito frequentes nas histórias de John Green e creio que isso foi fundamental para a criação de dois Will Graysons (claro que pode-se também colocar a questão que é o mesmo que criar duas personagens diferentes e atribuir-lhes o mesmo nome)!
É interessante a forma como o livro está organizado, pois cada capítulo é escrito na perspectiva de cada Will Grayson e é escusado dizer que é com expectativa que aguardamos o momento em que os dois Will Graysons se vão cruzar e que impacto terá esse acontecimento no decorrer das histórias das personagens e do livro em geral. Creio que foi bem conseguida a colaboração destes dois autores visto que ambos tiveram certamente que moldar as várias personagens e conseguir uma interacção "realista" entre elas.


Infelizmente parece-me (isto a julgar pelas tentativas de criarem trailers para o livro e tentarem atribuir caras às personagens com recurso a fotos de actores ou actrizes) que o livro possa ser demasiado utilizado como um voto à homossexualidade (homofobia à parte claro).

domingo, 4 de janeiro de 2015

Frases...1

Não é costume deixar aqui citações ou frases, pois geralmente gosto de dar alguma corda aos dedos e deslindar um pouco as ideias, os devaneios... Mas hoje, e provavelmente noutras ocasiões futuras, fica aqui uma.


"Às vezes fazemos as escolhas erradas para chegar aos lugares certos ."


obtida do filme The Equalizer

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Deixe e Neve Cair...



Em jeito de pressa para ainda tentar apanhar os resquícios da época Natalícia que gradualmente se desvanece de nós e das nossas casas, deixo aqui um ligeiro comentário a este livro que li (à semelhança do que fez um amigo meu) porque merecia ser lido na sua devida altura que é precisamente o Natal. Fez todo o sentido e toda a diferença lê-lo nessa semana de Natal que se passou e afinal de contas valeu a pena guardá-lo para ser "consumido" na altura certa.

Quanto ao livro em, conta com a participação de 3 autores: Lauren Myracle, John Green, Maureen Johnson; em que cada um deles conta uma pequena história que envolve o Natal e que estão interligadas. Obviamente que à medida que nos vamos aproximando do final vamos ansiando que as histórias se envolvam mais umas nas outras e digamos que a neve, em conjunto com o Natal e as personagens jovens das histórias, ajudam a passar uns momentos agradáveis aquando da leitura deste livro.
Dos 3 participantes só "conheço" John Green, mas posso dizer que a escrita é muito semelhante ao longo das 3 histórias (para quem já conhece a escrita de John Green certamente que irá gostar) de modo que, quem as ler sem saber quem as escreveu, pode muito bem ficar baralhado, pois eu próprio arrisquei fazer isso e dei-me mal. Se fosse uma aposta teria perdido!

Infelizmente por estas bandas não há neve, por isso a o mais parecido com neve que vi neste Natal foi o que estava no livro!


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Uma espécie de respeito...


Não sendo uma obrigação, mas antes uma espécie de "respeito" para com este meu espaço, não podia deixar de cá vir hoje para deixar algumas palavras, muito possivelmente as últimas desde ano, já que, não sendo eu muito diferente da maioria das pessoas, é normal nesta altura nos referirmos aos eventos [ou às coisas mais simples] que vão acontecendo nestas últimas horas ou dias como as últimas deste ano, uma espécie de tradicional ano em revista [claro que neste post não vou rever 2014].

Regra geral não faço listas com aquilo que pretendo fazer ou alcançar no ano seguinte e doravante não tenho nenhuma checklist alusiva a 2014 na qual tivesse assinalado o que consegui fazer e o que não consegui e a vantagem de não ter essa lista é que agora não preciso olhar para ela e verificar que uma série de coisas ficaram por fazer...a desvantagem [de não ter tal lista] é que haveria coisas que sendo marcadas certamente estariam mais presentes e nos lembrariam que haveria objectivos a cumprir, metas a alcançar e quem sabe hoje podia sentir-me mais realizado e ter menos presente aquela sensação de que já se passou mais um ano...mais um ano quase num abrir e fechar de olhos [OK não tão depressa, pois há sempre certos momentos, sobretudo os mais desagradáveis, que fazem o tempo parecer uma lesma].

Neste preciso momento posso mentalmente enumerar algumas coisas que gostaria que acontecessem em 2015 e essas que penso, são certamente coisas que terão de contar com a minha participação activa/directa e por isso espero que elas sejam possíveis de serem realizadas e que possa estar aqui novamente dentro de um ano com saúde e energia para dedicar algumas palavras a este meu espaço e sobretudo àquelas poucas pessoas que dedicam algum do seu tempo a ler-me...a essas pessoas um bem haja e um Óptimo 2015!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Por natureza ou tradição e a Família

Por natureza ou tradição, esta é aquela altura do ano em que o conceito de família ganha ainda mais importância. Vasculhamos nas nossas memórias e aproveitamos para reviver a sós, ou na companhia daqueles que mais gostamos, momentos que pertencem ao passado e que regra geral ficaram memorizados pelo seu carácter positivo. É com saudosismo que revisitamos esse espaço temporal e é com tristeza e pesar que nos lembramos daqueles que já não estão connosco e é com igual tristeza que também falamos (nem que seja com nós próprios) daqueles que por motivos pessoais (que podiam ser evitados se um sem número de circunstâncias infortunas não ocorressem, mas de que nos serve lamentar o passado se nada fazemos para mudar o presente?!) não têm a possibilidade de estar connosco em alturas como estas, alturas em que a companhia da família e dos amigos (para quem os tem) ganha contornos ainda mais especiais, sendo essas as migalhas que podem alimentar-nos a alma.
Sei que não irás ler estas palavras e que também certamente as mesmas não te serão ditas, mas a tua solidão e a tua possível mágoa e tristeza acabam por ser igualmente dilacerantes para mim, para nós todos...assim, faço da música que aqui deixo o resto das minhas palavras.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um Feliz Natal


A todos aqueles que dedicaram algum do seu tempo a este meu espaço e com quem tive oportunidade de partilhar algumas destas palavras escritas (mesmo que não sejam tantas quanto gostaria), desejo um Feliz Natal e que este seja o melhor possível para cada um de vós à sua maneira!


