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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2011

A Rapariga que roubava Livros

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A morte...o que é a morte?! Pode ter infinitas definições, e resumidamente, pode ser um "simples" momento, o derradeiro momento em que nos apagamos, desligamos o interruptor e embarcamos numa suposta nova viagem que pode ter mil e um destinos, como também pode não ter nenhum, e ser absolutamente nada, simplesmente o vazio.
As palavras que venho aqui deixar, não têm forçosamente a ver com a morte propriamente dita, ou com o seu peso negativo, o seu fardo, mas sim com a leitura de mais um excelente livro: "A rapariga que roubava livros", no seu título original, "The Book Thief". A razão pela qual a morte é para aqui "chamada", tem a ver com o facto de ela ser a narradora da história que encontramos no livro. É certamente uma forma original de pensar na morte e olhar para ela noutra perspectiva. Ela, de tanto carregar nos seus braços as almas que abandonam os corpos das pessoas a quem pertenciam, acaba por ter também uma espécie de alma dentro de si…

Almoço no jardim

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Um jovem casal demonstra os seus afectos, um grupo de rapazes conversam entre os elementos do grupo como se fossem um gang a combinar qualquer coisa, num jogo de palavras e movimentos que parecem uma dança. Aqui e ali encontram-se aqueles que serenamente observam o tempo, as outras pessoas, os carros. Algures em frente a um dos bancos do jardim, alguém faz do chão, duro e frio, a sua cama durante algumas horas (quantas, não sei). Umas horas de evasão do que se passa no mundo acordado. É algo que desperta a atenção, mas já não a retém por muito tempo porque as pessoas já estão de certa forma imunes a essas situações e por isso, para além de um possível breve comentário verbal em caso de passarem acompanhadas, resta somente um olhar de soslaio, minimamente surpreendido. No mundo acordado, e mesmo assim parado para alguns, os outros continuam as suas vidas. Os seus beijos e abraços, as suas conversas, os seus olhares, a revelarem alguma reflexão, os passos que as conduzem de um local par…

Refúgio nos livros

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Desde há uma semana para cá, ou mais, que me refugio nas páginas do livro que ultimamente me tem feito companhia nas hortas supostamente "mortas". Abro uma porta e entro para o mundo do livro. Alheio-me da realidade porque nos dias que correm, há situações a decorrer que me entristecem e preocupam. Fujo para o livro e apesar de entrar directamente para as ruas de Munique, numa Alemanha em plena 2ª Guerra Mundial, repleta de conflitos, regras, injustiças e atrocidades, sinto-me estranhamente seguro e intocável. Talvez seja por acompanhar a narradora do livro, que não é nada mais, nada menos que a morte "em pessoa" ou em voz. Vagueio com ela através das aventuras da rapariga que roubava livros, a pequena Liesel Meminger, que, embora seja uma ladra de livros, não é má rapariga, antes pelo contrário. Ou não fosse ela e os seus amigos mais próximos, o reflexo de uma infância com momentos que todos nós gostamos de recordar de vez em quando (obviamente que esses momentos …

Dia dos Amigos

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Por estas bandas, celebra-se hoje novamente o dia dos amigos, um dia dedicado ao festejo da amizade. Como não podia deixar de ser, e à semelhança do o que acontece com outras comemorações que ganham um dia especial no calendário, há muitas ideias e opiniões que divergem umas das outras. Para uns trata-se de mais um dia normal na companhia dos amigos do dia-a-dia, na sua versão mais comum, dos colegas de trabalho. Para outros é um dia que merece ser verdadeiramente festejado, mas o facto de o dia ser dedicado aos amigos, talvez para esses não passe de apenas mais um pretexto para poderem fazer coisas que noutro dia da semana, do mês ou do ano, se sentiriam de certa forma mais inibidos ou sem justificação para tal, deixando-se assim dominar por alguns excessos em diversas vertentes. As esses vale que é sexta-feira no dia seguinte e se a consequência for apenas uma ressaca, o fim-de-semana poderá ajudar, ou não.
Para outros, sobretudo para aqueles que frequentemente pensam na amizade e te…

Generation A - Douglas Coupland

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Em "Geração A", ou "o livro das Abelhas" como algumas pessoas gostam de o chamar :-) (e repito aqui porque sei que essa pessoa não irá levar a mal o uso da sua expressão), encontramos um pouco de todos nós e apesar de a história decorrer num tempo futuro, estão presentes semelhanças e consequências da realidade do nosso presente. Aquilo que já fizemos e que estamos a fazer e aquilo que ainda não decidimos ou pensamos fazer, mas que iremos fazer, vão-nos levar a algum lado e disso não há qualquer dúvida. Se iremos ter culpa por as abelhas desaparecerem ou não, não sabemos, mas provavelmente sim, também seremos culpados. Num palco em que as abelhas podem escolher-nos (para logo de seguida irem dessa para melhor) e numa altura em que elas estão extintas, ser-se escolhido por uma abelha é certamente um privilégio. Sendo um dos escolhidos, saberíamos dar um rumo a algo que nos foi de certa forma confiado ou oferecido? Algo que, numa maior instância e abordando a questão…

Never let me Go

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Todos nós, ou pelo menos quase todos nós, gostamos de acreditar que a nossa vida tem um propósito e que está nas nossas mãos defini-lo e construí-lo ao longo do tempo que nos foi premiado e cuja quantidade não fazemos a mais pequena ideia. Tentamos completar-nos todos os dias com alguma coisa nova, com novos desafios, reformulando pensamentos, revisitando memórias, viajando nos sonhos e fazendo planos. Por mais pequeno que seja o fragmento que adicionamos a nós próprios, vamos dando forma à nossa personalidade e vamos tentando "viver" em vez de apenas "existirmos", vamos tentando estar presentes neste mundo de uma forma voluntária e consciente. Como seria se soubessemos ou descobríssemos que tínhamos sido criados, naturalmente ou artificialmente, para cumprir um objectivo e que estava fora do nosso alcance ignorá-lo, sendo que este objectivo tinha uma data marcada que seria o dia do fim da nossa vida?! Como seria viver com o nosso bilhete de ida, sem volta, sempre …