Transição...dos dias

Passo com os pés por cima dos meus pensamentos como se estivesse a caminhar lentamente sobre um monte de cascalho em que o som estridente e disperso das pequenas pedras, a procurarem um novo canto, é o resultado do peso dos meus passos que se afundam, levando consigo as ideias para o fundo, esmagando-as e deixando um rasto de covas desordenadas e inúteis, como moças numa massa deformada pelos dedos encurvados num punho fechado alimentado pela frustração, indignação e debilidade emocional. E quem me levou até aí senão eu próprio? Devo-me queixar daquilo que sou responsável? Claro que não. Mas talvez olharmos para os nossos erros, para as nossas fraquezas, seja uma forma de admitirmos perante nós próprios que algo não está bem, que há coisas a corrigir e que só assim se pode caminhar em chão seguro e sólido ao invés do descambar a cada passo.

Hoje é outro dia e talvez seja daqueles dias em que agradar os outros é ficar também satisfeito e isso só por si já é gratificante, sobretudo quando, se formos a ver bem as coisas, um pouco do nosso tempo, da nossa paciência e vontade de querer fazer alguma coisa, são suficientes para contribuir para a felicidade de alguém, para fazer algo valer a pena. É preciso não esquecer que estar feliz ao pé de alguém é meio-caminho andado para essa esse alguém também estar feliz.

Pequenos gestos e atitudes conseguem fazer toda a diferença quando num ambiente ou momento banal tudo era suposto ser apenas rotina, e um sorriso ou um olhar de sinceridade e companheirismo, dão origem a um momento singular em que as palavras podem descansar e permanecer na âncora do começo do dia. Essas raridades fazem parte da solidez do meu chão.

Comentários

  1. O que vês nos momentos da transição?

    Sei que os pequenos gestos são os mimos do dia a dia, mas nem sempre os vemos, e muito menos os sentimos.

    *Hugs n' smiles*
    Carlos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

16.16 - Portugal - Campeão Europeu 2016

16.8 - John Verdon - Peter Pan tem que morrer ... ou não

16.14 - "Adoro" quando ... e as orelhas de elefante