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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

O tocador de violino

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Naquela tarde, ou inicio de tarde, que por acaso era Sábado [ mas para nós, e porque naqueles dias não havia dias definidos, já que eles eram especiais e eram nossos, não pertenciam a uma semana ou a um calendário, pertenciam a nós], vagueávamos sem saber ao certo o que é que procurávamos, sem saber qual era o nosso destino ou as nossas intenções. Pairava no ar uma sensação de desamparo [em tom de certa desorientação] e de uma ligeira tristeza que era como o reflexo do céu nas pequenas poças resultantes da acumulação das gotas de água que iam caindo e que se espalhavam ao longo dos passeios e das ruas, era uma sensação de falta de ligação em relação àquele local, em relação àquelas ruas que percorríamos e que, ao passarmos por elas, tentávamos decifrar os seus cheiros, o seu ambiente e a sua lida diária caso não fosse Sábado ao inicio da tarde e as nuvens não estivessem a gotejar de quando em quando. Apesar de toda a melancolia que se podia sentir, tudo isso tinha algo de agradável, t…

Palavras que ouvi, nomes que ouvi

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Foram palavras que ouvi e foram silêncios que quebrei e quebrei-os para mim. Desde então, continuam a fazer eco e fico cansado de me ver a ouvir tais palavras. Foram palavras que foram ditas e que, embora não tenham sido fogo de artifício, foi como se explodissem em diferentes direcções, com tonalidades e cores que deram origem a formas, a movimentos, que por sua vez geraram algo que ganhou vida num espaço e num tempo, existiram, e apesar de terem existido no invisível é como se existissem ou tivessem existido na realidade, no pálpavel. Eu vi-as, ouvi-as e senti-as!
Como em qualquer frase que se pronuncia, existem verbos, adjectivos e eventualmente nomes. E entre nomes e mais nomes, há nomes que causam impacto, e foram esses (ou esse) os responsáveis pelo ruído. Responsáveis por todo um frenesim enfadonho que corrompe os meus pensamentos e faz deles pequenas laminas afiadas dispostas como se fossem armadilhas com olhos enraivecidos e dentes cerrados... armadilhas nas quais provavelmen…

Sem sabor

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Ontem, ou anteontem, alguém dizia que para além de perdoarmos os outros temos que conseguir ser capazes de nos perdoar para podermos seguir em frente em certas etapas da nossa vida. Tendo em conta parte do último “post” deixado aqui no blogue, poderei dizer que concordo com essa afirmação... até porque por vezes o uso de palavras escritas, em detrimento daquelas que por algum motivo não ditas, não conseguem chegar ao seu destinatário, ou se chegam e o resultado não é o esperado, sendo que esse seria principalmente o facto de conseguir acabar por ser de alguma forma indultado, resta sermos nós a arranjar uma forma de nos desprendermos da culpabilidade ou da ideia de a possuir.

Não somos perfeitos, e sei que o mais provável é já estarmos cansados de ouvir isso porque usam muitas vezes essa desculpa para justificar os seus erros, mas não nos podemos dar ao luxo de tapar o sol com a peneira todas as vezes que achamos não fazer mal errarmos em algo, e que da próxima vez as coisas hão-de cor…