17.9 - Crónica do Pássaro de Corda - Haruki Murakami


Ultimamente acabar um livro de Murakami tem sido sinónimo de dispersão. Isto porque já se tornou quase normal ficar sem saber bem o que pensar, pois já sendo indeciso de mim, vejo-me a tentar fazer um balanço do que foi a leitura do livro.
O que me faz acreditar ou saber que gostei do livro, é talvez a sensação de ter a certeza que não foi tempo perdido aquele que dispensei para a leitura desse livro ... sobretudo considerando que demorei mais tempo do que o habitual para o ler...ainda para mais tratando-se de uma edição de bolso...com letrinhas mais miudinhas.
Se por um lado é verdade que por vezes gostaria que certas coisas fossem talvez um pouco menos abstractas ou surreais, sendo portanto passíveis de terem uma explicação razoável, por mais pequena que fosse no âmbito da razão, por outro sei que esses aspectos acabam por ser também aquilo que contribuem, em grande medida, para a experiência que é ler um livro de Murakami.
Neste livro Crónica do Pássaro de Corda não faltam peripécias e personagens insólitas que ajudam no prazer da leitura desta história. Por vezes há alguma quebra do ritmo, que embora aconteça em certas partes do livro, é algo relativo, pois essas quebras acontecem para contar histórias paralelas à história principal que no final de contas poderão, ou não, estar relacionadas com o presente ou com a acção central. Por falar em principal, diga-se de passagem que a personagem principal (Toru) pode, em muitos aspectos, ser a personagem principal típica dos livros de Murakami, mas felizmente existem outras, quem embora não totalmente originais no universo de Murakami, são uma lufada de ar fresco e dão um gozo que justifica a leitura (refiro-me nesse caso, ou por exemplo, a May Kasahara).
Ao longo da leitura deste livro dei comigo a pensar porque será que até hoje, e segundo sei, só existe um filme baseado nos livros de Murakami. Será que a mistura de realidade com o mundo dos sonhos, do imaginário ou inconsciente, seria um má aposta para um filme? Creio que não, mas lá está, seria capaz de agradar a um público talvez mais restrito. Talvez o sumo resultante dos ingredientes irreais não fosse suficiente para matar a sede de quem fosse a essa fonte beber.
Fiquei talvez ligeiramente desiludido por não ter havido mais desenvolvimentos no final da história e digamos que ficam algumas pontas soltas que pediam mais umas páginas.
Fazendo um balanço é sem dúvida um livro cuja leitura recomendo aos apreciadores da escrita de Murakami...aos outros leitores já seria uma recomendação mais contida.

Depois deixarei aqui alguns excertos do livro que acho que valem a pena ser partilhados.

Sinopse do livro:

"Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida.

Este livro conta com uma galeria de personagens tão surpreendentes como profundamente autênticas e, quase por magia, o mundo quotidiano do Japão moderno aparece-nos como algo estranhamente familiar. "



Encontrei a seguinte imagem num outro blog, à qual achei piada por conter os aspectos chave que caracterizam os vários livros de Murakami. Aspectos esses que por si só já são enigmáticos e que se levássemos as coisas para o campo das metáforas ou analogias, teríamos pano para [muitas mangas].


Já que hoje é suposto ser um dia especial...alguém quer oferecer-me um livro de Murakami que eu ainda não tenha lido :-P?

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