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A mostrar mensagens de Maio, 2009

Naquela Janela - I

E assim foi, algures num mês de Maio, certamente já distante e sobreposto por muitos outros meses e alguns anos, duas personagens que podiam ser Mathias e Alice ("Solidão dos números primos"), mas que não eram, talvez para esse par estejam reservadas outras palavras, outros destinos e outros momentos, deram por si num quarto. Um quarto que não era o dele nem era o quarto dela. Era um quarto de todos e ao mesmo tempo um quarto de ninguém. Por mais coisas que tivessem naquele quarto, objectos, roupas, seriam somente os momentos vividos aquilo que lhes pertencia verdadeiramente e ao qual podiam chamar "seu", de ambos e não de um só.
Naquela noite, as paredes daquele quarto transformaram-se em cenários onde tudo podia acontecer e onde certas situações poderiam ser apenas um teste ou acontecimentos reais. Eles não o sabiam e estavam apenas a desempenhar os seus papéis. Afinal de contas todos nós somos personagens a desempenhar o nosso papel nos cenários da nossa vida e …

Quando somos um só

Nos momentos em que eu e tu somos um só, nos momentos em que todos somos um só, as coisas não têm preço, mas têm um valor. Um valor que não se quantifica, mas que se vive. Um valor através do qual nos sentimos confortáveis, seguros, sem preocupações, sem pensamentos negativos...a alma enche-se subitamente de um bem-estar que surge quase do nada e nos deixa satisfeitos. Um valor equivalente ao movimento de um conjunto de roldanas que se movem em conjunto e em conjunto alcançam o progresso devido à sua sincronia, à sua união. É o que acontece quando conseguimos estar bem connosco, estar bem com os outros, estar bem, simplesmente bem e com vontade de seguir em frente, alcançar objectivos, perseguir sonhos, traçar metas e correr na sua direcção.

Os mal-entendidos nascem das mais pequenas migalhas de nada e muitas vezes incham como um grão de milho afogado em óleo fervente que dá origem às mais variadas formas após explodirem. Crescem e alastram-se, ocupam todos os cantos, sufocam o ar como…

Pensamentos soltos I

Vim aqui matar saudades deste espaço que tenho deixado abandonado por alguns dias....faminto de palavras, deserto de sons e vazio de sentimentos. Geralmente o que tento deixar aqui tem uma razão de ser, razão essa muitas vezes (senão sempre) ligada aos sentimentos e pensamentos (a que mais podia ser?) e o facto deste espaço andar vazio não quer dizer que não se passe nada, que não haja vida, pois essa existe. Simplesmente tem faltado aquele tempo de reflexão, aquele tempo de direccionar os pensamentos para as palavras e fazer delas algo que ganhe existência, mesmo que essa seja virtual.
Algo que aprendi há uns tempos atrás, foi que, aquilo que à partida parece ser algo apenas virtual, pode não o ser, porque quando as palavras que fazem parte de um mundo digital nos dizem tanto e nos tocam verdadeiramente, elas ganham vida própria no mundo real, ganham uma forma, ganham um contexto, ganham uma existência que nos marca e que nos liga. O que seriamos nós sem essas ligações?! (sei que já …

Estaria a mentir

Os últimos tempos têm sido algo agitados. Podias pegar neles e transformar cada momento numa pedra colorida e guardar num frasco de vidro transparente. Cada cor um sentimento, cada cor uma situação, cada cor uma recordação. Esse frasco seria a minha memória, o portefólio da minha existência. Eu olharia para esse frasco e o que é que ele me diria?! Uma infinidade de coisas...

Tenho a vantagem de ter este espaço ao qual posso recorrer e deixar algumas dessas pedras espalhadas, alguns fragmentos. Os que não ficam aqui, são como fogo de artificio que é lançado ao encontro das nuvens ou da lua, ao encontro de um céu que me olha e no qual posso confiar. Um fogo de artificio onde as minhas palavras assumem diversas formas, diferentes direcções, cores distintas e sons diversos. É um fogo de artificio que pode causar impacto, quer pela positiva, quer pela negativa. Mas o importante é saber que estará lá alguém atento a olhar para o céu a assistir àquilo que sinto, àquilo que digo, é esse o pode…