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Os Interessantes - Meg Wolitzer

Uma das coisas que me faz saber que gostei de um livro é a vontade que sinto de o querer partilhar com quem me seja próximo (e não só) e a quem eu ache que  livro em causa também possa agradar. "Os Interessantes" de Meg Wolitzer é sem dúvida um desses livros. Li-o porque ele desde logo me despertou a atenção ( incluindo a sua capa) e o facto de também ter sido recomendado por algumas pessoas que o leram e cujas opiniões são fiáveis.



Posso deixar aqui a sinopse do livro, mas creio que dizer que o facto de nos sentirmos como um elemento invisível que acompanha os vários momentos da vida daqueles amigos cuja história é relatada neste livro, é bem mais interessante. É exactamente isso que o livro tem a capacidade de fazer...consegue levar-nos para junto daquele grupo de amigos como se fossemos também parte do grupo e quiséssemos partilhar com eles as nossas vivências sem que para isso tenhamos de ter tudo em comum com eles, já que eles próprios têm as suas próprias personalidades e feitios e é isso que também os torna interessantes.
Não raras as vezes penso em mim em termos quantificáveis de interesse que a minha pessoa poderá comportar e em igual proporção tenho dificuldade em chegar a um resultado satisfatório, mas por outro lado, posso também concluir que cada um de nós acaba por ser interessante à sua maneira e que só quem realmente se importa connosco é que nos pode guardar nessa categoria.

Ficção ou não, é realmente de salutar aquelas pessoas que, à semelhança do que acontece no livro, têm a capacidade, a possibilidade e coragem de conseguir manter viva a chama de uma amizade ao longo de toda uma vida, pois essa (a amizade) é uma das maiores riquezas que se pode ter, uma amizade verdadeira, e creio que não são muitos os que, infelizmente, conseguem beneficiar disso. É correcto dizer que a amizade que recebemos está relacionada com a amizade que oferecemos e nos dias de hoje, ter um amigo que seja digno desse atributo "AMIGO", é um feito considerável.

E falando do livro propriamente dito e da sua escrita, posso simplesmente dizer que em momento algum me senti aborrecido ou que estivesse a achar a(s) história(s) desinteressante(s). Uma escrita perspicaz e com uma grande capacidade de observação são certamente factores que contribuem para isso.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Luz Insubmissa II - Paulo Damião

"A Luz Insubmissa II" é a mais recente exposição de pintura (em terras Açorianas) do artista Micaelense Paulo Damião, e que teve lugar em Ponta Delgada.

Foi obviamente com agrado que tive oportunidade de apreciar pessoalmente este novo conjunto de obras que compõem esta exposição. Conheci as obras deste artista quando da presença de uma outra exposição dele na ilha de São Miguel e já lá vão mais de 7 anos!!! Na altura registei aqui no blog algo sobre a referida exposição e sabe bem poder voltar atrás e encontrar esta referência.

http://fragmentosrepartidos.blogspot.pt/2007/06/no-abismo-secreto-do-peito.html

Este novo grupo de trabalhos surge de certa forma no seguimento dos trabalhos anteriores e apesar de se notar uma grande evolução (embora em termos artísticos esse termo"evolução" possa ser muito relativo, pois o artista pode simplesmente expressar-se de formas diferentes não querendo com isto dizer que os trabalhos sejam obrigatoriamente melhores agora do que eram antes), através de certos detalhes, podemos contemplar novamente uma série de personagens enigmáticas que olham muitas vezes para nós na esperança de lhes dizermos o que fazer, olham-nos nos olhos com um olhar sincero, mas que, apesar de ser um olhar verdadeiro, deixa-nos ao mesmo tempo inseguros porque, tal como as personagens, sentimo-nos observados, indecisos, desprovidos de um contexto e de um fio condutor que nos permita decidir o que lhes dizer, que nos permita saber como retribuir-lhes o olhar, pois alguns deles conseguem mesmo desafiar-nos porque já estão ali a aguardar por nós há tanto tempo que já se sentem confortáveis no meio daquela neblina característica daqueles mundos aquosos. Teremos uma reposta para eles ou seremos nós a esperar uma resposta deles?!

É certamente um conjunto de obras que nos prendem e que pedem a nossa observação atenta, pedem o nosso olhar como forma de comunicação, de interacção, não sendo possível, pelo menos na minha opinião, passar por estas personagens e ficar indiferente.






A seguinte música, que por acaso ouvi hoje (diga-se de passagem que não é o tipo de música ou idioma de música que costumo ouvir), tem certos ingredientes que vão ao encontro de algumas das telas presentes na exposições, embora reconheça que em certas partes da música, o ritmo presente não seja o mais apropriado, pedindo outro tipo de música.