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A mostrar mensagens de Agosto, 2009

Mergulho no ar

Vou a correr com a minha velocidade máxima e através do impulso que consigo dar ao meu corpo, lanço-me no ar e mergulho. Abro os meus braços e rasgo o vento que tenta deter-me sem sucesso. Sinto o tempo a passar por mim como uma flecha que sai de um arco, abro as mãos para o agarrar, mas ele é tão invisível quanto o vento e intocável como a linha do horizonte. É um sentir sem ter tempo para sentir, é sentir as coisas a alta velocidade, é estar a chegar a algum lado depressa mesmo sem saber ao certo o que lá está, lá em cima ou lá em baixo, qualquer que seja a direcção do meu voo.

Contínuo na minha viagem vertiginosa... Ultimamente ela tem se tornado mais intensa e têm sido tantas as pequenas coisas que, nem mesmo sendo pequenas, deixam-me a pensar, deixam-me a pensar no antes e depois, e deixam-me a pensar porque esses antes e depois não são antes e depois como a diferença que um corte de cabelo pode fazer. São antes e depois como uma laranja com casca e essa mesma laranja já sem casca…

Memórias no papel

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Algures no passado as tuas palavras eram a expressão de uma alegria que sentias. Era uma alegria que te fazia acordar para um novo dia que não era só um novo dia, era uma nova realidade, era o alcançar de uma meta tão pacientemente perseguida e almejada. Mas lá no fundo dizias nas tuas palavras que era como se ainda não tivesses acordado e que aquele sol na janela não era um sol verdadeiro, era uma miragem fora do deserto, fora do mundo. Balançavas entre a certeza e a dúvida sempre na certeza de que aquela iria ser a forma do teu coração para um sempre....um sempre que podia ou não ter um prazo de validade.
Hoje olho para um papel quadriculado e vejo lá símbolos azuis que formam frases que outrora eram sentimentos, que outrora eram o brilho dos teus olhos e a razão do teu sorriso. Hoje não sei a forma do teu sorriso nem o que dá vida ao teu olhar. Mas uma coisa eu sei, o rasgar de um papel não é o rasgar das memórias...essas não se escrevem no papel, mas sim no coração.

Contagens descrescentes

Venho aqui marcar presença neste mês de Agosto, mês de férias para muitos, para outros é o mês e regresso ao trabalho ou então o mês que antecede o tão esperado período de férias. Por esse, e outros motivos de ordem maior, também pode ser considerado o mês em que entra em fase de aceleração, diversas contagens decrescentes, como se estivesse descalço numa rampa molhada e cheia de limos ou como se tudo estivesse associado à sua própria ampulheta. Ir aqui, ir acolá, fazer isso, fazer aquilo, pensar nas hipóteses, considerar as mudanças, preparar para o desconhecido, viver momentos de ansiedade, momentos de alegria momentânea resultante de fragmentos de mini-sonhos que piscam de quando em quando na nossa mente como se fossem o flash de uma máquina fotográfica. Ao mesmo tempo que o a areia vai derramando e as datas limites vão sendo alcançadas, tenta-se viver o dia-a-dia da forma mais normal possível, como o equilíbrio necessário e indispensável.
Infelizmente também para este texto havia u…