Surpresas

Com ou sem surpresas vamos trilhando os fragmentos de vida que nos são dados todos os dias e nos ajudam a chegar a algum lado, algum lado que não sabemos ao certo qual é, mas pensamos que sabemos. É talvez nesse pensamento que encontramos a base para continuar este trabalho que pode ser duro ou então como alternativa pode ser que já tenham algo definido, um objectivo e em vez de estar "às aranhas" com o dia-a-dia, está-se preenchendo as linhas de um diário que já tem as suas páginas contadas [como se isso fosse possível se a vida for vivida livremente].

Quantas vezes damos por nós a questionar se o aqui e o agora em que nos encontramos são aquele "estar" ou aquele "ser" que havíamos programado nos momentos de silêncio, nos momentos de passeio pelas ruas dos locais visitados durante as viagens que nem sequer chegamos a levantar voo. Ao que parece isso é uma brincadeira que fazemos connosco próprios. Até que ponto podemos delinear o dia de amanhã, quando tudo o que nos rodeia são partículas inconstantes e mutáveis com o bater de umas asas que procuram a nuvem mais longínqua. Quiça se o mais sensato é deixar apenas uns tópicos, um rascunho, no calendário que está decorando a parede do quarto que se despoja nos momentos de silêncio. As bussolas que conheço e os mapas que já foram desenhados, e agora os "novos" distemas de GPS, de nada servem quando o caminho que está por fazer é desconhecido, apenas possivelmente previsível.

Mas já nos demos conta disso tudo há já algum tempo e talvez seja essa imprevisibilidade que dá alguma piada ou algum sentido [sobretudo para quem gosta de surpresas] ao virar das páginas do dia-a-dia, de que é que servia saber hoje que o dia de amanhã vai ser mau? É melhor ficar na dúvida entre o amanhã ser um dia bom e um dia mau porque assim pelo menos o dia de hoje já não será apagado com aquilo que o futuro traz às costas.

Radiohead - No surprises [Praticamente acabada de ouvir em "L'Auberge Espagnole", um filme aconselhado e que se aconselha]

Comentários

  1. Estava a pensar no que é que iria aqui escrever. Veio-me à cabeça a ideia dos dias maus e dos dias bons mas depois queria escrever algo menos dual, com mais positivismo no meio mas nada...depois dei-me conta que as aranhas que perseguem lol no sentido de que tu falas delas. Talvez a maior supresa que poderia ter era conseguir que as aranhas fizessem uma enorme teia no meu espaço com ou sem ondas...

    *Hugs n' smiles*
    Carlos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

16.16 - Portugal - Campeão Europeu 2016

16.14 - "Adoro" quando ... e as orelhas de elefante

16.8 - John Verdon - Peter Pan tem que morrer ... ou não