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A mostrar mensagens de 2010

Esquecimento

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Aos poucos as tuas palavras foram-se transformando em silêncio e a tua presença foi ficando mais invisível do que a tua sombra. Mas não posso reclamar, se não formos ao espelho, o nosso reflexo não irá simplesmente aparecer lá. Muitas vezes usamos a expressão "o mundo é pequeno" quando chegamos à conclusão que estamos mais interligados do que pensamos, pois de certa forma conhecemos alguém que também é conhecido(a) de outro alguém que conhecemos, no entanto, a situação inversa não lhe fica nada atrás. Quantas vezes estamos a poucos metros de distância, a poucos minutos, a poucos passos, a poucos gestos, de pessoas que conhecemos, que estão relacionadas connosco de alguma forma, e na realidade parece que vivemos em planetas diferentes?! O tempo encarrega-se de resolver certas situações na vida das pessoas, mas ele não pára, e se ele consegue ser benéfico, também consegue ser o lado oposto da moeda, infectando as memórias com espaços vazios chamados esquecimento. E não é neces…

Transcender

Como seres que sentem e que somos, por vezes somos confrontados com situações que nos fazem querer fazer mais do que aquilo que podemos fazer e dão-nos vontade de nos querermos transceder, mas que, por diversos motivos, ficamos imóveis e apenas transcendemos mais um série de pensamentos. Ficamos imóveis a digerir as palavras e a reflectir no infinito e a calcular as probabilidades disto e daquilo. Ao fim ao cabo pode-se dizer que estamos constantemente a tentar prever o futuro e a equacionar tudo o que nos rodeia, e dessas equações, saem resultados que poderiam originar novas equações e assim consecutivamente. Nunca chegaríamos a lado nenhum se estivéssemos constantemente nesse frenesim e por isso, por vezes apercebemo-nos simplesmente que há coisas sobre as quais não nos devemos preocupar em demasia porque acabam por ser um beco sem saída. É preciso dar meia volta e seguir noutra direcção. O único senão é que, normalmente seguimos determinados caminhos porque acreditamos que eles são…

Tu, que eras tu sem que fosses tu

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Por vezes vem-me à memória os tempos em que tu eras tu sem que o fosses, e eu era eu, mas mais novo, mais inocente, igual a quem sou hoje, mas com menos uns quilos de anos a pesar no agir, no pensar e no sentir. Havia coisas que eu percebia porque naquele tempo já tinha idade de as perceber, mas tu, que não eras tu, tornavas os dias difíceis e mesmo percebendo, eu não percebia. Eu não percebia tudo, e não percebia tudo porque parte de mim ainda era uma criança que queria estar a ser criança.
O tempo era formado por grupos de horas lentas que caminhavam entre o dia e a noite, e eu, pouco mais podia fazer no vagar do tempo, sem ser estar em estado de alerta, a observar os teus movimentos e a decifrar os teus passos, embalado na melancolia daquelas correntes invisíveis que nos amarravam a ti como se fosse uma obrigação nossa. É verdade que queriamos estar presos a ti, mas de outra forma, e que essa fosse o teu abraço em sinal de afectos, como era natural que assim fosse. Eu sei que por v…

Encadeamento de palavras

Estive aqui para deixar algumas palavras, mas por factores que desconheço, resultantes de pensamentos aleatórios, desconexos, dei por mim a desistir de dar uso às letras, ou pelo menos a parte delas... Aquilo que sobrou ficou escrito através do seguinte encadeamento de palavras...

Não é que se esteja necessariamente triste quando se precisa de um momento de silêncio, de introspecção e sossego. Por vezes sabe bem ficar no escuro, ficar simplesmente deitado ao som de algumas músicas, ficar naquele silêncio de melodias que nos levam para outros lugares, para outros momentos, numa espécie de viagem por sonoridades que se transformam em algo mais do que um momento que podia ser mais um vazio, mas não o é. Por contrário poder ser uma breve tentativa de encontrarmos aquela luz que é a felicidade e que queremos acreditar que existe algures em nós. Quando essas faíscas de rejúbilo nos visitam, nasce em nós uma satisfação que nos revitaliza e é como se estivessemos aflitos debaixo de água e cons…

