Perto da Água

É mais um dia que nasce ou mais um dia que morre, mas nesse momento isso também nem deve ser importante porque o que conta mesmo é o conjunto de riscos que esboçam uma acção definida entre os contornos do mar e das pessoas.

Um contraste entre a solidão temporária ou definitiva e a companhia daqueles que estão lá e que de repente não estão, e que estão e num instante não estão, e que estão mas nunca estiveram, e que nunca estiveram e nunca vão estar.

Um dia somos nós a estar ali sentados a sentir a água fria chegar até nós, à espera que venha alguém sentar-se ao nosso lado para juntos olharmos para o mar, para as estrelas e para a lua ou para a infinidade de formas desenhadas pelas nuvens; noutro dia será a nossa vez de ir até à beira da água e oferecer a nossa companhia a alguém que se esteja a sentir mais só.
Se não vier ninguém pode-se ou deve-se aprender a observar o mundo na nossa própria companhia. Quem sabe se não é isso que aprendemos a fazer primeiro.


Se nos sentirmos cansados podemos fazer do mar uma manta para nos cobrirmos e da areia, ou da pedra do chão, a nossa cabeceira para nosso encosto e assim descansar um pouco.

Engraçado! Na altura em que isso foi escrito nunca me lembrei dessa música de Damien Rice ("Blower's Daughter"), nem tão pouco do seu "videoclip", mas agora que o faço aproveito para o juntar a este Post como uma forma de o completar e preencher aquele minúsculo espaço que faltava preencher.

Comentários

  1. Há momentos que uma companhia é o oposto da solidão, mas quando o mar está à nossa frente e espera com a sua água fria nos banhar, por vezes não interessa se estamos sós ou acompanhados…a beleza é sempre a mesma!

    Essa música do Damien Rice tem muito a ver com o teu texto. As imagens ajudam a dar vida ao que escreveste…e como ele diz “and so i tis…”

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  2. somos nós mesmos essa primeira companhia. vai ver é reconhecer isso que pode tornar, ou perceber quem são as pessoas especias!
    adorei os desenhos!

    te mandei um e-mail outro dia! você leu?
    acho que vou pra portugal ano que vem! muito feliz! =]

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  3. um comentário quase 9 anos depois: não conhecia este texto e a música... ouvi-a tantas vezes...

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    Respostas
    1. Foi para tirar o pó das palavras :-). Parto do princípio que não deves conhecer grande parte dos textos aqui presentes, por isso se te apetecer serás sempre benvinda.

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