Fábrica de diálogos

Tenho uma fábrica de diálogos onde se trabalha muito mas produz-se pouco. São inúmeros os projectos de diálogos que são desenvolvidos diariamente, mas que, felizmente ou infelizmente, nunca vêem a luz do dia. Entre esses projectos encontram-se vários tipos de diálogos e até mesmo diálogos transformados em monólogos devido às circunstâncias e variáveis envolvidas no seu processo de fabrico. Diálogos utópicos, diálogos de reconciliação, diálogos de consentimento, diálogos de amizade, diálogos de revolta, diálogos de incompreensão, etc, etc. O que é certo é que a matéria prima para a produção desses diálogos, muitas vezes apresentada em forma de sentimentos, nem sempre provém das melhores fontes de energia, sobretudo quando surgem de situações paradoxas como por exemplo a falta de diálogo. A falta de diálogo gera uma enorme quantidade de matéria-prima que será utilizada para a projecção de novos diálogos. Creio (para não dizer que sei e que tenho a certeza) que o problema da fábrica é a falta de algum equipamento novo e a afinação de certos componentes do equipamento já existente. O reposicionamento e ajustamento das máquinas responsáveis pelo acabamento do produto (o diálogo) e pelo seu transporte, podia resolver algumas situações, no entanto seria necessário também adicionar os módulos de extroversão e intrepidez para se conseguir produzir mais e melhor nesta fábrica...

Comentários

  1. Quantas fábricas têm passado ultimamente por dificuldades? As de diálogos certamente que sofrem um poucos, mas nunca ficam à deriva. É como a maré cheia...

    *Hugs n' smiles*
    Carlos

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  2. Olá
    Mas que texto bonito e com imaginação.
    Parabens.
    Escreves muito bem.
    beijo

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