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A mostrar mensagens de Novembro, 2009

À noite na floresta

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Esticaste o braço e varreste as estrelas do céu deixando-me perdido de olhos abertos a ver o nada que a escuridão da noite tinha para oferecer. Tentava orientar-me e sabia que estavas ali perto, eu ouvia-te, mas não te encontrava! Estavas ali mas ao mesmo tempo corrias por entre as árvores, montes e riachos, eu quase conseguia ouvir todos os teus movimentos, os teus braços a acordar os ramos adormecidos das árvores, o vento por ti provocado a espantar as folhas caídas e outrora sossegadas e os teus pés a fazerem furos na água numa mistura de sons ocos e estridentes.

Fiquei ali, somente a ouvir os sons, a vaguear pelos pensamentos e à espera que tu e os teus braços regressassem para me embalar e aconchegar na noite, sentir a segurança da tua presença e o calor da tua companhia para então poder fechar os olhos e correr contigo pela floresta fora até nascer um novo dia.

Looking Back

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Olhando para trás...
Em tempos, e devido a uma decisão incoerente, mas inocente, escapaste das minhas mãos e naquele momento pareceu que o tempo parou, pensei que seria um fim e estremeci de pânico, corri sem que o cansaço existisse, percorri caminhos que não tiveram distância, avançava sem ver as luzes e sem sentir a noite, sentir o que quer que fosse, pois o medo preenchia todos os milimetros dop meu pensamento. Queria apenas poder voltar atrás, queria apenas desaparecer. Depois daquele momento, a noite parecia interminável, tudo o que eu procurava era o auxílio, pois o medo era terrificante e até saber que a tua fragilidade fora mais forte do que tudo, foram eternidades de ansiedade. São memórias que fazem a minha pele crepitar sempre que nelas mergulho. Entretanto, como o tempo parece voar, muito já se passou desde então e de quando em quando eis que essas memórias me invadem, mas hoje é diferente, todos os dias são diferentes, embora no seu conjunto pareçam uma repetição. Sabemos …

Cinzas

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Embebido em movimentos e olhares de indiferença, cada gesto teu podia ter o sabor da água, mas por vezes sabe a vinagre e é como combustível que derrama sobre o fogo e alteia as chamas de algo que arde e volta a arder, sem nunca se apagar totalmente. Dentro das cinzas, aparentemente geladas, há sempre um calor pronto a emergir, fazendo da cor da lava, a cor da vida e em simultâneo a cor da morte, do perigo. Sim, porque é certo e sabido que vivemos no meio das antíteses e nelas temos de encontrar o meio-termo entre o acreditar e o não acreditar, entre o lutar e o desistir, entre o andar e parar. Mas parar para quê?! Para pensar? Para descansar? Para fechar os olhos e cair num sono profundo onde o corpo se estende na segurança do escuro, do vazio, do silêncio, da solidão que mata e dá vida?! As horas passam e reabrimos os olhos e cá estamos outra vez, ligamos a música e subimos no carrossel, andamos às voltas em chávenas de café ou em cavalos que não sabem se riem ou se estão ferozes.