Galveias ... uma vila, um mundo, um universo



Entrar em Galveias é entrar num mundo que pode parecer pequeno e ao mesmo tempo imenso. Apesar de ser um universo restrito, o universo de uma aldeia ou de uma pequena vila, à semelhança de tantas outras que muitos de nós podemos conhecer, tem as suas particularidades e os seus próprios modos de expansão através das estórias e vidas das pessoas que lá habitam e que a tornam real. Pessoas essas que de certo modo acabam por nos dizer algo.


Será difícil não nos identificarmos com aquele estilo de vida, sobretudo para aqueles de nós que de alguma forma estão familiarizados com o ambiente rural ou semi-rural das pequenas aldeias ou vilas, onde parece que todos se conhecem e onde parece que tudo se sabe, e é essa capacidade de nos fazer identificar (e quem não se identifica porque não conhece pessoalmente, poderá ficar curioso e passar a identificar-se através da leitura criando assim as suas próprias experiências como se também pertencesse a um lugar como Galveias) que faz deste livro mais um daqueles livros cuja leitura nos dá prazer como se fosse uma espécie de viagem no tempo, uma viagem ao passado que nem se trata propriamente de um tempo de tempo, mas um tempo de lugares porque apesar da suposta modernidade das cidades e das sociedades, o tempo de Galveias, e tempo ainda antes de Galveias, persiste nos dias de hoje.
Talvez o evento que abre a história do livro tenha sido um evento imaginário, um evento que abalou a certeza daquelas pessoas, deixando-as à toa...fica talvez ao critério de cada leitor chegar a uma conclusão para aquilo que aconteceu e, de que forma aquele acontecimento, que pode até ter sido uma mentira, influenciou os dias dali em diante nas suas vidas. Afinal não é só nas Furnas, na Ilha de São Miguel, que o cheiro a enxofre pode estar presente de forma constante! 

Comentários

  1. A escrita de JLP sugere, na realidade, esse ambiente rural que tende a não ultrapassar os recantos da memória.

    As rugas marcadas nos rostos das pessoas que parecem trazer a manhã à solta no olhar; o cheiro da terra a lembrar a penumbra do silêncio; um sorriso que espreita numa esquina quase à beira da saudade.

    Galveias é, também, uma espécie de sossego cúmplice. Um sossego cristalino como o orvalho. Como a água que corria nas velhas fontes.

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    1. Pelo teu comentário, suponho que já tenhas lido o livro (já o leste?), caso contrário, e atendendo às tuas palavras, diria que possivelmente conheces o local referido no livro, que. embora de certa forma imaginado, tem também o seu quê de real.

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    2. Não conheço Galveias. Lembro-me, em todo o caso, das férias da minha infância e de uma boa parte da adolescência, passadas na terra de minha mãe, na Beira Litoral.

      Lembro-me das festas; da roupa aberta na erva a secar ao sol; das searas e dos arrozais. Lembro-me da aletria e do sabor da broa de milho. Coisas que conservo na memória e que a escrita de JLP me permite recordar.

      Sim, já li o livro!...

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  2. Como sabes cresci num lugar "especial" onde durante 14 anos foi o meu mundo. Não li o livro, mas acredito que por mais pequena que seja a aldeia ou vila, as pessoas que lá habitam criam o seu próprio mundo, distante das cidades, longe da confusão e "atropelamentos" entre as pessoas.

    E quantas vezes não temos um evento nas nossas vidas que mal ele acontece, tudo muda?

    Cresci, não com o cheio do enxofre, mas com o oceano em cada lado da ilha. Pensando bem sinto saudades de abrir a porta, e ver à minha frente os montes, e do lado esquerdo e direito o mar. E isso fiz faz-me doer a alma, nunca mais terei essa sensação, mas felizmente tenho essa memória bem guardada :-)

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    1. Talvez o ver o mar seja daquelas coisas que só sabemos dar o devido valor quando já não as temos. A verdade é que tanto pode ser restritivo como libertador ao mesmo tempo. Depende do estado de espírito.

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