Abraço



Um abraço, um ABRAÇO GRANDE, um abraço pequeno, um abraço de alegria, um abraço de tristeza, um abraço de paixão, um abraço de amizade, um abraço, um gesto de infinitos significados e que só a sua própria duração o pode definir, o pode formar e transformar. Palavra essa que inspira nomes de canções, nomes de livros, nomes de filmes, mas que também me saiu agora roleta das palavras que um dia haveriam de se tornar um título de um texto. Mais um que me faz querer estar com as palavras e com elas sentir o pensar, ficar feliz e ficar triste, tudo com as palavras. Palavras essas que muitas vezes saem mais facilmente da ponta dos dedos do que da ponta da língua, correndo talvez o risco de se perderem mais facilmente por aterrarem num local tão abstracto, e talvez solitário, como este aqui, quem sabe.
Mas vou-me dirigir novamente à origem deste texto e evocar novamente a palavra abraço, esse gesto que sei que podia ser tão simples e mesmo assim se tivesse acontecido talvez, apesar da sua simplicidade, tivesse sido também algo extremamente precioso porque acredito que era tudo o que precisavas naquele momento. Naquele momento em que lamentos, lágrimas, interrogações e inquietações fugiam de ti e circulavam à tua volta e eu não fui capaz de as esmagar com a força do meu abraço, os meus braços à tua volta, o calor do meu abraço a fazer desaparecer as tuas inquietações, dando lugar a uma calma igualável à calma que se sente quando já não temos mais forças para chorar, quando o cansaço já superou a tristeza, a frustração, e nos deixa estafados a não sentir, a não sentir mais nada. Mas nada disso aconteceu, porque o meu abraço não aconteceu. Fui fraco e deixei-me ser invadido por seres semelhantes aos que te circundavam, seres esses que tenho dificuldade em afastar quando emergem algures. Sem saberes, porque não te disse, porque não vês essas palavras, peço-te desculpa pelo abraço que te fiquei a dever, e mesmo não te abraçando fisicamente, abraço-te sempre no meu pensamento e no meu coração.

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