Surgiste

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Não sei que dia seria aquele, talvez não fosse preciso haver essa definição porque o importante não era o dia em si, mas sim o momento. Uma vez que não sabia que dia era, tão pouco sabia que horas poderiam ser...seria de manhã? De tarde? Ou já caminhava para a noite?! Isso também não tinha relevância. Tudo o que importava era estarmos presentes, uma presença que, mesmo no inconsciente, não me passava despercebida e eu sabia que se tratava de uma imagem ilusória, no entanto esse detalhe era também ignorado e apenas vivia-se aquela instância, era algo agradável e reconfortante. Uma presença e uma simples conversa. No início, não eras nada, nada de nada! Não eras sequer um ponto, ou um vestígio de um grão de pó! Mas depois surgiste, e aos poucos foste ganhando formas e cores, foste projectando uma imagem, uma existência, um corpo e uma sombra e foste sendo uma pessoa. Uma pessoa que existe. Existe para si, existe para os outros, existe para todos os que se dão a conhecer e desenrolam esse…

Conviver

Admiro o mundo, as pessoas, as amizades, os convívios, as relações, a liberdade de viver vivendo a vida, no entanto, não são poucas as vezes que as pessoas se remetem para o seu canto onde supostamente se sentem seguras, e, de certa forma, satisfeitas. Satisfeitas com essa paz, sem perturbações, inquietações, satisfeitas com o seu sentimento de controlo onde não existem situações de ansiedade e desconforto perante o desconhecido. No entanto, há alturas em que isso não é suficiente, estes são os dias do avesso, e essas pessoas acabam por se aperceber de que afinal se trata de uma satisfação que finda numa espécie de vazio e emerge uma necessidade de comunicar, expressar, conviver... isso é a nossa necessidade, e razão ao mesmo tempo, de estarmos de algum modo interligados, cresce em nós uma fome de partilha. Uma partilha que transforma tudo aquilo que gostamos de viver na companhia de mais alguém, em algo verdadeiramente especial. Muitas vezes a simples presença de alguém é capaz de to…

Wish you well

Estás aqui connosco, e talvez por não te estar a acompanhar pessoalmente nesse processo de "fazer as malas" para a grande viajem, sinto o tempo passar depressa demais, em que apesar de ainda estares entre nós, já sinto um vazio. Um vazio que se estende cada vez que te vejo desvanecer em imagens que te escondem em formas que nos atingem como se fossem um gesto de despedida. 
O tempo que passou, entre o dia em que tiveste a infelicidade de ganhar o bilhete para essa viajem [todos nós temos um bilhete reservado com o nosso nome guardado dentro dessa enorme tômbola que não pára de girar, um dia será a nossa vez de ganhar a viagem], e o dia de hoje, em que, na mais profunda tristeza ouço os teus passos afastarem-se lentamente e ao mesmo tempo de forma fugaz, passou com a rapidez com que uma chama devora um fósforo. Cada dia que passa sinto em mim uma espécie de cobardia, uma espécie de vergonha, que se devem ao pensamento que pesa em mim como se fosse uma culpa, uma culpa que brot…

Desempenhar um papel

Esses fragmentos estavam perdidos algures na caixa de rascunhos ....

Todos nós estamos aqui para desempenhar um papel, para fazer parte de algo, construir um destino que se vai desenhando debaixo dos nossos pés como se a nossa sombra fosse desbravando caminhos para podermos continuar a seguir em frente, encarando vários desafios, sendo alguns deles transformados em algo positivo e outros nem tanto, pois o fracasso também faz parte da jornada de cada um de nós, quer a nível individual, quer a nível colectivo! Por mais que se queira, é impossível fazer esse percurso apenas na nossa própria companhia, desde o inicio até ao final. Pode haver momentos em que se pense que isso é possível, mas depois enfrenta-se a realidade e admite-se que se estava errado ao pensar que não era preciso ajuda... Temos tendência a chegar a essa conclusão nas alturas em que nos sentimos perdidos, isolados, sem objectivos e sem vontade de alcançar quaisquer metas ou de perseguir os rastos de um passado que nos po…

