Contradições

São inúmeras as contradições que encontramos no dia-a-dia e também naquelas coisas que se entranham em nós criando aquilo a que chamamos de hábitos ou costumes.
Muitas vezes lamentamos a solidão e desejamos que ela se vá embora, que esse sentimento de isolamento fique para trás, no entanto, e devido ao hábito de não conversar, não dialogar, não conviver, cria-se uma espécie de amizade com o vazio, com o silêncio, com o nada, e quando somos confrontados com um preenchimento desse vazio, ficamos sem saber como reagir, e nesse desconserto sentimos uma espécie de saudades da solidão. Ficamos presos na incapacidade, ou ideia de incapacidade, de socializar (mesmo com pessoas mais chegadas) e ficamos reféns da comodidade negativa que a solidão é capaz de enraizar em nós quando lhe damos espaço e tempo para isso. Se estamos acompanhados, depois queremos estar sós. Se estamos sós, sentimos a frieza do vazio, do nada e do ninguém, e então desejamos a companhia, a partilha de momentos, de conversas, de sons, imagens, etc... Contrariedades ridiculas que conseguem dar de si quando menos esperamos ou quando não estamos atentos aos seus sinais.      

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Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,  
mas o amado já...
...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,  
é recusar um presente que nos machuca,  
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 
  
Saudade é o inferno dos que perderam,  
é a dor dos que ficaram para trás,  
é o gosto de morte na boca dos que continuam...  

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:  
aquela que nunca amou. 

E esse é o maior dos sofrimentos:  
não ter por quem sentir saudades,  
passar pela vida e não viver. 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

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