Idade

Apesar de ter a idade que tenho, geralmente não sinto que a tenho. Não que ela não se manifeste fisicamente, pois nesse aspecto não tenho razões de queixa e sinto-a na pele todos os dias. Na outra vertente, posso dizer que grande parte das vezes sinto que parei algures numa ponte à espera que o barco do tempo voltasse a passar para então tentar acompanhar a idade, a idade que tenho hoje e que, se não me engano, deveria ser superior àquela com que sinto e penso determinadas coisas. 
Não me sinto um adolescente nem tão pouco uma criança, mas por vezes tenho alguma dificuldade em me aperceber do verdadeiro tempo que já lá vai e que marca aquilo a que chamamos de idade. 
Talvez por não ter feito determinadas coisas que eram de se fazer na sua devida altura possa pensar que me faltou crescer em certos aspectos, mas se calhar isso é apenas uma espécie de desculpa para algo que é nada, que é apenas um pensamento sem fundamento como um fragmento de inconsciência durante um sonho.
Para muita gente (e como costumam dizer), isso não deixa de ser apenas um número, pois cada um de nós desenvolve-se em função da sua realidade, dos estímulos provenientes do mundo exterior, das circunstâncias e experiências que na realidade acabam por ditar a nossa verdadeira idade, a idade da alma, a idade daquilo que está dentro de nós, situações que ditam em nós a necessidade de crescer e enfrentar a realidade com outros olhos, com outra postura.
No meu caso, as coisas encaminham-se para que este ano possa sentir na pele a responsabilidade da idade, poderá ser como o limar das arestas da realidade, será como abrir uma porta, dar um passo lá para fora, inspirar e conseguir sentir e ver as coisas com maior clareza, mesmo que as perguntas sejam mais abundantes do que as respostas! 



Comentários

  1. Mais - creio que bastante mais!... - do que a inevitável acumulação dos dias, dos meses e dos anos, a nossa idade talvez acabe por ser o resultado de uma realidade que não é o reflexo do que se passa à nossa volta.

    Se não nos deixarmos capturar por essa realidade "visível", então o nosso crescimento interior difere do que seria suposto deduzir com base na passagem do tempo e na erosão que em nós provoca.

    Talvez, com efeito, a circunstância de termos deixado por fazer "essas" coisas que, se calhar, têm o seu tempo, contribua para que estejamos como que à margem da realidade que nos cerca. Talvez tenhamos construído uma outra realidade. Talvez, com efeito, possa aplicar-se a metáfora da ponte. Uma espécie de intervalo que concedemos a nós mesmos.

    Seja como for, quando a nossa realidade se separa da realidade dos outros, julgo que as respostas serão sempre em menor número do que as perguntas que temos necessidade de formular. Não sei se isso é bom. Depende do que vemos quando nos olhamos ao espelho!...

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    1. Todos nós crescemos ao nosso próprio ritmo. Esse crescimento e os factores que para tal contribuem é que acabam por compor essa tal realidade e por isso pode-se considerar a idade como algo extremamente subjectivo. No fim de contas o mais importante acaba por ser a confiança que podemos sentir no nosso eu, a confiança que nos dê coragem para fazer frente às realidades dos outros que podem ser [quase de certeza que são] diferentes da nossa e com isso saber estar em conformidade com os outros e connosco próprios.

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  2. A idade é o que cada um de nós queira. A minha apesar de já ser alguma coisa, há dias que é nada. Lamentar-nos por coisas que não fizemos é dar mão ao passado e isso nem sempre nos leva a nenhum lado.

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    1. Não vale a pena "chorar" ou lamentar o passado, pois isso não serve de nada. Quanto muito há que aproveitar esse momento de "retrocesso" para ganhar vontade de se fazer o que ainda não se fez.

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