A visita

Fui à tua casa para te visitar mas não estavas lá. De certa forma, isso já eu sabia, mas mesmo assim fui lá. Cheguei e entrei porque a porta estava aberta...a porta está sempre aberta para os amigos. É assim que deve ser. Deixei-me ficar por lá durante algum tempo. Não estavas lá, mas ainda assim não foi por isso que deixei de ficar na tua companhia, na tua companhia através da música, que deixaste algures ligada quando saíste, e que ficou lá a tocar, a dar vida à casa, àquele espaço, independentemente do tempo que estarias a pensar ficar por fora. Talvez tenhas ido apanhar ar, libertar a mente para novos pensamentos, novas ideias, novas vivências, novas memórias, novos sons, novas palavras...Todos nós sentimos essa necessidade porque estar estagnado cansa e é como estar parado no espaço e no tempo. Quando se está nesse estado é quase como estar sem vida e não é assim que devemos viver o dia-a-dia. Vagueei pela casa guiado pelos sons e revisitei algumas das molduras dispostas aqui e a…

It’s alright love, you’re in good hands

Liberto os meus braços e deixo as minhas mãos procurarem-te. Elas percorrem o vazio da escuridão, seguem o seu caminho para descobrirem o teu rosto, o teu cabelo, o teu sossego. Quando te encontram, dançam em movimentos serenos e toques suaves, que mesmo assim, causam um rebuliço no meu coração, fazendo o meu corpo estremecer em soluços quentes debaixo de uma chuva salina que aumenta a temperatura do meu ser, dos meus olhos e me faz vaguear nas memórias. Percorro essas memórias e é como se eu estivesse a descer um rio onde nas suas margens pudesse ver o reflexo da vida e em simultâneo alguns flashes de hipotéticos momentos futuros. Em certos e prolongados momentos o meu braço envolve o teu corpo puxando-o para junto do meu e é como se nesse instante me estivesse a agarrar às margens do rio à procura de um apoio, de algo para me segurar e que me ajude a regressar a terra firme. Esses troncos, essas rochas que são as tuas palavras, os teus gestos, os teus afectos, os pequenos detalhes.

Vale a pena ver - I

Vale a pena ver...nem que seja porque foi filmado aqui, nesta terra, no meio do Atlântico....
Gomo - Still inside your mind

O meu olhar

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O tocador de violino

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Naquela tarde, ou inicio de tarde, que por acaso era Sábado [ mas para nós, e porque naqueles dias não havia dias definidos, já que eles eram especiais e eram nossos, não pertenciam a uma semana ou a um calendário, pertenciam a nós], vagueávamos sem saber ao certo o que é que procurávamos, sem saber qual era o nosso destino ou as nossas intenções. Pairava no ar uma sensação de desamparo [em tom de certa desorientação] e de uma ligeira tristeza que era como o reflexo do céu nas pequenas poças resultantes da acumulação das gotas de água que iam caindo e que se espalhavam ao longo dos passeios e das ruas, era uma sensação de falta de ligação em relação àquele local, em relação àquelas ruas que percorríamos e que, ao passarmos por elas, tentávamos decifrar os seus cheiros, o seu ambiente e a sua lida diária caso não fosse Sábado ao inicio da tarde e as nuvens não estivessem a gotejar de quando em quando. Apesar de toda a melancolia que se podia sentir, tudo isso tinha algo de agradável, t…

Palavras que ouvi, nomes que ouvi

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Foram palavras que ouvi e foram silêncios que quebrei e quebrei-os para mim. Desde então, continuam a fazer eco e fico cansado de me ver a ouvir tais palavras. Foram palavras que foram ditas e que, embora não tenham sido fogo de artifício, foi como se explodissem em diferentes direcções, com tonalidades e cores que deram origem a formas, a movimentos, que por sua vez geraram algo que ganhou vida num espaço e num tempo, existiram, e apesar de terem existido no invisível é como se existissem ou tivessem existido na realidade, no pálpavel. Eu vi-as, ouvi-as e senti-as!
Como em qualquer frase que se pronuncia, existem verbos, adjectivos e eventualmente nomes. E entre nomes e mais nomes, há nomes que causam impacto, e foram esses (ou esse) os responsáveis pelo ruído. Responsáveis por todo um frenesim enfadonho que corrompe os meus pensamentos e faz deles pequenas laminas afiadas dispostas como se fossem armadilhas com olhos enraivecidos e dentes cerrados... armadilhas nas quais provavelmen…

