Passagens

Hoje, e talvez como tenha sido sempre, há em muitos de nós o hábito de tecer sempre alguma critica acerca de alguém. Porque fazemos isso? Dei por mim a pensar nisso e não estava a fazer pontaria para ninguém em particular e isto porque não queria escorregar e cair sobre as palavras que passam aqui hoje. Se isso acontecesse podia magoar-me a sério porque cair sobre um "i" não deve ser muito agradável ou sobre alguma outra letra acentuada. Talvez a resposta à questão colocada acima esteja no facto de estarmos constantemente a construir um modelo para seguir durante o nosso percurso, estarmos sempre a rabiscar, a esboçar até arranjarmos os traços perfeitos, as linhas finais, que nos darão a sensação de plenitude, e quando encontramos um risco no nosso desenho ou no desenho dos outros que não consiga fazer parte dos nossos traços, surge um certo tipo de desconforto e é aí que entra em cena a nossa expressão em forma de crítica.

Será que perdemos muito tempo a olhar para os nossos traços?

Ou será que fazemos exactamente o contrário? que será olhar continuamente para o desenho dos outros?

Acho que devo salientar que se não usássemos parte do nosso tempo para analisar o que está acontecendo ao nosso redor, para olhar para as outras pessoas e decifrá-las, como conseguiríamos encontrar nelas traços para acabar, ou para pelo menos melhorar, o nosso desenho? Como conseguiríamos encontrar nelas o que há de bom e que muitas vezes nos serve de mapa? Tendo dito isso quase que poderia mover o cursor para cima e apagar o inicio deste texto, mas não o farei porque senão isso que acabo de escrever também teria de ser apagado.

Porém há sempre alturas em que o melhor a fazer é tentar nos concentrarmos em nós para encontrar algum sossego. Deixo aqui umas frases que dão inicio a um filme (por sinal muito bom: "Mar Adentro")e que são exemplo daquilo que se pode fazer para encontrar o tal sossego...

Calmo...
Estás mais e mais calmo.
Agora imagina um écran...
Um écran de cinema que se abre perante ti.
Imagina nele qualquer lugar que gostes.
Concentra-te na tua respiração,
ajudando o teu corpo a relaxar...a sentir-se em paz.
Não tens que mudá-la.Deixa apenas que vá e volte.
Ir e voltar...
Agora...
Já estás lá...

Prestas atenção aos detalhes...
As cores...
As texturas...
A luz...
A temperatura... sente a temperatura.
Deixa que esta paisagem calma se estenda diante de ti.
A sensação de paz é infinita...


E também se quisermos também dá para ir a voar...experimentando uma sensação de liberdade dificilmente inigualável. Tal como mostra essa sequência do filme.


Comentários

  1. Não consigo entender pq é q eu sou tão desassossegada...

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  2. O sossego por vezes não quer nada de nós, e ficamos numa dúvida se vale a pena contrariar o que se passa dentro de nós.

    Esse filme, deu-me sossego do princípio ao fim e nesta cena, o sossego foi arrastado pela personagem janela fora e o engraçado é que a música está lá. Parece uma forma de sossego em canto...

    ResponderEliminar
  3. Andar pelo teu blog foi quase como ver um espelho , onde filmes, músicas e textos tem na grade amioria a ver comigo. Filmes pedaços de alguns que tanto amei como este.
    Músicas letras especias que tanto falam...
    Jinhos

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