Jangada

Sento-me devagar na extremidade da minha jangada que se encontra estática na imensidão deste oceano feroz que não pára! O limite está a chegar e a minha jangada não consegue avançar, por mais vento que possa haver parece que não serve de nada, não consigo levantar as velas esplendorosas de outrora, parece que elas estão rasgadas e é como se não existissem. O vento passa por elas sem as cumprimentar. E é como se o mesmo acontecesse comigo! Por mais agitação que haja neste oceano que me cerca e que me atinge e absorve, parece que por vezes a minha presença é insignificante.
Porque é que parei?!
Porque é que estou aqui?!
Será que a jangada vai passear na oscilação das ondas novamente?!

Sentado aqui nessa beira com os pés dentro de água surgem-me essas questões para as quais não encontro as respostas. E talvez não as encontre por estar parado!

Essa ausência de movimento começa a preocupar-me, tenho medo de naufragar e depois não conseguir voltar à superfície novamente. Será que iria aparecer algum braço para me puxar para cima nessa altura? Será que o mar ficaria sempre igual, como se nada tivesse acontecido? Não sei...


Se calhar vou esperar que passe algum amigo. Pode ser que me consiga ajudar, empurrando um pouco a minha jangada. Às vezes é só isso que é preciso...um pequeno empurrão. Senão terei de ver se consigo mergulhar nessas águas e tentar encontrar alguma coisa que sirva para colocar a minha jangada em movimento novamente. Um remo talvez.

Comentários

  1. Sabes, ensinou-me a vida que esses tempos de inércia têm o seu lado positivo.. São graças a eles que depois valorizamos a brisa.. o vento que nos empurra em frente..Tudo tem o seu tempo. O truque está em ter alguma paciência.

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