Sem sabor

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Ontem, ou anteontem, alguém dizia que para além de perdoarmos os outros temos que conseguir ser capazes de nos perdoar para podermos seguir em frente em certas etapas da nossa vida. Tendo em conta parte do último “post” deixado aqui no blogue, poderei dizer que concordo com essa afirmação... até porque por vezes o uso de palavras escritas, em detrimento daquelas que por algum motivo não ditas, não conseguem chegar ao seu destinatário, ou se chegam e o resultado não é o esperado, sendo que esse seria principalmente o facto de conseguir acabar por ser de alguma forma indultado, resta sermos nós a arranjar uma forma de nos desprendermos da culpabilidade ou da ideia de a possuir.

Não somos perfeitos, e sei que o mais provável é já estarmos cansados de ouvir isso porque usam muitas vezes essa desculpa para justificar os seus erros, mas não nos podemos dar ao luxo de tapar o sol com a peneira todas as vezes que achamos não fazer mal errarmos em algo, e que da próxima vez as coisas hão-de cor…

Enquanto vivemos o presente

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Enquanto vivemos o presente, nem sempre pensamos como será recordar esse presente num futuro a curto, médio ou longo prazo. Vivemos o presente pensando que estamos a vive-lo da melhor forma possível [mesmo sabendo que há coisas que poderiam estar melhores, pois como humanos que somos, raramente estamos satisfeitos com o que temos, e isso é um erro que cometemos, e infelizmente só nos lembramos disso quando vemos algo ou alguém em pior situação que nós], pensamos que estamos a fazer as coisas certas e da forma mais correcta possível, pensamos que estamos a receber e a retribuir aquilo que precisamos uns dos outros [e aquilo que precisamos por vezes não é muito, é somente um simples aceno, um sorriso, um sinal que nos indique que não estamos sós e que fazemos parte dos bons pensamentos e intenções de quem convive connosco] e que temos alguém que pensa em nós, que vive de nós e para nós, e que nos motiva a fazer o mesmo.

Como acontece com todos nós, somos levados nas ondas do tempo. Muit…

Um pensamento, uma intuição, um sonho

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Nunca pensei que seguir um pensamento, uma intuição ou um sonho me pudesse arrastar para tão longe. É como se a minha razão fosse invadida por uma hera que cresce desmesuradamente, atacando-me sempre que me apanha distraído, independentemente da cor do céu ou do local onde me encontro. Tinha a perfeita noção que as batalhas entre o pensar e o sentir não eram fáceis de ultrapassar, mas quando esses dois factores se encontram deturpados, as dificuldades ganham novas dimensões e é como se fosse arrastado por uma corrente que me leva não sei para onde, só sei que não é para nenhum lugar seguro. Resta a todo o custo conseguir encontrar algo/alguém que possa segurar o meu braço e evitar o pior. Hoje, a minha noção está modificada e já não sei o que pensar em relação a isso. Quando penso que já estou com os pés em terra firme, seguro e confiante, eis que surge outra intempérie e vejo-me novamente a tentar encontrar chão debaixo dos pés.
O meu porto seguro são os momentos de lucidez que me per…

Gotta figure it out

Quando há músicas que dizem quase tudo, ou quase aquilo que queremos dizer ou sentimos em determinado momento dia ou estado de espirito, vale a pena partilhá-las de alguma maneira possível.I separated my heart from my head
To feel out what`s inside
I don`t like what i see so i say
Good night

Don`t wake me cuz i`m dreaming in color
Black and white is not my friend
Candy coded figures only in my bed

I`ve never been so deep inside a shadow
I`ve never been so insecure of what i know

I`ve gotta figure it out
I need a story to tell
Where`s the feeling i long for
I`ve gotta figure it out
Before i lose you love

Big city streets are calling me loud
The busy keeps me high
Well this quiet town is wearing me down tonight

Well i know that i should stay here for a while
Listen to the sound
Of my shaky heart
Looking for gold in the ground

I`ve never been so deep inside a shadow
I`ve never been so insecure of what i know

I`ve gotta figure it out
I need a story to tell
Where`s the feeling i long for
I`ve gotta figure it out
Bef…