A Rapariga com Pés de Vidro


Este é o titulo do livro que acabei de ler muito recentemente do autor Ali Shaw (que desconhecia e que pelos vistos ainda está no início de carreira, tendo por agora mais um livro para além deste editado em Portugal. O novo livro tem como título "O Homem que Chovia" e não sabemos quando será editado em Português).
Neste livro ("A Rapariga com Pés de Vidro") somos transportados para um arquipélago imaginário (Terra de Santo Hauda) que tem uma mistura entre o surreal e o real, sendo as ilhas desse arquipélago aparentemente já desenvolvidas em vários aspectos, contudo parece-me que a história tanto se pode passar nos dias de hoje como num tempo anterior, onde certas tecnologias (as normais de hoje em dia, nada de excêntrico) não precisavam de existir, pois não interferem significativamente na história.
Em termos gerais fiquei com a sensação de que se tratou de um livro que soube a pouco na medida em que são apresentados alguns elementos ao longo do livro (desde logo a particularidade de alguém pode estar a transformar-se em vidro, alguns animais híbridos e de dimensões minúsculas comparando com as suas supostas dimensões reais, seres estranhos com  capacidades igualmente estranhas e misteriosas, etc) que acabam por ficar quase apenas sugeridos, brevemente apresentados, sem que nos seja dada qualquer justificação ou razão de ser. Sei que é importante ficarem coisas em aberto para dar-mos uso à nossa imaginação e ficar assim ao nosso critério de cada um o que possam ser ou significar tais elementos no livro e na história em si, mas mesmo assim, sou da opinião que o livro podia ter mais conteúdo nesse aspecto.
A escrita em si é boa e somos presenteados com passagens muito bem escritas e que merecem ser relidas, descrevendo-nos muito bem certas situações ou locais onde a história está a decorrer, história essa que é composta por algumas personagens e suas relações, parte delas amorosas, e que, tirando as duas personagens principais, essas relações podiam variar mais um pouco já que acabamos por ficar um pouco "confusos" com algumas separações e relacionamentos que não deram certo devido, em parte, ao facto de existir mais alguém nas ditas relações. 
A história central do livro é obviamente a peculiaridade da rapariga se estar a transformar gradualmente em vidro, situação essa que é surreal, mas que no mundo real, pode ser entendida como uma doença que possa ter cura ou não, como um cancro por exemplo...e então surge uma breve aventura relacionada com essa doença até que chegamos ao final e resta-nos saber se esta aventura foi bem sucedida ou não, sendo inevitável ao longo desse percurso não analisar os situações como o sentimento de perda, angústia e solidão que possa advir na eventualidade do desfecho não ser positivo...mas há que manter a esperança.

"Ali perto flutuava um grupo de cerca de uma centena de alforrecas do tamanho de uma lanterna....uma faísca amarela se acendeu momentaneamente no corpo de uma. Tinha sido uma centelha de luz como numa lâmpada defeituosa. Uma segunda faísca tremeluziu numa outra alforreca, desta vez uma centelha cor-de-rosa. Mais ao fundo outra iluminou-se, vermelha como um coágulo de sangue....
Outra alforreca faiscou e permaneceu acesa. Uma chama amarela a flutuar na água. A sua emanação acendeu as luzes das suas vizinhas. Os seus corpos faiscavam, e as faíscas transformaram-se num brilho constante: amarelo, rosa, vermelho e azul. O efeito ricocheteou lentamente por toda a enseada até a água ser um brilho multicolor....
Imaginou-se a viver no meio do nada, apenas os dois sozinhos, e isso tranquilizou a sua mente, como se todas as preocupações que normalmente continha pudessem ser mantidas à distância meramente com a ideia, Sentia-se sereno, apoiado na balaustrada, absorvendo a visão do mar incandescente. Permaneceram assim, lado a lado, os rostos iluminados pelo brilho da água..."

A seguinte música podia de certa forma servir de banda sonora para esta história e até que o videoclip se enquadra parcialmente no ambiente que encontramos no livro.



Abaixo deixo algumas ilustrações do autor do livro que mostram os seres que podemos encontrar na Terra de Santo Hauda....Gostei dos desenhos em si como das próprias ideias!











Comentários

  1. Este foi um dos livros mais baratos que comprei e um dos que mais gostei, tudo à volta dele me fascinou. Concordo em parte contigo sobre algumas coisas que ficaram por dizer mas faz parte do imaginário da história, nem sempre tudo é explicado e cabe a nós fazermos o resto das ligações do que poderia encaixar nas "falhas" da história.

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